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Mercado do Boi Gordo: O risco invisível que preocupa o Brasil

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O mercado do boi gordo vive entre ganhos com novas exportações e riscos sanitários após a retirada da vacina contra febre aftosa. Entenda o cenário.

Para Quem Tem Pressa

O mercado do boi gordo está num cabo de guerra: de um lado, o status de área livre de febre aftosa sem vacinação abre portas para exportações a países exigentes como Japão, Coreia do Sul e Canadá. Do outro, há um risco invisível que paira sobre a pecuária brasileira: sem vacinação, o Brasil fica exposto a problemas sanitários que podem travar as exportações e derrubar o mercado. Entenda o que está em jogo e quais os impactos para preços, exportações e o futuro da pecuária brasileira.


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O status livre de vacinação: Faca de dois gumes

O reconhecimento do Brasil como área livre de febre aftosa sem vacinação pela Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) foi saudado como vitória. Afinal, amplia a lista de destinos premium para a carne bovina brasileira, abrindo oportunidades que podem impulsionar o mercado do boi gordo.

Mas há um detalhe com gosto agridoce: “A retirada da vacinação em bovinos aumenta a exposição do Brasil a riscos sanitários, sendo esse um risco imponderável, apesar das possibilidades de conquistarmos mercados que ainda não temos”, explica Cesar de Castro Alves, gerente da Consultoria Agro do Itaú BBA.

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Não é só teoria. Em 2006, mesmo com vacinação, o Brasil enfrentou problemas com a doença, resultando em embargos traumáticos às exportações. E, hoje, sem a indústria produzindo o imunizante, a reviravolta em caso de surto seria ainda mais complexa.

“Se alguma coisa acontecer, eu não sei nem para onde poderíamos correr para resolver essa situação”, alerta Alves.


O peso do risco sanitário no mercado do boi gordo

No passado, o Brasil podia até enfrentar restrições, mas tinha vacinas para controlar a febre aftosa. Hoje, isso seria bem mais difícil. O mercado do boi gordo está, portanto, numa encruzilhada: ou fatura alto com exportações ou fica vulnerável a restrições súbitas caso a doença apareça.

“O grande preocupação é caso a doença aconteça e não termos estoques da vacina. Não estou dizendo que vai acontecer, acredito que o setor está mais preparado, mas exigiria uma grande diplomacia do Brasil”, destaca o especialista.

Além da diplomacia, haveria impactos diretos nos preços do mercado do boi gordo, nas margens do produtor e na confiança de países importadores.


Oferta de gado ainda robusta

Enquanto isso, o mercado físico segue firme. A esperada redução na oferta de gado ainda não se concretizou em 2025, graças ao ritmo elevado dos abates. Segundo Alves, o mercado de bovinos está fortemente voltado para animais mais jovens, incluindo uma grande fração de novilhas.

“Não são necessariamente vacas de descarte. O custo do bezerro melhorou muito desde o ano passado, o que aumenta a margem do criador e estimula o produtor a segurar a vaca para produzir o bezerro”, explica.

Ainda assim, o abate de fêmeas continua expressivo, sobretudo para atender tanto exportação quanto mercado interno.


Perspectivas para 2025 e além

Para o ano que vem, a Consultoria Agro do Itaú BBA projeta uma leve retração de 1% na produção de carne bovina. Mas, atenção: isso não quer dizer preços necessariamente mais altos. “A gente acha que o confinamento vai ser mais volumoso este ano, por conta das margens favoráveis para o produtor desde o começo do ano, algo que deve se manter no segundo semestre”, comenta Alves.

Ou seja, o mercado do boi gordo pode seguir com oferta consistente, mesmo que o abate de fêmeas reduza um pouco. Esse equilíbrio delicado mantém o setor em alerta: basta uma faísca sanitária para virar o jogo — e, ironicamente, ninguém quer “testar” essa hipótese.


O risco invisível não pode ser ignorado

É fato que o novo status sanitário é uma conquista importante para o Brasil. Mas a falta de vacinação é, literalmente, uma faca de dois gumes. Se nada ocorrer, o mercado do boi gordo segue firme, lucrativo e ampliando horizontes internacionais.

Mas, se o risco sanitário sair do campo hipotético, o impacto pode ser dramático para preços, exportações e confiança global.

Num mercado onde bilhões estão em jogo, esse “imponderável” talvez seja o maior custo invisível para a pecuária brasileira.

Imagem principal: Depositphotos.


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