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Até quando o boi gordo seguirá valorizado no Brasil?

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O boi gordo mantém preços firmes com apoio das exportações e escalas curtas nos frigoríficos. Mas até quando o mercado seguirá em alta?

Para Quem Tem Pressa

O boi gordo segue em alta, impulsionado pelas exportações aquecidas e pela dificuldade dos frigoríficos em alongar escalas de abate. O cenário anima pecuaristas, mas analistas alertam: o consumo interno e a concorrência de proteínas mais baratas podem limitar esse movimento.


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O cenário atual do boi gordo

O mercado do boi gordo mantém viés de alta graças a dois fatores principais:

  • A forte demanda internacional pela carne bovina brasileira.
  • A dificuldade dos frigoríficos em garantir escalas de abate longas.

Esse contexto sustenta preços firmes, com negócios em alguns estados acima das referências médias. Em São Paulo, por exemplo, a arroba foi precificada em R$ 311,52, superando os R$ 310,85 do dia anterior. Em Minas Gerais, o valor chegou a R$ 302,94, confirmando a tendência positiva.

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Exportações: O motor da alta

As exportações seguem como pilar do boi gordo. De acordo com a Scot Consultoria, a tonelada da carne bovina in natura alcançou US$ 5.734,50 na última semana, o maior valor de 2025 até agora.

Outro ponto estratégico foi a abertura de novos mercados. Países como Vietnã, Filipinas e Indonésia — juntos, com mais de 500 milhões de habitantes — devem representar até 800 mil toneladas exportadas até 2035, segundo a Agrifatto. Essa expansão solidifica o Brasil como protagonista mundial no setor.


Mercado interno: O freio do otimismo

Apesar do bom momento externo, o consumo interno segue contido. O repasse entre atacado e varejo perdeu força na segunda quinzena do mês, pressionando cotações da carne no mercado doméstico.

  • O quarto traseiro recuou para R$ 23,15/kg, queda de R$ 0,15.
  • A carne de frango mantém maior competitividade, atraindo consumidores de menor renda e dificultando o escoamento da carne bovina.

Esse contraponto mostra que o boi gordo depende, em grande parte, do desempenho internacional para manter a trajetória de alta.


Mercado futuro: Sinais mistos

Na B3, o contrato de novembro/25 encerrou em R$ 328,25/@, alta de 1,3%. O movimento sinaliza otimismo no curto prazo, mas não elimina riscos. Especialistas alertam que o equilíbrio entre exportações e consumo interno será decisivo.

A entrada dos salários em setembro deve favorecer uma retomada no varejo, mas, se houver enfraquecimento da demanda asiática, o mercado pode entrar em acomodação.


Até quando o boi gordo seguirá firme?

A resposta depende de três variáveis-chave:

  1. Exportações: manutenção do apetite asiático e consolidação dos novos mercados.
  2. Escalas de abate: se os frigoríficos continuarem pressionados, a arroba seguirá valorizada.
  3. Consumo interno: eventual retomada poderia sustentar ainda mais os preços, mas a concorrência do frango e do suíno segue forte.

Enquanto isso, os pecuaristas vivem uma janela de oportunidade única. Contudo, a pecuária brasileira ainda carrega a incerteza do mercado interno fragilizado.


Conclusão

O boi gordo atravessa um momento de valorização sustentado principalmente pelas exportações. A abertura de novos mercados no Sudeste Asiático, somada ao apetite já consolidado da China, cria uma base sólida para manter preços firmes no curto e médio prazo. Além disso, a dificuldade dos frigoríficos em alongar as escalas de abate reforça a pressão de alta sobre a arroba.

No entanto, o mercado interno continua sendo um fator de risco. O consumo de carne bovina no Brasil ainda é limitado pela concorrência de proteínas mais baratas, como frango e suíno, além do poder de compra fragilizado da população. Isso significa que, mesmo com exportações recordes, a sustentação dos preços depende de um equilíbrio delicado: se houver qualquer recuo na demanda internacional, o mercado doméstico dificilmente terá força suficiente para absorver a oferta e manter o ritmo de valorização.

Portanto, o futuro do boi gordo está atrelado a três pilares:

  1. Força das exportações, sobretudo para a Ásia.
  2. Gestão das escalas de abate, que indicam o poder de barganha dos frigoríficos.
  3. Recuperação gradual do consumo interno, que pode oferecer sustentação adicional aos preços.

Em resumo, a tendência de alta deve persistir enquanto o cenário externo se mantiver positivo. Porém, qualquer oscilação global ou desaceleração no ritmo das exportações pode levar o mercado a uma fase de acomodação. Para o pecuarista, o momento exige atenção redobrada: aproveitar os bons preços atuais, mas sem perder de vista os riscos que podem surgir no horizonte.


Disclaimer

Este artigo é de caráter informativo e opinativo, com dados e cotações referentes ao dia 21 de agosto de 2025. As informações podem conter imprecisões, sendo sua utilização de responsabilidade exclusiva do leitor. O conteúdo não constitui recomendação de investimento, orientação financeira, consultoria jurídica ou aconselhamento comercial. Decisões devem considerar as particularidades de cada operação, os regulamentos aplicáveis e, quando necessário, o apoio de profissionais habilitados. Os autores e o site não se responsabilizam por decisões tomadas com base neste material.

Fonte: CEPEA, IMEA, diversos sites especializados, além de informações levantadas diretamente com fazendas, veterinários e zootecnistas atuantes no mercado pecuário. Imagem principal: Depositphotos.


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