Bicheira do Novo Mundo não é infecção e muda protocolos

A Bicheira do Novo Mundo na pecuária não é infecção, mas infestação individual. Entenda riscos, controle sanitário e impacto econômico.

Para Quem Tem Pressa

A Bicheira do Novo Mundo na pecuária não é uma infecção contagiosa que se espalha pelo rebanho, mas uma infestação parasitária que atinge animais individualmente. Autoridades sanitárias reforçam vigilância, controle de transporte e uso de moscas estéreis para evitar prejuízos econômicos e conter possíveis surtos.


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Bicheira do Novo Mundo na pecuária: O que realmente preocupa

A Bicheira do Novo Mundo na pecuária voltou ao centro do debate sanitário internacional após o reforço de medidas preventivas por autoridades dos Estados Unidos e do México. Apesar do nome alarmante, especialistas esclarecem um ponto essencial: trata-se de uma infestação parasitária, e não de uma infecção capaz de comprometer automaticamente todo o rebanho.

Essa diferenciação muda completamente a estratégia de controle, reduz impactos econômicos e evita decisões extremas, como bloqueios totais de propriedades.


Infestação, não infecção: Por que isso importa

O alerta foi reforçado pelo médico-veterinário Dr. Adis Dijab, administrador associado adjunto dos serviços veterinários do Animal and Plant Health Inspection Service (APHIS), durante reunião do comitê de saúde e bem-estar bovino na CattleCon.

Segundo ele, a Bicheira do Novo Mundo na pecuária atinge animais específicos, geralmente a partir de ferimentos, e não se espalha de forma sistêmica entre todos os bovinos de uma fazenda.

👉 Na prática, isso significa:

  • Quarentenas pontuais, não gerais
  • Inspeção e tratamento individualizado
  • Liberação rápida do restante do rebanho

O que muda na prática para o produtor

Caso a praga atravesse fronteiras, as autoridades sanitárias devem priorizar:

  • Controle de movimentação animal
  • Zonas sanitárias delimitadas
  • Saída rápida da quarentena após inspeção

Esse modelo evita paralisações prolongadas e reduz perdas financeiras, desde que o produtor colabore com os protocolos oficiais.


Por que a praga exige atenção constante

A Bicheira do Novo Mundo na pecuária é causada por uma mosca parasita cujas larvas se alimentam de tecido vivo, aumentando o risco de:

  • Lesões profundas
  • Infecções secundárias
  • Mortalidade, quando não tratada

Principais características da praga:

  • Ciclo de vida médio de 21 dias, mais longo em clima frio
  • Atividade reduzida em temperaturas próximas de 4 °C
  • Preferência por áreas com água, sombra e vegetação
  • Capacidade de deslocamento limitada: cerca de 3 km por dia

Dados do COPEG indicam que, no México, ferimentos umbilicais são a principal porta de entrada, seguidos por cortes, picadas e outras lesões — um lembrete claro de que manejo sanitário não é detalhe.


Transporte ilegal é o maior risco

O padrão recente de avanço da praga indica que o principal vetor não é o voo da mosca, mas sim o transporte irregular de animais.

Diante disso, o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) iniciou a dispersão preventiva de moscas estéreis no sudeste do Texas para bloquear qualquer tentativa de avanço.


Moscas estéreis seguem como principal barreira

A Técnica do Inseto Estéril continua sendo o pilar do controle da Bicheira do Novo Mundo na pecuária.

Capacidade atual e planejada:

  • Panamá: 100 milhões de pupas estéreis por semana
  • Nova unidade no Texas: 300 milhões/semana até 2027
  • Projeto EUA–México: 100 milhões/semana adicionais

👉 Meta combinada: 500 milhões de moscas estéreis por semana, número semelhante ao usado nas campanhas de erradicação dos anos 1990.


Defesa em camadas e vigilância constante

A estratégia sanitária se baseia em três pilares:

  1. Controles rigorosos de importação
  2. Monitoramento ativo e rastreabilidade
  3. Armadilhas posicionadas em áreas estratégicas

O sistema conta ainda com 400 veterinários federais e estaduais treinados. Desde junho:

  • Mais de 300 investigações sobre a praga
  • Nenhum caso detectado
  • 900 inspeções em peles e animais silvestres

Mesmo assim, a maior preocupação segue sendo a fauna silvestre, que pode atuar como hospedeira e dificultar o controle.


Impacto potencial e lição para o setor

O reforço das medidas deixa um recado claro: prevenção custa menos que correção.

A Bicheira do Novo Mundo na pecuária não provoca perdas automáticas em larga escala, mas falhas no manejo, no transporte e na vigilância podem acelerar sua disseminação e elevar drasticamente os custos sanitários.

Para o produtor, o caminho é direto:

  • Monitorar ferimentos
  • Reforçar o manejo sanitário
  • Cumprir protocolos de movimentação animal

Porque, na pecuária moderna, ignorar um detalhe sanitário pode sair mais caro do que qualquer insumo — e a mosca não perdoa descuido.

Imagem principal: Depositphotos.

Douglas Carreson

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