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Ipea sugere prioridade para a agroindústria

Estudo mostra que poder multiplicador do segmento sobre os bens da agropecuária é de dez vezes nos Estados Unidos e de apenas três vezes no Brasil.

 

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Em 1968, a participação da agroindústria no valor da produção da indústria de transformação brasileira era de 26%, e, desde 1995, está em 22%. Investir neste setor de modo que ele retome a importância do início dos anos 1970 é uma das ideias defendidas pelo pesquisador Gesmar Rosa dos Santos, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), no estudo “Agroindústria no Brasil: um olhar sobre indicadores de porte e expansão regional”, divulgado ontem.

 

Segundo o estudo, o poder multiplicador da agroindústria sobre o valor dos bens da agropecuária chega a dez vezes em países como os Estados Unidos e, no Brasil, está em torno de três. “Isso indica um enorme espaço a preencher e significa grande oportunidade econômica e social para o País, principalmente devido ao aumento da demanda mundial por produtos da agroindústria”, afirma.

 

Para aumentar essa participação, Santos sugere algumas medidas que dependem da iniciativa privada e do apoio governamental. “Precisamos fabricar mais defensivos, fertilizantes e equipamentos para maquinário”, declara. Outra ação importante, segundo ele, é o governo incentivar a inovação entre pequenos e médios produtores. “Do contrário, os grandes tomam conta e muitas vezes com baixa agregação de valor”, explica.

 

No estudo, o pesquisador lembra que a composição agropecuária-agroindústria responde por 22% do produto interno bruto (PIB) do Brasil, sendo uma importante geradora de postos de trabalho: 16 milhões de vagas. “Somada aos contínuos saldos positivos na balança comercial (acima de R$ 70 bilhões por ano), a agroindústria tem o porte dos setores de petróleo e gás e automobilístico, os maiores do País”, diz ele.

 

Separada da produção no campo, a agroindústria empregou 3,2 milhões de pessoas em 2012, o que representou 34% de todos os empregos da indústria de transformação no País, naquele ano. “O Brasil deveria focar nesta atividade produtiva, tornando-a a primeira do mundo, visto que retoma concepção dos anos 1970”, afirma.

 

Ao concluir o trabalho, o pesquisador diz ter ficado surpreso pela média salarial paga pela agroindústria. “Em alguns estados, ela chega a pagar mais que a média da indústria de transformação como um todo”, conta. É o caso do Paraná, onde a média da remuneração na indústria de transformação é de 2,9 salários mínimos e, na indústria de alimentos, de 3,3 salários mínimos.

 

Para ele, o governo deveria dar mais atenção ao segmento, investindo em seu desenvolvimento produtivo e em inovação, e ofertando melhores condições de financiamento de modo a atrair mais empreendedores.

 

Segundo o estudo, das 483.058 indústrias de transformação existentes no País, 136.138 são agroindústria, ou 28%.

 

Autor: Nelson Bortolin. Fonte: Folha Web.

Equipe Agron

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