Abate em MT dispara em 2025 e muda o preço do boi gordo
O abate de bovinos em Mato Grosso bateu recorde em 2025, impulsionado por confinamento e demanda externa. Veja os números e impactos.
Para Quem Tem Pressa
O abate de bovinos em Mato Grosso atingiu um novo recorde em 2025, com aumento no volume de animais terminados, força do confinamento e maior participação de bovinos jovens no abate. A demanda externa por carne bovina e os sistemas de intensificação ajudaram MT a consolidar o maior volume abatido do país.
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Por que MT bateu recorde de abate e surpreendeu o setor
Mato Grosso segue provando, na prática, por que é um dos gigantes da pecuária nacional. Em 2025, o estado alcançou números expressivos no envio de bovinos para abate, consolidando uma alta relevante no volume total abatido e reforçando o protagonismo do setor pecuário na economia regional.
O dado que chama atenção é claro: o estado enviou para abate 607,93 mil cabeças em dez/25, ajudando a construir um cenário de recorde no ano. Somando todo o período, os abates em Mato Grosso chegaram a 7,46 milhões de cabeças em 2025, superando o volume do ano anterior e marcando um crescimento de 1,44% na comparação com 2024.
E se você acha que isso foi “só porque tinha mais boi”, pode até ser… mas tem muito mais estratégia por trás do que apenas quantidade.
O que impulsionou o crescimento do abate em 2025?
O aumento do volume não aconteceu por acaso. O estado vem avançando em sistemas produtivos que garantem mais eficiência e melhor previsibilidade na entrega de animais prontos.
Entre os fatores mais importantes, estão:
Maior oferta de animais terminados
O crescimento foi impulsionado pela maior disponibilidade de bovinos terminados, principalmente em sistemas intensivos como:
- confinamento
- semi-confinamento
- TIP (Terminação Intensiva a Pasto)
Esses modelos aceleram o ganho de peso e permitem maior controle sobre o ciclo produtivo, contribuindo para que o estado mantenha ritmo constante de abate ao longo do ano.
Em outras palavras: o boi não esperou “a pastagem melhorar”. Ele foi direto para o sistema intensivo — e depois, para o frigorífico.
A demanda externa por carne bovina também fez diferença
Outro ponto que pesou bastante foi a demanda internacional. Com exportações aquecidas e o mercado global buscando proteína bovina, aumentou o estímulo para manter o fluxo de abate em alta.
A lógica é simples: quando o mundo compra mais carne, a indústria precisa de matéria-prima. E quando a indústria chama, Mato Grosso atende.
Isso ajuda a explicar por que o estado se consolidou como o maior volume enviado para o gancho pelo Indea-MT, reforçando sua relevância no abastecimento do mercado interno e nas exportações brasileiras.
Bovinos jovens ganham espaço: O que isso significa?
Um dos destaques mais relevantes de 2025 foi o crescimento no envio de animais jovens (machos e fêmeas com até 24 meses) para as indústrias.
O volume de bovinos jovens enviados ao abate chegou a 3,22 milhões de cabeças, com crescimento de 17,55% em relação a 2024.
Isso é um sinal claro de que a pecuária está ficando mais eficiente.
Por que abater mais animais jovens é estratégico?
Porque, na prática, significa:
- melhor desempenho produtivo
- giro mais rápido do capital
- maior padronização de carcaça
- resposta mais ágil ao mercado
- mais eficiência na fazenda e na indústria
E vamos combinar: “boi jovem” virou quase o novo “modelete” da pecuária — todo mundo quer, porque entrega resultado.
Participação por idade no abate: Mudança importante em 2025
Os dados mostram que houve alteração na composição etária dos bovinos abatidos.
Em 2025, a participação de bovinos jovens no total abatido foi de 43,24%, com incremento de 5,93 pontos percentuais na comparação com o mesmo período do ano anterior.
Isso é um sinal direto de que o estado não está apenas abatendo mais — está abatendo com perfil mais moderno, voltado para animais mais precoces e com produção intensificada.
E o que acontece com os animais mais velhos?
Eles continuam presentes, mas a tendência é que percam participação relativa quando a pecuária melhora o desempenho e consegue terminar animais mais cedo.
Ou seja: o boi está “formando mais rápido”.
O papel do confinamento e da intensificação no recorde
Se existe um motor silencioso por trás desse avanço, ele se chama intensificação. Sistemas como confinamento e TIP têm crescido justamente porque ajudam o produtor a resolver vários gargalos ao mesmo tempo:
Benefícios diretos da intensificação:
- maior produção por hectare
- menor dependência do clima
- melhor padronização dos lotes
- planejamento de venda mais eficiente
- possibilidade de aproveitar melhor a janela de mercado
Além disso, em um cenário onde custos de produção e exigências de mercado aumentam, produzir com eficiência deixa de ser diferencial e vira sobrevivência.
Impactos para o produtor rural: O que muda na prática?
O recorde do abate em MT não é apenas um número bonito para relatório. Ele influencia decisões dentro da porteira.
1) Mais previsibilidade de mercado
Com maior capacidade de entrega e indústria operando forte, o produtor pode planejar melhor o momento de venda.
2) Pressão (ou oportunidade) no preço do boi
Quando há muita oferta de animais terminados, pode ocorrer pressão de baixa nas cotações em alguns momentos. Por outro lado, quem consegue padronizar e entregar animais jovens e bem acabados costuma negociar melhor.
3) Necessidade de gestão mais técnica
Com a intensificação crescendo, aumenta a demanda por:
- planejamento nutricional
- controle de custos
- eficiência alimentar
- gestão de risco e compra de insumos
- estratégia comercial mais agressiva
Hoje, quem trata a fazenda como empresa normalmente sai na frente.
O que esse cenário sinaliza para 2026?
A tendência é que Mato Grosso siga como referência nacional em volume e eficiência no abate, principalmente se:
- a exportação continuar firme
- a indústria mantiver escala
- o produtor seguir investindo em tecnologia
- houver manutenção da oferta de animais prontos
Além disso, o crescimento da participação de animais jovens reforça uma pecuária mais moderna e orientada ao desempenho, o que pode elevar o padrão da produção nos próximos anos.
Ou seja: MT não está só crescendo — está “crescendo com qualidade”.
Conclusão
O recorde de 2025 deixa claro que Mato Grosso não apenas manteve sua força na pecuária, como também avançou em eficiência e estratégia produtiva. O aumento no volume abatido, impulsionado pela oferta de animais terminados e pela intensificação via confinamento, semi-confinamento e TIP, mostra um setor cada vez mais preparado para responder às exigências da indústria e do mercado internacional.
Além disso, a maior participação de bovinos jovens no abate confirma uma tendência importante: a pecuária mato-grossense está “encurtando o ciclo”, girando capital mais rápido e entregando carcaças mais padronizadas — algo que melhora a competitividade do estado dentro e fora do Brasil.
No fim das contas, o cenário aponta para uma pecuária mais profissional, tecnológica e voltada para resultados. E se 2025 foi um ano de consolidação, o recado para 2026 é direto: quem investir em eficiência, planejamento e precocidade vai continuar liderando o jogo.
Imagem principal: IA.

