Boi gordo inicia 2026 travado e pressiona preços

O boi gordo começa 2026 com mercado lento, preços mistos entre praças, consumo cauteloso e exportações no radar. Confira as cotações.

Para Quem Tem Pressa

O boi gordo abriu 2026 em ritmo lento, cenário típico do início do ano. A combinação de consumo interno mais fraco, escalas de abate curtas em algumas regiões e maior cautela dos frigoríficos resulta em preços mistos entre as praças pecuárias, com altas pontuais sustentadas pela oferta limitada e ajustes negativos localizados, especialmente em São Paulo.


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Boi gordo inicia 2026 em ritmo lento e mercado seletivo

O mercado do boi gordo começou a primeira semana útil de 2026 com negociações reduzidas e comportamento misto dos preços nas principais regiões produtoras do país. O ambiente reflete um início de ano tradicionalmente mais moroso, marcado pelo chamado “clima de férias”, quando o consumo interno perde força após as festas e as indústrias operam com maior cautela na formação de estoques.

Além do consumo mais fraco, o setor convive com outros fatores típicos do período, como o orçamento das famílias pressionado por despesas sazonais — IPTU, IPVA, material escolar — e um mercado exportador ainda ajustando expectativas diante de mudanças recentes nas regras internacionais de comércio.

Nesse contexto, os negócios seguem acontecendo de forma pontual, com frigoríficos comprando apenas o necessário para atender escalas curtas e produtores atentos às oportunidades de venda.


Oferta curta sustenta o boi gordo em algumas regiões

De acordo com análise da Safras & Mercado, os frigoríficos retomaram as compras em janeiro pagando valores mais firmes em determinadas praças, especialmente onde a oferta de animais terminados segue limitada. A menor disponibilidade de gado pronto, sobretudo de animais terminados a pasto, dificulta a recomposição das escalas de abate e contribui para sustentar os preços.

Esse cenário impede quedas mais acentuadas da arroba, mesmo diante do ritmo lento de negociações. Na média das principais praças acompanhadas no início da semana, as referências do boi gordo ficaram em:

  • São Paulo: R$ 321/@
  • Minas Gerais: R$ 314,41/@
  • Goiás: R$ 312,86/@
  • Mato Grosso do Sul: R$ 312,50/@
  • Mato Grosso: R$ 300,70/@

Os números mostram que, apesar da lentidão típica do período, a oferta controlada de boiadas prontas funciona como um piso para os preços, principalmente em regiões com maior dependência do gado a pasto e menor confinamento neste momento do ano.


São Paulo registra ajuste pontual de baixa

Na contramão desse movimento observado em parte do país, o mercado paulista apresentou ajuste pontual de baixa em determinados negócios. Segundo levantamento da Scot Consultoria, houve aumento da oferta de animais terminados em relação ao fim de 2025, o que abriu espaço para uma leve retração nos preços.

O boi gordo sem padrão-exportação foi negociado a R$ 317/@ no prazo, queda de R$ 2/@ frente aos valores praticados anteriormente. Já as demais categorias mantiveram estabilidade:

  • Vaca gorda: R$ 302/@
  • Novilha: R$ 312/@
  • Boi-China: R$ 322/@

Consultorias avaliam que esse movimento está diretamente ligado à ressaca pós-festas. Nesse período, o apetite de compra das indústrias diminui, os frigoríficos operam de forma seletiva e priorizam negócios que se encaixem melhor nas escalas imediatas.


Atacado travado reforça cautela no mercado

No mercado atacadista, o início de 2026 também é marcado por acomodação. O padrão de consumo do primeiro trimestre do ano favorece proteínas mais acessíveis, como frango, ovos e embutidos, o que limita a demanda por carne bovina.

Além disso, o peso das despesas sazonais no orçamento das famílias reduz o poder de compra, dificultando repasses de preços ao varejo. Como resultado, os valores dos principais cortes bovinos permaneceram praticamente estáveis:

  • Quarto dianteiro: R$ 17,85/kg
  • Quarto traseiro: R$ 25,40/kg
  • Ponta de agulha: R$ 17,50/kg

A carcaça casada bovina segue negociada próxima de R$ 22,01/kg, com registros de leves recuos semanais em alguns cortes. Esse comportamento reforça o cenário de demanda contida e ajuda a explicar por que o boi gordo encontra dificuldade para avançar de forma mais consistente no curto prazo.


Exportações e China seguem no radar do mercado

No pano de fundo do mercado pecuário, as exportações continuam no centro das atenções. A China implementou salvaguardas que estabeleceram cotas anuais para importações de carne bovina, além de uma tarifa adicional de 55% sobre os volumes que ultrapassarem os limites definidos.

Para o Brasil, a cota estipulada para 2026 ficou em 1,106 milhão de toneladas, com validade até 2028. A medida gerou apreensão inicial no mercado, especialmente pela importância do país asiático para o escoamento da produção brasileira.

Apesar disso, analistas destacam que importadores chineses voltaram às compras, pagando valores mais altos pela proteína. Esse movimento ajudou a limitar pressões negativas mais fortes sobre a arroba do boi gordo, funcionando como um fator de equilíbrio em meio ao consumo interno enfraquecido.


Perspectivas para os próximos dias

A expectativa do setor é de que o mercado siga andando de lado nos próximos dias, com oscilações pontuais entre as praças pecuárias. Um movimento mais consistente dependerá da retomada gradual do consumo interno e da definição de um ritmo mais claro das exportações dentro do novo cenário internacional.

Enquanto isso, o boi gordo permanece em compasso de espera. Produtores seguem atentos às oportunidades de venda, frigoríficos mantêm postura cautelosa e o mercado reflete, mais uma vez, o tradicional “clima de férias” que marca o início do ano na pecuária brasileira.


Disclaimer

Este artigo é de caráter informativo e opinativo, com dados e cotações referentes ao dia 07/01/2026. As informações podem conter imprecisões, sendo sua utilização de responsabilidade exclusiva do leitor. O conteúdo não constitui recomendação de investimento, orientação financeira, consultoria jurídica ou aconselhamento comercial. Decisões devem considerar as particularidades de cada operação, os regulamentos aplicáveis e, quando necessário, o apoio de profissionais habilitados. Os autores e o site não se responsabilizam por decisões tomadas com base neste material.

Fonte: Scot Consultoria, diversos sites especializados, além de informações levantadas diretamente com fazendas, veterinários e zootecnistas atuantes no mercado pecuário. Imagem principal: IA.

Douglas Carreson

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