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Arroba do boi gordo despenca após recorde na exportação

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A cotação da arroba do boi gordo recuou com o esgotamento da cota chinesa e férias coletivas em frigoríficos. Descubra os preços e quando o mercado reage.

Para Quem Tem Pressa

O preço da arroba do boi gordo registrou quedas generalizadas nas principais praças pecuárias do Brasil no início do segundo semestre. O movimento de baixa foi desencadeado pelo esgotamento iminente da cota anual de exportação de carne bovina livre de tarifas para a China. Diante desse cenário, a indústria frigorífica reduziu os abates, abriu férias coletivas e ganhou poder de barganha. No entanto, consultorias de ponta como Safras & Mercado, Scot Consultoria e Radar Investimentos alertam que a pressão é temporária. A expectativa é de uma forte reação do mercado a partir de setembro, impulsionada pela preparação para a nova cota chinesa de 2027 e pela entressafra.

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Arroba do boi gordo recua após recorde nas exportações, mas mercado já enxerga reação pela frente

O ambiente de negócios para a pecuária de corte mudou drasticamente na transição para o segundo semestre. Após meses consecutivos de valorização, sustentada por uma demanda internacional aquecida, o ritmo das negociações desacelerou. O principal gatilho para essa inversão de tendência foi a proximidade do fim da cota anual que isenta a carne bovina brasileira de tarifas adicionais ao entrar no território chinês.

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Como resposta estratégica, os frigoríficos pisaram no freio nas compras de animais terminados e reduziram a capacidade de abate. Essa retração resultou em quedas expressivas no valor pago pela arroba do boi gordo nas principais regiões produtoras do país.


Exportações batem recorde histórico antes do freio chinês

O recuo nos preços ocorre paradoxalmente após o melhor desempenho exportador da história para um mês de junho. Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), compilados e analisados pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), revelam que o Brasil embarcou 279,7 mil toneladas de carne bovina in natura.

Esse volume representa um avanço expressivo na média diária de embarques, que atingiu 13,3 mil toneladas — uma alta de 16% quando comparada a junho de 2025, e um salto impressionante de 45% frente ao mesmo período de 2024.

Além do volume físico inédito, o faturamento foi impulsionado pelo preço médio da tonelada, que alcançou o ápice do ano ao ser negociada a US$ 6.537,55. No total, a receita mensal gerada somou cerca de US$ 1,82 bilhão. Especialistas apontam que esse pico ocorreu justamente porque os importadores asiáticos decidiram antecipar os recebimentos para garantir o teto da salvaguarda sem taxas extras. Para acompanhar outras análises de mercado detalhadas sobre o setor de proteínas, consulte o portal da Secretaria de Comércio Exterior (Secex).


Indústria adota férias coletivas e reduz abates

De acordo com o analista Fernando Iglesias, da consultoria Safras & Mercado, as indústrias operam agora em modo de ajuste fino. Sabendo que o volume direcionado à China minguará no terceiro trimestre devido às barreiras tarifárias temporárias, as plantas frigoríficas cortaram a produção e estipularam férias coletivas em diversas localidades.

Como a volatilidade marcou as dinâmicas comerciais do primeiro semestre, a recomendação da consultoria é clara: o pecuarista precisa adotar ferramentas de proteção de preços (como contratos futuros e opções) para blindar suas margens contra as oscilações da arroba do boi gordo.


Raio-X das cotações: as quedas nas principais praças

O movimento de desvalorização foi amplo e severo ao longo de junho. Levantamentos da Safras & Mercado apontam perdas consistentes nas referências estaduais:

  • São Paulo: R$ 335,00/@ (queda de 5,63%)
  • Goiânia (GO): R$ 320,00/@ (recuo de 3,03%)
  • Uberaba (MG): R$ 315,00/@ (baixa de 3,08%)
  • Dourados (MS): R$ 320,00/@ (retração de 8,57%)
  • Cuiabá (MT): R$ 330,00/@ (queda de 7,04%)
  • Vilhena (RO): R$ 320,00/@ (baixa de 4,48%)

Dados complementares da consultoria Agrifatto mostram que o viés de baixa persistiu nos primeiros dias de julho. A ociosidade nas indústrias aumentou e a busca por lotes seguiu restrita.


Mercado interno: Copa do Mundo não salva o atacado

Nem mesmo a realização da Copa do Mundo, período tradicionalmente associado ao aumento do consumo doméstico e reuniões sociais, conseguiu sustentar as cotações da carne nas plataformas de distribuição. O mercado atacadista registrou desvalorizações porque a proteína bovina perdeu competitividade frente ao frango, alternativa bem mais acessível ao bolso do consumidor.

No encerramento de junho, os preços praticados no atacado recuaram para:

  • Quarto dianteiro: R$ 21,00/kg
  • Cortes do traseiro: R$ 25,50/kg

Scot Consultoria e Radar Investimentos preveem recuperação

Apesar do cenário nebuloso para os meses de julho e agosto, o zootecnista Felipe Fabbri, da Scot Consultoria, projeta uma mudança drástica de cenário a partir de setembro. A virada deve ocorrer porque a indústria começará a montar estoques e posições estratégicas de olho na cota chinesa de 2027. Na virada do ano, os embarques serão novamente liberados da tarifa de 55%, o que tende a inflamar a disputa pela arroba do boi gordo.

Na primeira semana de julho, as cotações de balizamento em São Paulo fecharam em:

  • Boi gordo comum: R$ 333,00/@
  • Boi Padrão China: R$ 338,00/@
  • Vaca gorda: R$ 312,00/@
  • Novilha gorda: R$ 325,00/@

Essa visão de resiliência é compartilhada por Douglas Coelho, zootecnista da Radar Investimentos. Em participação no programa Mercado Pecuário, ele enfatizou que o impacto gerado pelo encerramento da cota atual será absorvido progressivamente pela cadeia produtiva. Elementos estruturais de peso — como a entrada plena na entressafra, a oferta controlada do confinamento e uma reação gradual do consumo interno — devem devolver a sustentação para a arroba do boi gordo no médio prazo. O produtor rural deve entender o momento atual como um ajuste técnico e de curto prazo, e não como uma derrocada estrutural.

Imagem principal: Depositphotos.


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