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O suporte ao produtor rural varia muito entre países: EUA e União Europeia investem pesado com subsídios e políticas públicas. O Brasil oferece apoio mínimo, priorizando o livre mercado. Já a Argentina vai além da omissão: ela literalmente penaliza seu agronegócio, gerando um PSE negativo inédito. Entenda os dados e como isso afeta o cenário agrícola em 2025.
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A sigla PSE (Producer Support Estimate) pode parecer técnica, mas representa algo muito prático: quanto os governos ajudam – ou atrapalham – quem produz alimentos. Calculado pela OCDE e acompanhado pelo BID, o índice mede o percentual da renda dos produtores rurais que vem de incentivos como subsídios, preços mínimos, crédito facilitado e infraestrutura.
Em outras palavras, o PSE revela se o seu país está cuidando bem de quem põe comida na sua mesa – ou se está apenas assistindo de camarote enquanto o produtor compete com importados turbinados por apoio estatal.
De acordo com dados recentes compartilhados por @aledelara_ no X, temos os seguintes percentuais de PSE:
Sim, você leu certo. A Argentina tem um PSE negativo. Mas já falamos disso.
Com apenas 2,59% de suporte via políticas públicas, o Brasil aposta em um agronegócio competitivo, tecnológico e voltado ao mercado internacional. Funciona até certo ponto – o país é potência agrícola.
Mas esse modelo tem custos. Com o aumento da presença de produtos subsidiados vindos de fora, o produtor nacional se vê pressionado, especialmente em momentos de crise cambial ou choques de preço.
Há quem defenda que um pouco mais de apoio governamental poderia reduzir a dependência de importações, gerar empregos locais e proteger cadeias produtivas frágeis.
Os Estados Unidos, com seus 10,24%, investem em seguro agrícola, programas de estabilização de preços e até em apoio direto. Nada de novo por lá: desde o New Deal, o agro americano é tratado como setor estratégico.
A União Europeia vai além: seus 19,75% refletem a robusta Política Agrícola Comum (PAC), que representa quase 40% do orçamento europeu. A PAC não apenas apoia a produção, mas também impulsiona práticas sustentáveis, inovação e coesão social no campo.
Quem disse que só país pobre precisa proteger o agro?
Agora sim: o caso argentino é digno de nota (e talvez de pena). Com -13,5%, o país é o único da lista com um PSE negativo. Isso acontece por causa das famigeradas “retenciones”, impostos sobre exportações agrícolas criados no século XIX, ressuscitados em 2002 e que seguem firmes até hoje – embora em processo de redução pelo governo Milei.
Esses tributos reduzem diretamente a renda dos produtores. O resultado? Um agro desestimulado, investimentos represados e menor competitividade global.
Desde que assumiu em dezembro de 2023, o presidente Javier Milei vem cumprindo a promessa de reduzir as retenciones, embora ainda enfrente resistência política e fiscal. A aposta? Que ao eliminar esse peso, a Argentina viverá um “boom” agrícola semelhante ao brasileiro dos anos 1970, quando o país aboliu políticas confiscatórias.
Segundo o relatório da OCDE de 2024, o apoio agrícola global tende a se transformar. Os subsídios “cegos” perdem espaço para políticas ligadas à inovação, sustentabilidade e segurança alimentar.
O Brasil ainda patina entre o liberalismo fiscal e as demandas de um setor vulnerável. Já a Argentina, ao que tudo indica, está corrigindo décadas de distorções – e talvez, pela primeira vez em muito tempo, começando a jogar a favor do próprio agro.
Imagem principal: Alê Delara / X.
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