Preço do bezerro supera soja e milho: Veja por que ele lidera o agro
O preço do bezerro atinge R$ 2.900 e acumula maior alta desde 2020. Entenda o novo ciclo da pecuária e o que esperar do mercado de reposição.
Para Quem Tem Pressa
O preço do bezerro ultrapassou os R$ 2.898 em Mato Grosso do Sul, acumulando a maior alta desde 2020. O movimento indica o início de um novo ciclo de valorização na pecuária, impulsionado pela menor oferta de animais e alta demanda. A relação de troca com o boi gordo está em níveis críticos, e especialistas alertam: é hora de planejar bem, proteger margens e aproveitar o momento com estratégia.
Facebook Portal Agron, nosso canal do Whatsapp Portal Agron, o Grupo do Whatsapp Portal Agron, e Telegram Portal Agron mantém você atualizado com as melhores matérias sobre o agronegócio brasileiro.
Acompanhe aqui todas as nossas cotações
Bezerro lidera valorização e impõe novo ritmo à pecuária
O preço do bezerro tem sido o protagonista do mercado agropecuário em 2025. No dia 4 de junho, o Indicador CEPEA/ESALQ atingiu R$ 2.898,79 em Mato Grosso do Sul, com alta diária de 0,78%. É a consolidação de uma tendência iniciada no segundo semestre de 2024 — e que agora se mostra como o possível início de um novo ciclo de alta na pecuária de corte.
De janeiro de 2020 até maio de 2025, a valorização do bezerro foi de 83,2%, superando amplamente o boi gordo (59,6%), a soja (52,0%) e o milho (43,5%). Nem mesmo o IGP-M acompanhou: o índice subiu 58,2% no mesmo período.
O que está por trás dessa alta histórica?
Segundo análise de Hyberville Neto, da HN Agro, o movimento de valorização está intimamente ligado ao longo ciclo de abate de fêmeas, que comprometeu a reposição e reduziu a oferta de bezerros no mercado. Isso criou um efeito dominó: menos animais disponíveis, preços subindo, e um ágio crescente sobre a arroba do boi gordo.
Já são 10 meses consecutivos de valorização. Mesmo com uma leve retração de 4,9% no boi gordo em maio (em São Paulo), o preço do bezerro seguiu em alta: +3,0% no mesmo mês. No acumulado de 12 meses, o bezerro subiu 40,7%, contra 36,5% do boi gordo. A mensagem do mercado é clara: a firmeza na reposição veio para ficar — pelo menos por enquanto.
Relação de troca: A conta que não fecha
Hoje, o recriador precisa de 9,1 arrobas de boi gordo para comprar um único bezerro. Isso representa um aumento de 8,3% em relação ao mês anterior, e 3,5% acima de maio de 2024.
Essa relação desfavorável pressiona margens e exige decisões mais técnicas e menos passionais. O uso de ferramentas de hedge, como contratos futuros e opções, pode ser o diferencial entre lucro e prejuízo — especialmente em confinamentos.
E agora, o que fazer?
Apesar dos preços elevados, analistas enxergam oportunidades. O estoque de arrobas formado agora pode se valorizar nos próximos ciclos, principalmente se a oferta continuar restrita e as exportações ganharem força.
Para o pecuarista atento, o momento é de equilíbrio: aproveitar a boa fase da cria sem comprometer o custo futuro da engorda. Investir com cautela, proteger margens e manter um bom planejamento são ações essenciais.
Como diz o ditado rural: “quem planta boi com pressa, colhe prejuízo”. Mas quem planeja, pode colher bons frutos — ou melhor, boas arrobas.
Conclusão
O preço do bezerro acima dos R$ 2.900 não é apenas um número. É um reflexo de um mercado em transição, que exige visão estratégica, gestão de risco e foco em resultados. A história mostra que quem entende os ciclos sai na frente. E esse novo ciclo está só começando.
Fonte: CEPEA, IMEA, diversos sites especializados, além de informações levantadas diretamente com fazendas, veterinários e zootecnistas atuantes no mercado pecuário.

