Pouco comum entre as plantas, a cor azul é a característica marcante da hortênsia (Hydrangea macrophylla), flor de cultivo fácil, rápido e simples para produção comercial. Rústica e de boa adaptação a diferentes tipos de solos, a hortênsia ainda se destaca quanto à exuberância dos cachos que possui, os quais são muito utilizados para adornar diferentes ambientes.
O comércio da flor é mais voltado ao cultivo em vasos para decoração de varandas, pergolados, salas, escritórios e outros espaços. O plantio em canteiros também é utilizado para embelezar jardins de residências, estabelecimentos comerciais e locais públicos. Contudo, dado o potencial de vendas que vem se firmando no mercado, uma tendência é o cultivo de hortênsia como flor de corte.
Disponibilidade de água e temperatura adequada são as maiores exigências para o bom desenvolvimento da hortênsia. Como é originalmente de clima ameno, a planta, oriunda da China e do Japão, não se dá muito bem em regiões quentes e secas. No entanto, por meio de técnicas de melhoramento genético, há algumas variedades da flor cultivadas em diversos países de clima tropical, temperado e subtropical.
Por aqui, relatos dão conta de que o cultivo de hortênsia, herança da colonização alemã, começou pelas serras do sul do país, onde até hoje é referência no turismo das cidades gaúchas de Gramado e Canela. A flor também tem destaque no paisagismo dos municípios de Morretes (PR) e de Campos do Jordão (SP).
Arbusto semilenhoso, com altura de 1 a 2,5 metros e folhas grandes, denteadas, brilhantes e coriáceas – a textura assemelha-se à do couro –, a hortênsia tem a variação de cores de suas inflorescências influenciada pelo nível de acidez e concentração de alumínio do solo. Como o solo brasileiro é naturalmente acidificado, o azul é a cor que prevalece na hortênsia plantada no país.
Além do cultivo para obtenção de hortênsias com floradas intensas, o interessado na atividade tem ainda como opção de renda a produção de mudas. Depois de enraizado e climatizado, o material pode ser vendido para lojas que comercializam plantas ornamentais para paisagismo.
RAIO X
>>> SOLO: solos férteis, bem irrigados, com boa drenagem e muita matéria orgânica
>>> CLIMA: subtropical, tropical e temperado
>>> ÁREA MÍNIMA: pode ser plantada em vaso
>>> COLHEITA: de 7 a 8 meses após o plantio
>>> CUSTO: como devem ser pequenas e vendidas em grande escala, as mudas para produções comerciais têm preços competitivos, enquanto as floridas prontas para plantio em jardins partem de R$ 3 por unidade
MÃOS À OBRA
>>> INÍCIO Adquira mudas de hortênsia em viveiros recomendados. Também podem ser encontradas em lojas de plantas e de produtos de jardinagem. O preço de cada exemplar destinado para o cultivo direto em jardins pode variar de R$ 3 a R$ 10, embora haja opções que podem dobrar o valor para R$ 20. Já para a produção comercial, cujas mudas são pequenas, os custos são mais baixos, dado que os produtores produzem e vendem em escala maior.
>>> PROPAGAÇÃO Realizada por estacas que podem ser extraídas da planta mãe o ano inteiro, apesar de a melhor época ser após o florescimento. As estacas podem ser herbáceas – brotações laterais que ocorrem ao longo dos ramos –, desde que tenham cerca de 8 centímetros e de quatro a seis folhas pequenas e sejam usados reguladores de crescimento para garantir o enraizamento –, e semilenhosas, utilizando ramos que contenham, no mínimo, duas gemas laterais, sendo uma para ficar sob o substrato para formação das raízes e outra acima, para a parte aérea. As estacas levam 40 dias para enraizar.
>>> PLANTIO Embora a hortênsia aceite vários tipos de solos, alguns precisam de tratamento adequado, como aporte de adubos, composto orgânico e irrigação, que elevam o custo de produção. O melhor desenvolvimento se dá em solos férteis, bem irrigados e, ao mesmo tempo, com boa drenagem e dotado de elevado nível de matéria orgânica.
>>> AMBIENTE A planta tem boa adaptação em locais com temperaturas amenas, mas pode ser mantida sob estufas com irrigação. Devido ao calor nesses ambientes, é necessário mais atenção com o sistema de regas, que devem ser mais frequentes, para favorecer as condições climáticas adequadas para o bom desenvolvimento.
>>> ESPAÇAMENTO Varia de acordo com as condições físicas do ambiente, a variedade utilizada, o manejo adotado, entre outros fatores. No entanto, para cultivo de plantas obtidas em floriculturas, que são melhoradas geneticamente e manejadas em estufas controladas, o espaçamento é menor que o indicado para exemplares rústicos, cuja manutenção é mais fácil. A cova, no entanto, deve ser grande, com no mínimo 50 x 50 x 50 centímetros, pois as plantas ficarão no terreno por cerca de oitos anos ou mais. Prepare a cova com adubação química e orgânica indicada pela análise do solo. É importante contar com a orientação de um engenheiro agrônomo.
>>> CUIDADOS Ao terminar a floração, faça poda drástica do ramo que floresceu. Corte-o a 10 centímetros do solo, para que a planta emita novas brotações e cachos florais de bom tamanho. Podas mais altas (a 30 centímetros do solo) são recomendadas quando a intenção é obter mais quantidade de brotos e de cachos. As regas devem ser bem fracionadas e distribuídas de quatro a seis vezes por dia em produções comerciais de vasos e em menor frequência em produções de corte. Apesar do controle fácil, pragas e doenças necessitam de monitoramento.
>>> PRODUÇÃO A floração da hortênsia ocorre cerca de sete meses após o plantio. Cada variedade, no entanto, pode apresentar um período diferente entre o início do cultivo e o momento em que a flor pode ser colhida.
*FÁBIO ALESSANDRO PADILHA VIANA, engenheiro agrônomo, doutor em produção e tecnologia de sementes de flores e plantas ornamentais e professor da Universidade de Brasília (UnB), tel. (61) 8601-8619 ou (61) 8284-3345, fabioapviana@unb.br
ONDE COMPRAR: há cooperativas, produtores e viveiristas em várias regiões do país que vendem hortênsias. Antes, porém, lembre-se que há variedades comerciais específicas para produção de flor de corte e para cultivo em vasos e canteiros
MAIS INFORMAÇÕES: Casas da Agricultura do município e órgãos de extensão rural da região podem dar orientações sobre o cultivo da flor
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