Diarreia em bezerros: O problema que ninguém conta
A diarreia em bezerros é uma das principais causas de perda na pecuária. Descubra como tratar e prevenir com técnicas práticas e eficazes.
Para Quem Tem Pressa
A diarreia em bezerros é a maior vilã da cria, causando mortes e prejuízos. O segredo do tratamento? Reidratação, correção metabólica e prevenção inteligente.
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Introdução
Se você cria gado de leite ou de corte, já sabe: a diarreia em bezerros é um pesadelo recorrente. Além do sofrimento animal, ela representa altos custos com medicamentos, perda de produtividade e até a morte precoce dos animais. Mas a boa notícia é que, com manejo correto e protocolos simples, é possível reduzir drasticamente o impacto desse problema.
Neste artigo, você vai aprender como identificar, tratar e prevenir a diarreia nos bezerros com base em práticas recomendadas por veterinários e produtores experientes.
1. Entendendo a diarreia em bezerros
A diarreia em bezerros não é uma doença única, mas sim um sintoma que pode ter múltiplas origens. Entre as causas mais comuns estão:
- Nutricionais: erros no preparo ou fornecimento do leite (temperatura incorreta, excesso de volume ou contaminação).
- Infecciosas: bactérias como Escherichia coli e Salmonella, vírus como rotavírus e coronavírus, além de protozoários como Cryptosporidium parvum.
- Ambientais: alojamentos úmidos, superlotados ou com acúmulo de fezes e urina aumentam muito o risco.
Cada caso pode ter um gatilho diferente, mas o resultado é sempre o mesmo: desidratação, perda de peso e queda no desempenho futuro do animal.
2. O tratamento começa com hidratação
A regra de ouro é simples: hidratar primeiro, tratar depois.
- Soro oral: em casos leves e moderados, o bezerro deve receber soluções com glicose, sódio, potássio e bicarbonato. Existem versões comerciais prontas, mas também é possível preparar fórmulas caseiras sob orientação técnica.
- Soro intravenoso: indicado quando o bezerro está muito fraco, deitado ou incapaz de mamar. Nesses casos, a reposição deve ser rápida e controlada, utilizando soluções como Ringer lactato ou NaCl 0,9%.
👉 Um erro comum é suspender o leite. Isso atrasa a recuperação e prejudica o desenvolvimento. O ideal é reduzir a quantidade por mamada e aumentar a frequência, garantindo aporte energético constante.
3. Corrigir a acidose metabólica
A diarreia provoca perda de bicarbonato e potássio, gerando acidose metabólica. Esse desequilíbrio deixa o animal sem apetite, fraco e muitas vezes incapaz de se levantar.
- Para corrigir, adicione bicarbonato de sódio no soro oral (5–10 g por litro).
- Em quadros graves, o cálculo da dose intravenosa deve ser feito considerando o peso do animal e o grau de desidratação, sempre com supervisão veterinária.
Essa correção é tão importante quanto a própria hidratação, pois permite que o bezerro volte a ter reflexo de sucção e consiga se recuperar mais rapidamente.
4. Uso de antibióticos: quando realmente usar
Nem toda diarreia em bezerros precisa de antibióticos. O uso inadequado não só aumenta os custos, como também favorece o desenvolvimento de bactérias resistentes.
Os antimicrobianos só devem ser considerados quando há sinais de:
- Febre persistente;
- Presença de sangue nas fezes;
- Sinais sistêmicos de septicemia, como articulações inchadas ou pneumonia associada.
Entre as opções estão enrofloxacina, ceftiofur e sulfa-trimetoprim. Porém, a prescrição deve sempre vir de um veterinário.
5. Manejo, prevenção e custos
Tratar é caro. Prevenir, além de mais barato, garante maior produtividade no futuro. Algumas práticas fundamentais:
- Colostragem de qualidade: o bezerro precisa ingerir colostro rico em anticorpos nas primeiras 6 horas de vida. Isso define sua imunidade inicial.
- Higiene rigorosa: baldes, mamadeiras e alojamentos devem ser limpos e desinfetados com frequência.
- Evitar superlotação: alta densidade de animais aumenta a transmissão de agentes causadores da diarreia.
- Vacinação preventiva das vacas prenhes: contra rotavírus, coronavírus e E. coli, transferindo anticorpos para o colostro.
💡 Pense na diarreia como um ladrão oportunista: se você deixa a porta aberta (instalações sujas, colostro de má qualidade), ele entra e leva embora a saúde do seu rebanho. Melhor trancar a porteira antes que o prejuízo bata à conta.
6. Impacto econômico e produtividade futura
Estudos mostram que bezerros que sofrem episódios de diarreia têm menor ganho de peso e, no caso das fêmeas leiteiras, podem produzir menos leite quando adultas. Ou seja, o prejuízo não é apenas imediato, mas também compromete o potencial produtivo futuro.
Investir em prevenção, portanto, não é custo: é estratégia de longo prazo. Uma vaca saudável e bem desenvolvida desde bezerra terá maior chance de atingir seu pico de produção e longevidade no rebanho.
Conclusão
A diarreia em bezerros é um dos maiores desafios da pecuária, mas não precisa ser encarada como uma fatalidade. Com atenção à hidratação, correção metabólica, manejo correto e medidas preventivas, o produtor pode reduzir drasticamente as perdas.
No fim das contas, cada litro de soro aplicado e cada cuidado preventivo representam investimento em produtividade e sustentabilidade. Afinal, um bezerro saudável hoje é a garantia de um rebanho mais forte amanhã.
Imagem principal: IA.

