O aumento da captação, aliado à queda no consumo e às importações de leite em pó, são fatores que impactam negativamente nos valores pagos aos pecuaristas de Minas Gerais. De acordo com o levantamento do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), foi verificada queda expressiva de 12,62% nos preços do leite em novembro, referente à produção entregue em outubro. O litro foi cotado, na média líquida, a R$ 1,25. Para o próximo mês, a expectativa é de nova retração.
O valor bruto ficou em R$ 1,36 por litro, retração de 11,76%. O levantamento do Cepea mostrou que a captação de leite em Minas Gerais cresceu 3,5%. De acordo com o coordenador estadual de bovinocultura da Emater (Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais), Feliciano Nogueira, o preço do leite pago ao produtor está em queda, assim como nos demais estados produtores. Ele atribui parte da desvalorização ao ciclo natural da produção. As chuvas mais frequentes promovem a recuperação das pastagens e estimulam o aumento da produção. “Outros fatores são o aumento da importação de leite e a reidratação do leite em pó importado. Estamos em uma situação natural de aumento da produção no campo e também nos laticínios, e as ações de importar e reidratar acabam agravando, ainda mais, o cenário, no qual já era esperada queda de preços”.
Segundo os dados do Cepea, assim como em Minas Gerais, na média Brasil o preço médio recebido pelo produtor em novembro foi de R$ 1,23 por litro, forte baixa de 11,7% ou de 16 centavos por litro em relação a outubro. O preço bruto médio do leite (que inclui frete e impostos) caiu 10,9% de outubro para novembro, passando para R$ 1,34 por litro. As médias calculadas pelo Cepea são ponderadas pelo volume captado em outubro nos estados de Goiás, Minas Gerais, Paraná, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo e Bahia. De setembro para outubro, o Índice de Captação de Leite do Cepea (Icap-L/Cepea) teve ligeira alta de 0,08%.
De acordo com a zootecnista e analista de mercados da Scot Consultoria, Juliana Pila, apesar do aumento da captação nos últimos meses, a produção acumulada no ano ainda está menor em relação a 2015, ano que também apresentou queda no volume de leite. “Vale destacar que a produção está aumentando em ritmo lento e vem se mantendo abaixo do volume de 2015. Percebemos que o mercado não está com oferta elevada do leite local, mas o aumento significativo das importações vem abastecendo e prejudicando a formação de preços aos produtores”.
Com os preços em baixa, a situação dos pecuaristas é desfavorável, já que não houve queda nos custos com os insumos.
Gestão – “Os custos continuam elevados principalmente dos medicamentos, ração e mão de obra. Esta situação torna difícil até mesmo o trabalho da assistência técnica. Tentamos chamar a atenção do produtor para investir na gestão e ficamos sem argumentos porque ele faz toda a gestão da atividade e na hora que coloca o leite no mercado enfrenta uma queda ampla do preço leite”, disse o coordenador da Emater-MG, Feliciano Nogueira.
A indicação de Nogueira é que em tempos de preços baixos, os pecuaristas de Minas busquem o máximo de eficiência em cada item da fazenda. “É preciso utilizar da melhor forma possível todos os recursos disponíveis e manter a gestão bem controlada, já que propicia melhor condição de enfrentar desafios como os de agora”, explicou Nogueira.
Para dezembro, com o avanço da safra, laticínios e cooperativas consultados pelo Cepea apontam para nova queda nos preços do leite. A maioria dos entrevistados (94%) indica que os valores devem cair novamente. Outros agentes (6%) acreditam em estabilidade.
Regiões
A desvalorização do preço do leite foi verificada em todas as regiões pesquisadas de Minas Gerais. Na Zona da Mata o preço líquido do leite caiu 9,11% e foi negociado a R$ 1,23, em média.
No Triângulo e Alto Paranaíba, os pecuaristas receberam R$ 1,30 pelo litro, com o valor líquido recuando expressivos 13,27%. Na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), o litro de leite foi negociado a R$ 1,17, com queda de 17,68% na média líquida. Já no Sul e Sudoeste a queda foi de 8,03% no valor líquido, que atingiu R$ 1,27 por litro. No Vale do Rio Doce foi verificada retração de 20,94%, com o pecuarista recebendo, na média líquida, R$ 1,12 pelo litro do leite.
Fonte: Diário do Comércio.
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