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Bloqueios em Mato Grosso interrompem fluxo no Pará

Transportadoras do estado ao Norte seguram veículos no pátio por não ter como carregar soja em lavouras vizinhas.

A paralisação dos caminhoneiros em Mato Grosso está interrompendo o fluxo de cargas no Pará. A equipe do Caminhos da Safra está no estado e conferiu que nas transportadoras localizadas em Novo Progresso, município que fica a pouco mais de 300 quilômetros da divisa com Mato Grosso, a ordem é manter os caminhões na base das empresas, pela impossibilidade de carregar soja no estado vizinho. Os grãos colhidos em lavouras mato-grossenses abastecem os terminais portuários ao extremo Norte do país.

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“Mesmo livre para o norte de Mato Grosso, não adianta mandar caminhão porque não temos como buscar a carga [nas fazendas]”, afirma Celso Ricardo Martins Calé, gerente da Transportadora Batista Duarte. A empresa tem uma frota de 300 caminhões  e, em períodos de pico de safra, costuma liberar até 35 veículos por dia para abastecer os portos de Santarém e Miritituba.

“Se eu liberar um motorista daqui para ficar na Serra do Cachimbo (PA) sem ter como carregar, melhor ficar nas bases esperando”, reforça José Berttony Martins Reis, gerente operacional de um posto administrado em conjunto pelas empresas Martelli e Transoeste. Em pico de safra, ele costuma liberar de 90 a 110 carretas por dia considerando as duas empresas.

As exportações de grãos pelos portos do Pará dependem totalmente do transporte rodoviário. Parte das cargas é transportada diretamente até o porto de Santarém, a mais 1.000 quilômetros de Mato Grosso, e uma outra  segue pela hidrovia do rio Tapajós. A operação de transbordo de caminhão para barcaças ocorre em Miritituba, a 700 quilômetros da divisa com o Estado do Centro-Oeste. Dali, os flutuantes seguem para Santarém ou para o complexo de Belém.

As manifestações dos motoristas chegaram ao município de Guarantã do Norte, último município ao Norte mato-grossense. Caminhoneiros bloquearam o tráfego na divisa e também em Diamantino, Lucas do Rio Verde, Nova Mutum, Sinop, Sorriso, e Rondonópolis. O protesto está concentrado na BR-163, principal eixo de transporte de commodities agrícolas do Centro-Oeste brasileiro.

Tabelamento

A principal reivindicação dos caminhoneiros é o estabelecimento de uma tabela com preços mínimos de frete. Nesta quarta-feira (22/4), representantes da categoria se reuniram com o governo, mas as discussões terminaram sem acordo. Nos últimos dias, a movimentação de grãos rumo ao norte do país, pela BR-163, tem sido menos intenso em função do impasse dos transportadores com o governo e as manifestações.

Calé defende a tabela de preços mínimos para os fretes de grãos como forma de evitar pressões sobre os custos dos transportadores. De acordo com o gerente, atualmente, os valores têm sido definidos por “apenas quatro ou cinco empresas”, que, “pagam o que querem”. “Se não sair essa tabela mínima pelo menos para o grão em todo o Brasil, o setor está quebrado”, afirma.

“Hoje é R$ 150, amanhã é R$ 140. A gente fica à mercê das tradings. Não temos opção e precisamos cobrir os custos que nós temos”, acrescenta Berttony. “Com o caminhão parado, só aumenta o prejuízo”.

Fonte: Globo Rural.

Equipe Agron

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