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Fases da Pecuária de Corte: Do bezerro ao boi pronto com lucro e estratégia

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Entenda as fases da pecuária de corte — cria, recria e engorda — e saiba como otimizar cada etapa para alcançar mais eficiência e rentabilidade na fazenda.

Para Quem Tem Pressa

As fases da pecuária de corte — cria, recria e engorda — formam o ciclo que transforma o bezerro em boi pronto para o abate. Saber como cada etapa funciona é essencial para aumentar a produtividade, reduzir custos e manter a saúde do rebanho. Neste artigo, você vai entender o papel de cada fase, quanto tempo dura e como tirar o melhor de cada uma dentro da porteira.


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As Três Fases da Pecuária de Corte

A pecuária de corte é como a trajetória da vida humana: infância (cria), adolescência (recria) e vida adulta (engorda). Cada fase tem suas metas, desafios e estratégias específicas. Nem todas as fazendas executam o ciclo completo — algumas especializam-se em uma ou duas fases, enquanto outras integram o processo do nascimento ao abate, o chamado ciclo completo.


A Fase da Cria: O Início de Tudo

A fase da cria é o ponto de partida da pecuária de corte. Envolve as matrizes (fêmeas reprodutoras) e os touros (machos reprodutores), responsáveis pela geração dos bezerros. Nessa etapa, a genética e o manejo reprodutivo são fundamentais para garantir bezerros saudáveis, produtivos e com boa conversão alimentar.

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O nascimento ocorre após 9 meses de gestação (283 dias), e o bezerro é desmamado entre 5 e 7 meses de idade, geralmente pesando entre 150 e 180 kg — algo em torno de 5 a 6 arrobas.

A reprodução pode ocorrer o ano todo, mas muitas fazendas concentram o processo em um período chamado estação de monta, normalmente de outubro a janeiro, coincidindo com o período das chuvas. Isso garante boa oferta de forragem para as matrizes e reduz custos alimentares.

Com essa estratégia, os nascimentos acontecem entre julho e outubro, durante a estação seca, o que reduz a incidência de doenças e parasitas. O resultado é um planejamento mais eficiente e previsível, facilitando o manejo e a comercialização.

  • Concepção: de outubro a janeiro
  • Nascimento: de julho a outubro
  • Desmama: de fevereiro a maio

Ou seja, entre a concepção e a desmama passam-se cerca de 16 meses.

💡 Dica prática: o período de maior descarte de vacas ocorre após a estação de monta, quando são retiradas as fêmeas que não emprenharam. Já o pico de oferta de bezerros no mercado acontece entre fevereiro e maio, momento estratégico para negociar com melhor preço.


A Fase da Recria: O Crescimento e o Desenvolvimento

Depois da desmama, o animal entra na fase da recria, considerada a mais longa e uma das mais decisivas da pecuária de corte. É nesse momento que o bezerro desmamado, agora chamado de garrote, transforma alimento em peso de forma eficiente.

A recria termina quando o animal atinge entre 360 e 420 kg (12 a 14 arrobas) — momento em que passa a ser conhecido como boi magro.

O tempo de duração varia muito, dependendo da nutrição e do manejo. Pode durar de 18 a 36 meses, mas sistemas mais intensivos conseguem reduzir esse período para até 12 meses.

Como a recria é majoritariamente feita a pasto, a qualidade da forragem é o fator-chave. Boas pastagens, suplementação estratégica e manejo de pasto adequado resultam em ganhos de peso constantes e custo reduzido por arroba produzida — tornando esta a fase mais eficiente e econômica do ciclo.

  • Em um animal abatido aos 36 meses, a recria representa 69% da vida produtiva.
  • Aos 24 meses, esse percentual cai para 54%.
  • Já em sistemas intensivos, com abate aos 18 meses, a recria responde por 39% do tempo total.

Conclusão: Quanto mais eficiente for a recria, menor será a idade de abate e maior será a rentabilidade.


A Fase da Engorda (ou Terminação): O Final do Ciclo

A fase da engorda, também conhecida como terminação, é a reta final da pecuária de corte. Começa quando o animal atinge 360 a 420 kg e segue até o abate, com duração média de 90 a 120 dias.

O objetivo é levar o animal a 18 a 20 arrobas (540 a 600 kg) com 3 mm de gordura de cobertura, padrão exigido pelos frigoríficos.

Durante a terminação, a eficiência alimentar diminui — o animal passa a acumular mais gordura que músculo. Por isso, o manejo nutricional e o controle da dieta são essenciais para não elevar demais o custo de produção.

Existem dois principais sistemas de terminação:

  • A pasto: o volumoso vem do capim e o concentrado é fornecido no cocho.
  • Confinamento: o animal recebe no cocho toda a dieta, com volumoso e concentrado balanceados.

O confinamento permite maior controle, ganho rápido e previsibilidade, enquanto o pasto oferece menor custo e bem-estar animal. A escolha depende do objetivo econômico e da estrutura da fazenda.


O Impacto da Idade de Abate

Reduzir a idade de abate é um dos principais indicadores de eficiência na pecuária moderna. Segundo os dados ilustrados na Figura 2, quanto menor o tempo total de criação, maior é o aproveitamento dos recursos e a rentabilidade.

  • 36 meses: o animal passa mais tempo em recria e consome mais pasto.
  • 24 meses: equilíbrio entre tempo e custo.
  • 18 meses: ciclo intensivo, com alta eficiência alimentar e retorno mais rápido.

O segredo está em ajustar o manejo nutricional e genético para manter o ganho de peso diário sem comprometer a qualidade da carne.


Conclusão

Compreender as fases da pecuária de corte é essencial para qualquer produtor que busca eficiência, previsibilidade e lucro. Cada etapa — cria, recria e engorda — tem papel estratégico dentro do ciclo produtivo.

A integração dessas fases com tecnologia, genética e nutrição de precisão é o que separa uma pecuária tradicional de uma pecuária moderna, sustentável e altamente rentável. Afinal, do bezerro ao boi pronto, cada decisão dentro da porteira define o resultado no frigorífico — e no bolso do produtor.

Imagem Principal: IA.


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