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Qual o futuro do sindicalismo? A dor da dúvida.

 

 

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E tem futuro? Essa resposta, em forma de pergunta, aparece recorrentemente nos debates sobre os desafios que o movimento sindical enfrenta. A resposta-pergunta carrega um misto de angústia, ansiedade, perplexidade, incerteza e desânimo. Muitos estão deprimidos!

A angustia dói no peito e traz um cansaço mental e físico que decorre da quantidade e da complexidade dos problemas. Há uma sensação de tragédia e de impotência diante da necessidade de fazer algo.

Sensação de estômago vazio e coração acelerado, a ansiedade carrega o medo do que vem pela frente, porque não se sabe o que é que vem. Há dúvida sobre qual decisão tomar, de que maneira enfrentar e resolver cada um dos problemas. Incerteza diante da complexidade dos fenômenos e das dificuldades de encontrar saídas ou soluções.

Desânimo, falta de vontade para enfrentar o problema, ausência de coragem para encarar o desafio! Somos muitos aqueles que compartilham essas dores.

Essa situação anímica decorre dos problemas enfrentados pelos sindicatos, da crise econômica, do desemprego, das mudanças no mundo do trabalho, dos graves problemas políticos vividos pelo país. A lista segue longa, a tal ponto que um “oi, tudo bem?” tornou-se uma saudação estranha. Melhor cumprimentar dizendo “como vai?” e esperar, como resposta, um silêncio sepulcral.

E tem futuro?

O futuro do sindicalismo será decorrente daquilo que acontecerá no mundo do trabalho, da maneira como o sistema produtivo se organizará, da forma como as tecnologias serão usadas, de como a riqueza será distribuída, assim como dependerá das respostas que os trabalhadores darão às inúmeras questões colocadas.

Os sentimentos expressam, em cada um de nós, o grau da adversidade. A superação requer cuidados individuais e coletivos. Como diz o poeta, é preciso manter a coluna ereta, a mente aberta e o coração tranquilo.

A análise da complexidade da situação será um trabalho meticuloso, contínuo e cumulativo, cuja qualidade será incrementada se houver capacidade para compartilhar os resultados, se tempo for dedicado para ouvir e atenção dispensada para olhar e ver.

As soluções exigirão o desenho de novos projetos e a elaboração de novas estratégias de construção, trabalho a ser feito por muitas cabeças e mãos.

Para que o futuro se coloque como possibilidade de construção será preciso desgrudar do passado, abrir-se para novas possibilidades, imaginar o inédito, tecer redes, construir alianças, colar o que quebrou e cimentar o que trincou. O futuro é inédito, não existe ainda, e pode ser engravidado pela utopia daqueles que lutam para construir socialmente aquilo que ainda não existe.

*Clemente Ganz Lúcio é  Sociólogo, diretor técnico do DIEESE, membro do CDES – Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social e do Grupo Reindustrialização 

 

Vervi Assessoria

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