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Área livre de aftosa sem vacinação inspira estratégia

Sanidade paranaense inspira estratégia nacional. O intuito é aproveitar a expertise paranaense para tornar o sistema de defesa do país ainda mais moderno e eficiente.

A iminente conquista do status de área livre de febre aftosa sem vacinação colocou o Paraná sob os holofotes. A nova condição sanitária vem para coroar o trabalho da defesa agropecuária paranaense que, desde 1970, mobiliza inúmeros profissionais para aperfeiçoar o que hoje se consolidou como o sistema mais robusto do país. Ainda que sujeito a algumas determinações para ser chancelado pela Organização Mundial de Saúde (OIE), o Paraná já recebe o reconhecimento pelo nível atual de segurança alimentar.

Com o objetivo de conhecer mais a fundo o trabalho de estruturação sanitária realizado no Paraná, a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) esteve em CuritibA para se reunir com representantes da FAEP e da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar). O grupo discutiu estratégias para aprimorar o sistema de defesa agropecuária no país, com base nas medidas implantadas no Paraná.

“É muito importante que vejam como o Paraná está estruturado em termos de sanidade, sobretudo na questão das fronteiras, onde agora teremos uma intensificação do trabalho de fiscalização e vigilância sanitária devido ao trânsito animal”, disse o presidente do Sistema FAEP/SENAR-PR, Ágide Meneguette.

Eficiente e moderno

Segundo o superintendente técnico da CNA, Bruno Lucchi, o intuito é aproveitar a expertise paranaense para tornar o sistema de defesa do país ainda mais moderno e eficiente.

“O Paraná é um exemplo de defesa agropecuária e as parcerias público-privadas, nesse sentido, têm dado muito certo. Tivemos uma série de informações da FAEP mostrando as iniciativas trabalhadas ao longo destes últimos anos sobre o modelo formado, que tem esse melhor desempenho em relação ao resto do Brasil. Conhecendo os bons exemplos, vamos tentar replicar de forma nacional, levando junto ao Ministério e aos outros Estados, principalmente agora nesse momento de retirada da vacina”, destacou Lucchi.

O Brasil, sob coordenação do Mapa e com participação dos serviços veterinários estaduais e do setor produtivo, segue o Programa Nacional de Erradicação de Febre Aftosa (PNEFA). Além de atuar na manutenção das zonas livres da doença, a principal estratégia é tornar o Brasil livre de febre aftosa sem vacinação até 2026, com reconhecimento pela OIE.

Antes disso, de acordo com o programa, está prevista a suspensão da vacinação em todo território nacional até 2021. Para o coordenador do Grupo de Trabalho de Sanidade Animal da CNA e presidente da Famasul, Mauricio Saito, é importante que os Estados cumpram todos os prazos estabelecidos.

“Esse conhecimento adquirido no Paraná irá trazer novas ideias para que possamos implementar esse trabalho de defesa sanitária não apenas no Mato Grosso do Sul, mas nos demais Estados. O Paraná é referência nacional em relação à estrutura de sanidade animal, por isso viemos em busca de informações, tanto com a iniciativa privada, personalizada pela FAEP, assim como com o poder público, representado pela Adapar”, afirmou Saito.

“Todos os sistemas têm que ser modernizados”, afirmou o diretor-presidente da Adapar, Otamir Cesar Martins, reforçando a necessidade de interrupção da vacina contra febre aftosa em todo o Brasil.

Referência

Uma das medidas sugeridas foi a criação de um fundo para viabilizar recursos e promover o aperfeiçoamento da defesa sanitária nacional, a exemplo do Fundo de Desenvolvimento da Agropecuária do Paraná (Fundepec). A modernização de laboratórios e uso de tecnologias de geolocalização para a estruturação de um plano de contingência também foram pontos abordados durante a reunião. Hoje, 99% do rebanho bovino paranaense estão catalogados pela Adapar, além da implantação de outros sistemas para garantir rastreabilidade, controle e fiscalização.

Outro assunto tratado foi a formação dos Conselhos de Sanidade Agropecuária (CSAs), uma parceria com a FAEP, que auxiliam na promoção da defesa e vigilância da agropecuária no Estado. Segundo o consultor da Federação, Antônio Poloni, os CSAs foram fundamentais para o desenvolvimento de uma consciência e educação sanitária, trazendo a sociedade para o centro do debate.

Atualmente existem 364 CSAs no Paraná, todos elaborados com a participação da comunidade municipal e com planos de ação. As estratégias para o avanço em sanidade animal também são fortalecidas pelo Conselho Estadual de Sanidade Agropecuária (Conesa), outra iniciativa em parceria com a FAEP.

Fonte: CNA – Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil.

Carine Colim

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