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Alerta para novas pragas nos grãos

Nos últimos meses, três novas pragas foram identificadas em cultivares brasileiras de soja, milho e algodão. O maior potencial de perdas está nas lavouras de milho no Mato Grosso, que podem chegar a 90% da área plantada. Porém, a burocracia continua sendo o grande entrave no processo de controle e prevenção.

Em evento realizado nessa quinta-feira (10.09) pela Associação Nacional de Defesa Vegetal (Andef), pesquisadores do setor divulgaram resultados obtidos nos levantamentos mais recentes.

Entre os estados do Rio Grande do Sul e Santa Catarina o coordenador do laboratório de manejo de pragas da Universidade de Santa Maria, Jerson Carús Guedes, detectou a presença da Melanagromyza sp., também conhecida como Mosca-da-haste da soja. Trata-se de uma doença importante na Austrália, já disseminada na Ásia, que gera perdas de até 30% na produção de grãos.

“Talvez ela esteja presente no Paraguai e na Argentina”, afirma o especialista sobre as possíveis portas de entrada do problema. Para ele, a praga possui estreita relação com o cultivo de soja na safrinha, durante o outono. Uma alternativa imediata para contenção é o tratamento de sementes.

Nos arredores do oeste da Bahia – área pertencente à região produtiva Matopiba – surge a suspeita de uma nova variedade da lagarta helicoverpa.

Identificada no Ceará, a helicoverpa punctigera é tão agressiva quanto sua “prima” armigera. Estimativas da representante da Agência de DefesaAgropecuária da Bahia (Adab), Suely Xavier de Brito Silva, apontam para uma perda potencial de até 16 sacas por hectare de soja, 54 sacas na cultura do milho e até 76 sacas no algodão.

A nova lagarta deve se disseminar em lavouras cearenses da agriculturafamiliar e cultivos de hortifrúti.

A terceira espécie apresentada, já conhecida por muitos cotonicultores, é a Amaranthus palmeri, principal praga do algodão e soja nos Estados Unidos, identificada pela primeira vez no Brasil no estado do Mato Grosso. A falta de controle pode causar prejuízos de até 91% na cultura do milho, 79% na sojae 77% no algodão, segundo bibliografia norte-americana.

“A doença tem fácil desenvolvimento em regiões de alta temperatura e culturas de menor profundidade – como as commodities agrícolas. Todas essas condições se encontram no Mato Grosso, o que possibilita a permanência da praga o ano todo”, explica o engenheiro agrônomo do Instituto Mato-grossense do Algodão (Ima), Edson Araújo.

Controle

O presidente da Andef, Eduardo Daher, destaca que o processo de regulamentação de novas moléculas não leva menos que sete anos para acontecer. “A burocracia é mais perversa do que a praga”, enfatiza. Agora, a recomendação dada ao setor é realizar as medidas preventivas básicas, com a rotação de culturas, e encontrar o melhor tipo de controle junto a especialistas.

Fonte: DCI – Diário do Comércio & Indústria.

Equipe Agron

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