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Dermatofilose e seus desafios no campo

A doença é causada pela bactéria Dermatophilus Congolensis. Resultará em um tratamento eficaz a identificação precoce da doença.

Não há nenhuma dúvida sobre o real potencial das atividades que contemplam a agropecuária, especificamente a produção de proteína vermelha de qualidade.

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Porém também sabemos que nesse caminho encontraremos algumas barreiras que dificultaram a produção desse nobre alimento. Diante dessa realidade no campo, nosso trabalho é monitorar, avaliar e implantar ações que aperfeiçoem os animais nos aspectos sanitário, genético, manejo e nutricional, para que assim, a atividade se torne rentável e que, sobretudo, seja respeitado o bem estar dos animais e o meio ambiente.

A dermatofilose, conhecida também como estreptomicose cutânea, é causada pela bactéria Dermatophilus Congolensis, uma bactéria Gram positiva extremamente resistente e muito oportunista, acometendo os mamíferos, inclusive os ruminantes e os equídeos, principalmente quando o seu sistema de defesa está debilitado.

Sua primeira descrição foi feita em 1915 no antigo Congo Belga, hoje República Democrática do Congo. Na África, sua distribuição está associada também nos animais selvagens e que muitos desses animais possuem a forma assintomática (não manifestam os sinais clínicos) e certamente essa forma facilita a disseminação, pois esses animais assintomáticos servem como reservatórios da doença.

Essa bactéria está distribuída praticamente em todo o mundo, com prevalência nas regiões dos trópicos e alguns fatores como: alta umidade, alta temperatura, períodos intensos de chuvas e a existência de ectoparasitas que modificam as barreiras naturais da pele, influenciam o desenvolvimento, prevalência, incidência e na transmissão da dermatofilose. Muitos autores ainda citam o potencial zoonótico, portanto se deve considerar como risco sua infecção no homem.

Os sinais clínicos evidentes da doença é a formação de crostas nas regiões da cabeça, pescoço, lombo e costelas. Após a instalação da doença, é visto emagrecimento e deficiência reprodutiva. A forma crônica apresenta crosta nas extremidades dos membros e região inguinal, o que dificulta o animal a andar e causa muitas dores e sangramentos.

É evidente que, quando ocorre um surto, os resultados são perdas econômicas consideráveis à produção pecuária. A transmissão de um animal para o outro ocorre principalmente por contato direto entre os animais infectados e os animais susceptíveis, com fômites contaminados (bebedouros, currais, cochos etc.) e por carrapatos e moscas hematófagas. As epidemias ocorrem geralmente após períodos intensos de chuva.

Até o momento, não existe vacina para esta doença e, como medida preventiva, após identificar um animal infectado com a doença, a primeira ação a fazer é isolá-lo dos outros animais para que a doença não se espalhe.

O tratamento é realizado em duas formas associadas: tratamento tópico (pulverização com substâncias à base de iodo, ácidos e sulfatos) e tratamento parenteral (administração de antibióticos com o princípio ativo à base de oxitetraciclina, estreptomicina, penicilina G, procaína entre outros). Ressalto ainda a importância de realizar a desinfecção das instalações como currais, brete de contenção e todos os locais onde os animais infectados tiveram acesso.

O que resultará em um tratamento eficaz é a identificação precoce da doença. Quando a doença é diagnosticada já em um estado avançado, a cura se torna mais difícil.

É imprescindível que, para o diagnóstico e tratamento dos animais doentes, se consulte sempre um médico veterinário.

Leandro Cazelli Alencar é médico veterinário e atua com pecuária de corte e leite na República do Congo, África.

Fonte: Agrodebate.

Equipe Agron

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