Agentes de controle biológico de pragas

O que são agentes de controle biológico de pragas e como agem na lavoura?

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O primeiro entendimento do controle biológico se deu com base nos inimigos naturais de alguns insetos-praga. A partir disso, estudos foram feitos acerca desse tema complexo e importante, buscando viabilizar a sua aplicação prática. Atualmente, o controle biológico se refere a um ou mais organismos que regulam a população de uma determinada espécie-praga.

O controle ideal dos insetos-praga deve adotar o Manejo Integrado de Pragas (MIP), isto é, um conjunto de ferramentas que visa controlar a espécie e não deixar que ela atinja o nível de dano econômico (NDE). Dentre tais ferramentas, encontra-se o controle biológico, cujo uso vem crescendo consideravelmente no meio agrícola. Existem diferentes classes de agentes: predadores, patógenos e parasitoides.

Predadores

Insetos de vida livre e com comportamento predatório (alimentando-se de outros insetos) são característicos dessa classe. Dentre esses inimigos naturais incluem-se tesourinhas, crisopídeos, moscas sifídeas, moscas dolicopodídeas, moscas asilídeas, besouros carabeídeos, vespas ou marimbondos, percevejos Orius, percevejos Geocoris, percevejos reduviídeos, percevejos pentatomídeos, ácaros predadores e aranhas (Silva, 2013).

Um exemplo típico dessa classe são as joaninhas, capazes de atacar diversos insetos-pragas e auxiliar no controle natural. Alimentam-se preferencialmente de pulgões, cochonilhas, ácaros, moscas-brancas, larvas e também de ovos de diferentes insetos (Silva, 2013).

Figura 1. Larvas (A-D) e pupa (E) de joaninhas (Coleoptera: Coccinellidae).

Patógenos

Basicamente são microrganismos que causam doenças em insetos-praga, levando-os à morte. Esses organismos entomopatogênicos podem ser fungos, vírus, bactérias, nematóides ou protozoários, todos passíveis de aplicação no controle de pragas.

Conforme Valicente (2009), diversos fungos são usados como ferramenta de controle biológico, incluindo Metarhizium anisopliae, Beauveria bassaiana e Nouniurae rileyi. Somado a isso, dentre os baculovírus destacam-se os nucleopoliedrovirus (VPN) e os granulovírus (VG). Já entre as bactérias entomopatogênicas podemos citar Bacillus thuringiensis, Bacillus sphaericus, entre outras.

Figura 2. Lagarta-da-soja (Anticarsia gemmatalis) infectada por baculovírus.

Fonte: Daniel R. Sosa-Gómez.

Parasitóides

Podem ser caracterizados como organismos que parasitam um hospedeiro e completam o seu ciclo de vida matando este hospedeiro. Em geral, os adultos são de vida livre, enquanto as larvas parasitam outros insetos; ou seja, além de oferecer alimento, o corpo do hospedeiro oferece abrigo até que o parasitoide se torne um adulto (Figura 3). Os principais exemplos são vespas e micro-vespas parasitoides, além de moscas taquinídeas (Silva, 2013).

Figura 3. Micro-vespa parasitoide da espécie Telenomus podisi.

Fonte: Koppert. Imagem original disponível em https://www.koppert.com.br/podisibug/

O controle biológico é um mercado em plena expansão no Brasil e no mundo, e a tendência é que esse crescimento mantenha-se, visto que o caminho da agricultura mundial está tomando rumos de uma produção sustentável. Somado a isso, a associação do controle químico com biológico tem demonstrando resultados relevantes.

O trabalho de Desenso (2017) demonstrou que a associação de clorpirifós com bioinseticidas à base de Bacillus thuringiensis e baculovírus proporcionou incremento significativo na taxa de mortalidade de H. armigera (independente da dose), quando comparado aos bioinseticidas sem mistura, evidenciando possível ação sinérgica. Além disso, Lima et al. (2020) demonstraram bom controle de mosca-branca com inseticidas químicos em associação com biológicos.

Nesse contexto, recomenda-se a utilização de inseticidas seletivos pensando na preservação dos inimigos naturais, já que esses agentes biológicos são organismos que trazem diversas vantagens para a agricultura como um todo. Dentre essas vantagens inclui-se a redução do número de aplicações com inseticidas químicos, reduzindo os custos de produção, além da proteção da biodiversidade e segurança alimentar. Somado a isso, o controle biológico reduz o risco de seleção de organismos resistentes.

Revisão: Henrique Pozebon, Mestrando PPGAgro  e Prof. Jonas Arnemann, PhD. e Coordenador do Grupo de Manejo e Genética de Pragas – UFSM

Referências:

Desenso, P.A.Z. Associação de inseticidas sintético e biológicos no manejo de Helicoverpa armigera (Hübner) (Lepidoptera: Noctuidae). Universidade Federal de Mato Grosso do Sul – Chapadão do Sul. Dissertação de mestrado. 24 de abril de 2017. Disponível em https://ppgagronomiacpcs.ufms.br/files/2018/01/Disserta%C3%A7%C3%A3o_Paulo-Augusto-Zucchi-Desenso.pdf.

Lima, D.T.; Fernandes, R.H.; Almeirda, D.P.; Rosa, V.C.S.; Freitas, B.V. Associação de inseticidas químicos e biológicos no controle de pragas na cultura da soja. Instituto de Ciência e Tecnologia Comigo (ITC). Anuário de Pesquisas – Agricultura. Volume 3, 2020.

Silva, A.C. Guia para o reconhecimento de inimigos naturais de pragas agrícolas. Embrapa, Brasília – DF, 2013. Disponível em https://ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/bitstream/item/90268/1/ALESSANDRA-2013-CARTILHA-GUIA-INIMIGOS-NATURAIS-IMPRESSAO02-AGOSTO2013.pdf

Valicente, F. H. Controle biológico de pragas com entomopatógenos. Informe Agropecuário, Belo Horizonte, v.30, n.251, p.48-55, jul./ago. 2009.

Fonte: Equipe Mais Soja. Por: Rodrigo Krammes. Imagem principal: Depositphotos.

Douglas Carreson

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