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Produção de café no Brasil precisa crescer 35% até 2035

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A produção de café no Brasil precisará crescer 35% até 2035 para atender a demanda global. Descubra desafios, oportunidades e possíveis soluções.

Para Quem Tem Pressa

A produção de café no Brasil terá de crescer impressionantes 35% até 2035 para suprir o boom global de consumo, impulsionado principalmente pela Ásia. Embora o País tenha capital humano, tecnologia e terras disponíveis, gargalos como clima, logística e financiamento podem emperrar o sonho cafeeiro. Será que é possível entregar essas 23 milhões de sacas extras? Descubra a seguir.


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Café no Brasil: É viável atender ao boom global até 2035?

Se alguém duvida do poder do grão no mundo, basta olhar os números: o consumo global saltou de 104 milhões de sacas em 2000 para 177 milhões em 2024, uma alta de 70% que não encontra paralelo em nenhuma outra cultura agrícola. E as previsões seguem borbulhando: até 2030, a demanda pode chegar a 200 milhões de sacas, puxada por 2,5 bilhões de novos consumidores — muitos ainda nem começaram a tomar café, mas em breve se renderão ao ritual.


O Brasil é o protagonista inevitável

A Colômbia, por exemplo, quer crescer de 12,5 para 20 milhões de sacas. Mas, segundo Charles Chiapolino, chefe de pesquisa sobre o grão na Louis Dreyfus Company, quem realmente fará diferença é o Brasil. Há dez anos, o País atendia 30% da demanda mundial; hoje, já responde por 38% e, até 2035, precisará suprir mais de 40%.

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Isso significa aumentar a produção do grão no Brasil em cerca de 23 milhões de sacas — ou seja, saltar de 65,5 milhões na safra 2025/26 para algo próximo a 88,5 milhões de sacas. O detalhe: nos últimos dez anos, o crescimento foi de “apenas” 9 milhões de sacas. Agora, o ritmo precisará triplicar.


O novo consumidor está mudando tudo

O desafio não é apenas plantar mais. O perfil do consumo mudou radicalmente. Há 20 anos, Europa, EUA, Japão e Brasil eram responsáveis por 75% do consumo global. Hoje, representam 58%, e em dez anos cairão para 53%. A outra metade virá de mercados emergentes, principalmente a Ásia, onde consumidores veem o café como um símbolo de status e bem-estar — e estão dispostos a pagar mais.

Mas atenção: esse público é exigente. Quer qualidade, rastreabilidade, sustentabilidade e novos sabores. Ou seja, o Brasil precisará adaptar tanto o campo quanto o marketing para atender esse novo paladar global.


Produção cresce… mas há limites

Mesmo com tantas incertezas, há sinais de otimismo. No último ano, o café robusta (conilon) registrou um saldo de mudas 6% maior, o que representa cerca de 2 milhões de sacas adicionais no futuro. O café arábica também está expandindo, com previsão de 1.000 viveiros em operação até 2025.

Ainda assim, a safra 2025/26 preocupa. “O rendimento do arábica na colheita não está sendo bom”, relata Luiz Fernando dos Reis, superintendente comercial da Cooxupé. Até junho, apenas 31,4% da colheita estava concluída em São Paulo e Minas Gerais, com produtividade abaixo do esperado.


Clima, logística e dinheiro: os grandes gargalos

Produzir café exige previsibilidade climática — artigo cada vez mais raro. Geadas, secas e oscilações extremas no regime de chuvas afetam diretamente os pés de café. E, mesmo que a lavoura vá bem, surge o calcanhar de Aquiles da produção de café no Brasil: a logística.

Claudio Oliveira, CEO da BTP (Brasil Terminal Portuário), alerta que o porto de Santos, principal escoadouro do café brasileiro, está à beira do colapso, operando entre 90% e 100% da capacidade. O megaterminal Tecon Santos 10, projetado para ampliar a capacidade em 50%, já “nascerá cheio”, segundo especialistas. Ou seja, podemos ter café pronto, mas sem como embarcar.


Por que o Brasil deve vencer esse desafio?

Apesar do cenário tenso, há motivos sólidos para acreditar que o Brasil dará conta do recado. Chiapolino, da Louis Dreyfus, lista quatro pilares:

  • Capital humano: produtores, traders e exportadores acumulam séculos de experiência.
  • Financiamento: bancos conhecem o mercado e há políticas públicas de apoio.
  • Tecnologia: o Brasil é líder mundial em inovação agrícola.
  • Terra disponível: há espaço para expansão sem necessariamente desmatar.

Além disso, soluções como irrigação, variedades mais produtivas e técnicas avançadas de manejo podem turbinar a produtividade.


Humor leve (com leve ironia)

Se depender da paixão brasileira por café, ninguém dorme até resolver esse desafio. O problema é que, do jeito que vai, até o café vai precisar de café para aguentar a logística do porto de Santos.


Conclusão

A produção de café no Brasil precisa crescer 35% em dez anos — um salto histórico. A demanda existe, o mercado está sedento, e o País possui condições técnicas para chegar lá. Mas sem resolver gargalos como clima, financiamento e, principalmente, logística, até o melhor café pode ficar preso no terminal portuário. E, convenhamos, ninguém quer ficar sem café.

Imagem principal: Depositphotos.


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