Categories: Ciência e Tecnologia

Inovações para fortalecer alimentação sustentável

Cientistas de 21 instituições de 13 países apontam inovações para fortalecer alimentação sustentável.

Estudo, publicado na revista científica Nature Food, contou com a participação do pesquisador brasileiro Maurício Lopes, ex-presidente da Embrapa.

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A revista científica Nature Food acaba de publicar, em sua última edição, o artigo “A inovação pode acelerar a transição para um sistema alimentar sustentável”. O estudo envolveu 48 cientistas de 21 instituições de 13 países de diferentes continentes, incluindo o pesquisador Maurício Antônio Lopes, da Embrapa Agroenergia (Brasília, DF) – o único brasileiro.

Os autores investigaram 75 tecnologias emergentes, capazes de transformar nossos sistemas alimentares, ecossistemas e a saúde humana nas próximas décadas. Eles identificaram um arsenal de inovações altamente promissoras, muitas delas prontas ou quase prontas, e discutem o que é necessário para torná-las realidade.

A Nature Food é um periódico científico online mensal vinculado à revista Nature. Ela publica pesquisas sobre o tema dos alimentos, cruzando as disciplinas da pesquisa relacionada a alimentos nas ciências naturais, aplicadas e sociais.

8 fatores para estimular o potencial

A pesquisa foi feita buscando contribuir para o processo de transformação dos sistemas alimentares. Ela fornece informações sobre as tecnologias emergentes e sobre necessidades para acelerar as mudanças sistêmicas na direção da sustentabilidade. Ao final,os autores propõem oito fatores que podem estimular o potencial transformador da nova geração de tecnologias, acelerando a transição para sistemas alimentares mais sustentáveis. Os fatores são proteção contra efeitos indesejáveis, garantia de financiamento estável, construir confiança, desenvolver caminhos de transição, transformar mentalidades, ativar licença social, mudar políticas e regulamentos, projetar incentivos de mercado.

Até o momento, as pesquisas sobre o futuro de nossos sistemas alimentares se concentraram na maneira como a tecnologia pode ser usada para fazer melhorias incrementais no desempenho do sistema alimentar existente. O novo estudo vai além. Explica Maurício Lopes: “ele se baseia no fato de que que a simples melhoria incremental contínua – como pequenos aumentos nas produções de lavouras, criações e indústrias – não será suficiente para tornar os sistemas alimentares globais capazes de alimentar a crescente população mundial de maneira sustentável. Em vez disso, será necessária uma transformação radical do sistema alimentar.”

Maurício Lopes diz que “dentre as tecnologias investigadas estão não apenas as que contribuem para alcance dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) – ação climática, redução do impacto ambiental, redução da pobreza e alimentação saudável – mas também várias alternativas que podem ser adaptadas a uma variedade de contextos institucionais e políticos”.

Tecnologia não é suficiente

O “pipeline” de tecnologias avaliadas é diversificado e abrange toda a cadeia de valor dos alimentos, da produção ao processamento, consumo e gerenciamento de resíduos. “Com algumas delas nós já estamos familiarizados, como drones, impressão 3D e agricultura vertical. Outras exigem um maior exercício da nossa ousadia e imaginação, como cereais fixadores de nitrogênio que não precisam de fertilizantes sintéticos, ou rações para animais produzidas a partir de dejetos humanos, ou ainda insumos biológicos, edição de genomas, biologia sintética e amplo uso de robótica e automação inteligente nas fazendas”, explica o pesquisador da Embrapa.

Embora o estudo se concentre no potencial transformador das tecnologias, os autores reconhecem que a tecnologia por si só não é suficiente para transformar os sistemas alimentares. Eles afirmam que a transparência será essencial para a proteção contra impactos sociais e ambientais negativos não intencionais, e políticas e regulamentos adequados serão necessários para criar incentivos à mudança e garantir que os benefícios das inovações tecnológicas sejam distribuídos de maneira justa.

O estudo conclui que acelerar a transição dos sistemas alimentares para estados positivos e desejados dependerá de mais diálogo da ciência com a sociedade. Dos oito elementos identificados, pelo menos cinco giram em torno da construção de confiança, mudança de mentalidade, habilitação da licença social, desenvolvimento de caminhos de transição e proteção contra efeitos indesejáveis.

O sucesso de todas essas ações significaria melhores resultados em saúde, geração de riqueza e proteção do meio ambiente; “o fracasso resultará em muito mais do que a falta de alimentos”, conclui o estudo.

FONTE: DATAGRO.

Douglas Carreson

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Douglas Carreson

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