Carne Wagyu: Por que picanhas de R$ 2.300 estão vendendo tanto?
A produção de carne Wagyu no Brasil cresce 30% e movimenta bilhões. Descubra como a genética japonesa está transformando a pecuária premium e aumentando lucros.
Para Quem Tem Pressa
O mercado de carne Wagyu no Brasil deixou de ser um nicho exótico para se tornar uma estratégia de alta rentabilidade. Com um crescimento de quase 30% nos abates entre 2024 e 2025, a raça japonesa conquista espaço pelo marmoreio excepcional e preços que superam R$ 2.300 por quilo. Impulsionado pela demanda global e pela profissionalização da genética, o setor projeta faturamentos recordes, consolidando o Brasil como um player estratégico no cenário de proteínas premium.
Facebook Portal Agron, nosso canal do Whatsapp Portal Agron, o Grupo do Whatsapp Portal Agron, e Telegram Portal Agron mantém você atualizado com as melhores matérias sobre o agronegócio brasileiro.
Acompanhe aqui todas as nossas cotações
Carne Wagyu: O mercado bilionário que revoluciona o Brasil
O avanço da pecuária de alto padrão no Brasil já não é mais uma tendência distante — é uma realidade em expansão que atende pelo nome de carne Wagyu. Conhecida por produzir uma das iguarias mais caras do mundo, o grupo de quatro raças originárias do Japão vem registrando crescimento consistente no país. Esse movimento é sustentado pelo aumento da sede do consumidor por cortes premium e por uma gestão cada vez mais técnica dentro das fazendas.
Dados do Programa Carne Wagyu Certificada revelam o tamanho desse salto: o número de animais abatidos subiu de 1.749 para 2.272 cabeças entre 2024 e 2025. Esse aumento de quase 30% evidencia que o segmento ganha tração, provando que, embora o Brasil seja o rei da escala, também sabe fazer “luxo no prato”.
Demanda Global e o Valor do Marmoreio
O crescimento brasileiro não é um evento isolado, mas parte de uma onda internacional. Segundo a consultoria Mordor Intelligence, a demanda global por proteínas de altíssima qualidade é forte, enquanto a oferta segue limitada pelas exigências de rastreabilidade. Em 2025, o mercado mundial de carne Wagyu movimentou cerca de US$ 13,9 bilhões, com projeção de atingir US$ 20,92 bilhões até 2030.
O que justifica essas cifras astronômicas? O segredo está no marmoreio — aquela gordura entremeada que faz a carne derreter na boca (e o preço subir na prateleira). No Brasil, cortes como a picanha de carne Wagyu podem superar os R$ 2.300 o quilo. E para quem se preocupa com a dieta, um alento: estudos indicam que essa gordura é rica em ácido linoleico conjugado (CLA), sendo mais saudável que o perfil lipídico comum. Ou seja, é um investimento em prazer gastronômico e, teoricamente, no coração.
O Novo Perfil do Consumidor e a Resposta do Campo
A transformação do mercado reflete uma mudança de comportamento. Na última década, o bife deixou de ser apenas a proteína do dia a dia para virar uma experiência sensorial. O comprador moderno agora diferencia raças e sistemas produtivos. Se o boi não tem “currículo” e procedência, o consumidor nem tira o cartão da carteira.
Essa pressão chega diretamente ao produtor, exigindo aportes em nutrição e bem-estar animal. Afinal, para produzir uma carne Wagyu de respeito, não basta ter sorte; é preciso ciência. O aumento de 5% na venda de sêmen bovino, segundo a ASBIA, mostra que o pecuarista está trocando o “olhômetro” pela previsibilidade genética.
Genética: O Coração do Negócio Premium
Para especialistas como a médica veterinária Tatiana Caruso, o ponto de partida é o DNA. “Hoje não basta ter um touro bonito de catálogo. É preciso saber o que ele carrega e o que transmite à progênie”, afirma. O mercado amadureceu e parou de comprar “gato por lebre” — ou, no caso, gado comum por Wagyu.
Fernando Pereira, diretor da PremiunGen, reforça que a busca por reprodutores focados em marmoreio cresceu exponencialmente. O objetivo é claro: garantir que a carne Wagyu entregue o que promete em cada grama de gordura entremeada.
Estratégia de Cruzamento e Rentabilidade
Para ganhar escala no clima tropical, o Brasil aposta em cruzamentos, principalmente com a raça Angus, além de gado leiteiro como Holandês e Jersey. Essa tática, inspirada na Austrália, permite produzir cortes com padrão e confiança para o mercado interno e futuras exportações.
A bonificação é o grande atrativo financeiro:
- Animais cruzados: Até 25% de bonificação sobre a arroba.
- Carcaças de alto marmoreio: Ágio de até 100% sobre o preço de mercado.
De Nicho a Modelo Bilionário
O exemplo de Daniel Steinbruch, presidente da ABCBRW, ilustra essa virada. O que era uma aposta incomum nos anos 2000 transformou-se em uma operação verticalizada e lucrativa. A produção de carne Wagyu certificada de seu grupo saltou de 191,4 toneladas em 2024 para 380,8 toneladas em 2025, com faturamento subindo de R$ 18,3 milhões para R$ 32,3 milhões. A meta para 2026 é atingir R$ 40,2 milhões.
Com cerca de 15 mil bovinos com sangue Wagyu no Brasil, o potencial de expansão é vasto. Enquanto EUA e Austrália enfrentam redução de rebanhos, o Brasil se posiciona para ocupar janelas estratégicas. A mensagem é nítida: a carne Wagyu deixou de ser uma excentricidade de churrascos de luxo para se tornar o pilar de uma pecuária mais sofisticada, rentável e orientada pela qualidade.
Imagem principal: IA.

