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Por que o cavalo relincha “duas vezes” ao mesmo tempo?

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O relincho do cavalo esconde um mecanismo raro na biologia. Cientistas revelam como equinos emitem sons graves e agudos simultaneamente. Confira a descoberta!

Para Quem Tem Pressa

Cientistas da Universidade de Copenhague descobriram que o relincho do cavalo desafia a regra biológica de que animais grandes produzem apenas sons graves. Através de microcâmeras, identificou-se que cavalos utilizam um sistema vocal duplo: um vibrar de tecidos (como humanos) e um “assobio interno” simultâneo na laringe. Essa capacidade única entre grandes mamíferos permite uma comunicação emocional complexa, diferenciando-os de parentes como zebras e burros.


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Relincho do Cavalo: A descoberta que desafia a biologia

O relincho do cavalo é um som familiar para qualquer pessoa do campo, mas, para a ciência, ele representava um nó biológico difícil de desatar. Recentemente, pesquisadores decidiram investigar por que esses animais conseguem quebrar uma regra básica da natureza: a relação entre o tamanho do corpo e o tom da voz.

De modo geral, na biologia, quanto maior o animal, maior seu aparelho vocal e mais grave tende a ser o som que ele produz. Essa correlação é observada na vasta maioria dos mamíferos. O relincho do cavalo, no entanto, é uma anomalia fascinante, pois consegue emitir notas graves e agudas ao mesmo tempo. O mecanismo por trás desse fenômeno intrigava especialistas há décadas, parecendo ignorar as leis da acústica animal.

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A Ciência por Trás da Voz Equina

Agora, um estudo conduzido por cientistas da Universidade de Copenhague e publicado na prestigiada revista Current Biology identificou exatamente como esse som é produzido. A pesquisa revela que o relincho do cavalo não é apenas um som, mas uma combinação de dois processos fisiológicos distintos que atuam simultaneamente dentro do sistema vocal do animal.

Mas o que, afinal, o relincho do cavalo tem de tão especial? O segredo reside na sua composição bimodal. Ele é formado por um componente grave e outro agudo que saem juntos. A parte mais baixa (grave) já era compreendida pelos pesquisadores: ela surge quando o ar passa pela laringe e faz vibrar os tecidos, um processo muito semelhante ao que ocorre na fala humana ou no mugido de um boi.


O Mistério do Assobio Interno

O que permanecia sem explicação era o componente agudo e estridente. Para investigar esse “mistério sonoro”, os cientistas utilizaram pequenas câmeras inseridas pelas narinas dos animais para observar o interior da laringe em tempo real enquanto os cavalos vocalizavam. Além disso, realizaram exames detalhados e experimentos controlados com laringes isoladas para entender a dinâmica do fluxo de ar.

Os resultados foram surpreendentes. O tom agudo do relincho do cavalo funciona como uma espécie de assobio interno. Enquanto uma parte do ar faz vibrar os tecidos da laringe para criar o som grave, outra região laríngea se contrai de forma específica, criando uma abertura extremamente estreita.

O ar que passa por esse espaço sob pressão produz o som mais alto. Diferentemente do assobio humano, que é articulado com os lábios e a boca, nos equinos o processo ocorre inteiramente dentro da própria laringe. É uma engenharia biológica de dar inveja a muitos instrumentos musicais.


Exclusividade no Reino Animal

Embora pequenos roedores já fossem conhecidos por utilizar mecanismos de assobio ultrassônico, o relincho do cavalo coloca esses animais em um patamar exclusivo. Os cavalos são os primeiros grandes mamíferos identificados com essa capacidade e os únicos conhecidos, até o momento, capazes de emitir o assobio e o som grave de forma síncrona.

Essa complexidade levanta uma questão interessante: o que o relincho do cavalo tem a ver com as suas emoções? A descoberta ajuda a explicar como eles conseguem produzir vocalizações muito mais detalhadas do que se imaginava anteriormente. Ao combinar duas frequências simultâneas, o animal consegue transmitir informações em diferentes “camadas” sonoras.


Comunicação e Evolução

Segundo os autores do estudo, essa estrutura acústica pode permitir que os cavalos expressem emoções ou estados sociais de forma refinada durante interações com o grupo. O relincho do cavalo é uma ferramenta vital para localizar membros da manada, chamar parceiros ou reagir a situações de alta excitação, como o momento da alimentação. É como se eles tivessem um código Morse emocional embutido na garganta.

A pesquisa também abre portas para discussões evolutivas instigantes. Cavalos selvagens da espécie Przewalski apresentam vocalizações semelhantes, assim como alguns alces. Por outro lado, parentes evolutivamente próximos, como burros e zebras, não possuem esse componente agudo característico, o que sugere que o relincho do cavalo moderno é uma especialização única da espécie.

Imagem principal: IA.


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