Cobertura original da Mata Atlântica do Brasil

Hoje, só restam 8,5% da cobertura original da Mata Atlântica no País. Bioma ainda abriga 20 mil espécies de plantas, sendo 8 mil endêmicas.

 

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“A história da devastação da Mata Atlântica é a história do Brasil”, alerta Marcia Hirota, diretora de Gestão do Conhecimento da Fundação SOS Mata Atlântica. De acordo com dados da organização, hoje, o bioma tem apenas 12,5% de sua área original preservadas. Apesar dessa extensão, a Mata Atlântica ainda é um dos biomas mais ricos do mundo, superando a América do Norte e a Europa em número de espécies vegetais.

 

Uma das principais características da Mata Atlântica é sua diversidade. Sua área original se estende por 17 estados, desde o Piauí até o Rio Grande do Sul, alcançando partes do Paraguai e da Argentina. Ainda hoje, apesar de apenas uma pequena parte de sua extensão estar preservada, o bioma ainda tem uma grande biodiversidade, abrigando 270 espécies de mamíferos, 992 de aves, 197 de répteis, 372 de anfíbios e 350 de peixes descritas. A riqueza vegetal é ainda maior. Pesquisadores cadastraram 20 mil espécies vegetais, sendo 8 mil endêmicas – isso é, só são encontradas na Mata Atlântica. Para se ter uma ideia da diversidade, em toda América do Norte, são encontradas 17 mil espécies vegetais. Em toda Europa, são “apenas” 12,5 mil.

 

Tamanha diversidade está espalhada em diversos ambientes diferentes. A Mata Atlântica engloba áreas de manguezais no litoral, além de matas fechadas, como as vistas na Serra do Mar (SP). No interior, é caracterizada por uma vegetação adaptada a climas mais secos. A Mata Atlântica abriga sete bacias hidrográficas do país, além de ser o habitat de diversas espécies de plantas medicinais como avenca (expectorante), sabugueiro (combate a tosse) e aroeira (digestiva e cicatrizante), além de frutos como jabuticaba, goiaba, caju e pitanga.

 

Tão grande quanto a biodiversidade é a lista de ameaças à Mata Atlântica. “Por se estender por um território tão grande, diversos fatores colocam o bioma em risco, em diferentes regiões do Brasil”, comenta Marcia. Atualmente, as maiores ameaças estão relativas à expansão mobiliária, além de construção de hidrelétricas e industrialização.

 

Os riscos enfrentados pela Mata Atlântica se estendem ao longo da história do Brasil. A exploração do bioma se iniciou ainda nos primeiros anos de colonização, com a extração desenfreada do pau-brasil. As plantações de cana-de-açúcar e café, especialmente no sudeste do país, colaboraram para o desmatamento. O ciclo da mineração e a agropecuária são outros fatores que ajudaram a desmatar a Mata Atlântica.

 

“Entre 2000 e 2011, o ritmo do desmatamento estava estagnado. A partir de 2011, ele teve um crescimento de 29%”, alerta Hirota. Apesar de ter o maior território coberto pela Mata Atlântica, Minas Gerais foi o estado com o maior desmatamento, por conta da produção de carvão vegetal e da plantação de eucalipto. Atualmente, 12,5% da cobertura original estão preservados, e apenas 8,5% está concentrado em faixas com mais de 100 hectares.

 

Em 2006, o Governo Federal sancionou a Lei da Mata Atlântica, fazendo desse o único bioma brasileiro protegido por uma legislação específica. “A lei regula a forma como a Mata Atlântica pode ser explorada, com o objetivo de ter o menor impacto ambiental possível”, comenta Marcia.

 

Além de estabelecer diretrizes de proteção e reflorestamento da Mata Atlântica, a lei tenta garantir a preservação do bioma, desde regulando como deverão ser autorizadas obras na floresta, até o desenvolvimento social em bases sustentáveis. Apesar de abrangente, a fiscalização da lei esbarra na falta de pessoal para fazer a fiscalização.

 

“Na medida em que a maior parte da população brasileira vive na Mata Atlântica, a fiscalização é ineficiente”, comenta Marcia. Por isso, é importante que a população ajude a fiscalizar eventuais abusos na Mata Atlântica, procurando os órgãos responsáveis para fazer as denúncias. “Em áreas de preservação nacional, o órgão responsável é o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama). Já em reservas estaduais ou municipais, quem cuida da fiscalização é a Polícia Florestal e outros órgãos locais”, conta Marcia.

 

Fonte: GLOBO ECOLOGIA.

Equipe Agron

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