Confinamento Bovino 2025: Alta nos Custos e Otimismo na Arroba

Confinamento bovino em 2025 tem custos elevados, mas valorização da arroba e alta demanda garantem boas perspectivas de lucro. Confira a análise completa.

Para Quem Tem Pressa:

O confinamento bovino em 2025 entra em um novo ciclo, marcado pela valorização da arroba e aumento nos custos com nutrição animal. A alta demanda externa e a retomada da engorda intensiva geram otimismo no setor, mesmo diante de insumos mais caros.


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Confinamento Bovino: Alta nos Custos e Otimismo na Arroba

O mês de março de 2025 marcou o início de um novo ciclo para o confinamento bovino 2025, evidenciado por um aumento expressivo nos custos com nutrição animal e, ao mesmo tempo, por uma valorização da arroba que reacende o otimismo entre os pecuaristas. A combinação desses dois fatores — pressão de custos e boas perspectivas de receita — traz à tona uma conjuntura que exige atenção estratégica do produtor rural, especialmente daqueles que atuam na engorda intensiva de bovinos.

O Índice de Custo Alimentar Ponta (ICAP), principal termômetro dos custos nutricionais na atividade, registrou em março valores de R$ 13,91 na região Centro-Oeste e R$ 13,27 no Sudeste. Em comparação a fevereiro de 2025, esses valores representam aumentos de 1,16% e 5,07%, respectivamente. Historicamente, março costuma ser um mês de elevação nos custos por conta do fim da entressafra, mas a alta registrada este ano surpreendeu, mesmo diante de uma safra de grãos que se projetava como recorde.

O comportamento dos preços dos principais alimentos usados nas dietas de confinamento revela um cenário mais complexo. A expectativa de queda nos custos, alimentada pela antecipação da safra 2024/25 em fevereiro, não se confirmou. Mesmo com maior oferta de grãos, os estoques permanecem apertados e a demanda, firme. O mercado externo segue comprador e o consumo interno mostra recuperação, o que sustenta a elevação dos preços dos insumos.


Panorama Regional dos Custos Nutricionais

Centro-Oeste

No Centro-Oeste, o custo por tonelada de matéria seca da dieta de terminação atingiu R$ 1.275,39 — o mais alto entre as regiões analisadas. A elevação foi puxada por aumentos significativos nos insumos energéticos e proteicos. Entre os alimentos energéticos, destacam-se:

  • Casca de soja: aumento de 10,76%
  • Milho grão seco: alta de 4,80%

Já entre os insumos proteicos, o destaque fica para:

  • Torta de algodão: elevação de 13,27%
  • Caroço de algodão: alta de 4,19%

Além disso, o aumento no preço do milho impactou diretamente os subprodutos da produção de etanol de milho, bastante utilizados no confinamento da região. O WDG (Wet Distillers Grains) subiu 6,93% e o DDG (Dried Distillers Grains), 4,78%.

Sudeste

No Sudeste, o custo por tonelada de matéria seca da dieta de terminação ficou ligeiramente abaixo do Centro-Oeste, em R$ 1.263,51. No entanto, os percentuais de aumento nos insumos foram ainda mais significativos. Os insumos energéticos subiram 6,62% e os proteicos, 11,21%.

Os maiores aumentos foram observados nos seguintes produtos:

  • Sorgo grão seco: alta de 10,51%
  • Casca de soja: aumento de 9,15%
  • Milho grão seco: valorização de 8,00%

Esses aumentos refletem não apenas a dinâmica de mercado, mas também os custos logísticos e as condições climáticas específicas da região.


Comparativo Anual e Desafios de 2025

Ao se comparar os custos de março de 2025 com os de março de 2024, nota-se um comportamento divergente entre as regiões. No Centro-Oeste, houve uma redução de 8,43% no custo nutricional, enquanto no Sudeste houve um aumento de 1,45%. Essa variação reflete a complexidade do cenário atual, onde a abundância da safra não se traduziu automaticamente em redução de preços.

O milho, base da alimentação de bovinos em confinamento, rompeu a barreira dos R$ 90 por saca — o maior valor nominal registrado nos últimos três anos. Este fator, somado à elevação nos custos de insumos proteicos e logísticos, reforça o desafio de manter a rentabilidade em um sistema intensivo de produção.


Valorização da Arroba Reforça Otimismo

Apesar da pressão dos custos, o cenário é de otimismo no mercado do boi gordo. A cotação da arroba ultrapassou R$ 324,00 em São Paulo, com contratos futuros indicando valores acima de R$ 334,00 para agosto de 2025. Essa valorização se dá em um contexto de demanda aquecida, especialmente do mercado chinês, e de maior controle de oferta no mercado interno.

A combinação entre alta da arroba e custos de nutrição ainda dentro de patamares gerenciáveis reacende o interesse pelo confinamento. Projeções apontam para um crescimento de 18% na intenção de confinamento este ano, o que representa mais de 8 milhões de animais em sistema intensivo — um dos maiores volumes dos últimos anos.


Lucratividade Estimada por Região

Com base nos dados do ICAP e nas informações levantadas junto aos produtores atendidos pela Ponta Agro, os custos estimados por arroba produzida em março são:

  • Centro-Oeste: R$ 204,13
  • Sudeste: R$ 210,64

Considerando o valor atual da arroba no mercado físico (R$ 324,00) e os valores projetados no mercado futuro (acima de R$ 334,00), é possível alcançar um lucro superior a R$ 820,00 por cabeça nas duas regiões — mesmo desconsiderando possíveis bonificações.

Essas bonificações, como o diferencial do Boi China, oferecem prêmios entre R$ 5,00 e R$ 7,50 por arroba, elevando ainda mais a rentabilidade da operação para pecuaristas que atendem aos requisitos dos frigoríficos exportadores.


Estratégias para Ampliar Margens em 2025

Diante de um ambiente de custos elevados, mas também de boas oportunidades de lucro, os pecuaristas devem redobrar a atenção nas seguintes estratégias:

  • Melhorar a eficiência alimentar por meio de ajustes finos nas dietas e no manejo de cocho
  • Negociar bonificações comerciais com frigoríficos, especialmente para atender mercados premium
  • Acompanhar o ICAP mensalmente para decisões de compra de insumos mais estratégicas
  • Investir em tecnologia de gestão para monitorar custos por cabeça e por arroba produzida em tempo real

Essas práticas são essenciais para manter a competitividade e garantir que o confinamento bovino 2025 seja, de fato, um ciclo de resultados positivos, mesmo em meio à volatilidade dos mercados de grãos e proteína animal.

Imagem principal: Depositphotos.

Douglas Carreson

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