Categories: Ciência e Tecnologia

Pandemia vai acelerar digitalização dos produtores

Para o especialista em agronegócio da ESPM, algumas áreas do setor deverão se adaptar ao consumo controlado da sociedade em um cenário de crise.

O coordenador do Núcleo de Agronegócios da ESPM, Ernani Carvalho da Costa Neto, acredita que dois fenômenos mudarão de forma estrutural a produção agropecuária brasileira no pós-covid. A primeira é uma adaptação às mudanças nos hábitos de consumo. A segunda é a adoção mais veloz da tecnologia, levando à agricultura 4.0.

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No processo de adaptação, Ernani cita fornecedores que trabalham — exclusiva ou majoritariamente — com clientes do chamado food service, formado por redes de comida rápida, bares e restaurantes. Hoje fechados, esses negócios podem ser duramente afetados pela recessão econômica prevista para o país em 2020. “O produtor terá que, muito provavelmente, diversificar a cadeia de distribuição. Alternativas são a venda direta para o consumidor, para supermercados ou para a exportação”, diz. “A conjuntura levará a ajustes que podem exigir mais profissionalização e mais domínio de áreas como a logística e o marketing.”

A pandemia também deverá forçar produtores mais conservadores a adotar ferramentas tecnológicas. “Historicamente, há uma preferência pelo contato presencial nas negociações do campo”, afirma Ernani. “A tendência é que cada vez mais produtores busquem formas não presenciais de se relacionar com o mercado.” Atualmente, existem inúmeras ferramentas tecnológicas disponíveis no mercado para facilitar a vida do produtor, desde a gestão dos negócios até o monitoramento de dados, que podem ajudar na produtividade e na diminuição de riscos.

O agro salva a economia, mais uma vez

Apesar dos problemas econômicos que a pandemia da COVID-19 legará ao País, o agronegócio brasileiro será relativamente menos afetado pela crise. Ainda que tenha reduzido a estimativa de expansão do PIB agropecuário para 2020, o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) prevê um crescimento de 2,4% em 2020.

Mesmo que ocorra uma queda na demanda mundial, a vantagem da alta do dólar leva o Brasil a ser mais competitivo em relação a concorrentes como os Estados Unidos. O especialista avalia que, na hipótese da continuidade de alta na moeda americana, uma maior escolha por produtos brasileiros pelo mercado externo vai acelerar novos processos de negócios que normalmente levariam anos para serem implementados.

FONTE: DATAGRO.

Cristina Crispa

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