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Safra de trigo sobe no Paraná

Safra de trigo sobe no Paraná mas qualidade deve diminuir.

 

Com cerca de 1,3 milhão de hectares em área plantada e produção estimada em 3,8 milhões de toneladas, o Paraná deve atingir a liderança nesta safra de trigo. Entretanto, muitas das sementes para este ano vieram do Rio Grande do Sul, onde predomina o cereal do tipo brando – que só é utilizado mediante mistura com o trigo “pão” – ou seja, a colheita será maior, mas de um produto com qualidade inferior.

 

“No ano passado houve quebra na safra paranaense por problemas de clima. O preço disparou, chegando a quase R$ 1 mil por tonelada e o produtor vendeu quase todo seu trigo de qualidade para moagem. Agora faltou semente do trigo pão. Não adianta ter uma safra grande se não tiver qualidade”, avalia o presidente do Moinho Pacífico, Lawrence Pih.

 

Estima-se que a safra de trigo no Paraná dobre, em relação ao ano passado. Quando comparada ao segundo maior estado produtor, o Rio Grande do Sul, a produção deve ser até 35% maior.

 

Outro fator que pode prejudicar a produtividade da triticultura na região Sul é o clima.

 

“Minha preocupação é que o modelo meteorológico indica que teremos El Niño, com muita chuva nessa região do Brasil, e se chover durante a colheita você prejudica a qualidade e a produtividade do trigo”, completa.

 

Nos últimos dias, os estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande Sul têm sentido os impactos das chuvas na agricultura. Em Santa Catarina, um levantamento preliminar da Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural (Epagri) localizada em Jaraguá do Sul, os prejuízos maiores no município de Guaramirim estão relacionados com a olericultura, principalmente feijão de vagem, abobrinha, vagem e pepino. Estima-se que as perdas possam chegar a R$ 500 mil.

 

O chefe do Departamento de Economia Rural (Deral) Secretaria da Agricultura e do Abastecimento do Paraná, Francisco Simioni, disse ao DCI que os impactos ainda não foram contabilizados, mas houve atraso no plantio de trigo.

 

Segundo o presidente da Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul), Hamilton Jardim, o plantio do cereal está ainda mais atrasado em sua região. “Era para estarmos com mais de 50% de área plantada, não estamos nem com 25%. Isso pode nos prejudicar em produtividade mais pra frente”, afirma.

 

A umidade no solo não permite que as máquinas entrem em campos gaúchos. De acordo com levantamento da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado do Rio Grande do Sul (Emater/RS), apenas 22% do terreno destinado ao cereal foi plantado até o momento. O atraso, em relação ao igual período de 2013, é de 12 pontos percentuais. Nos últimos cinco anos, os produtores haviam plantado 39%, em média, até esta época.

 

“Estivemos semana passada com a área econômica do governo e pleiteamos a redução do ICMS [Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual], de 8% para 2%, para que nos tornemos competitivos e possamos vender para outros estados. O foco é comercializar para São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro”, diz o presidente da Farsul.

 

Mercado externo

Pih estima que, com a grande quantidade de área plantada, a safra deste ano deva girar entre 7,3 e 7,5 milhões de toneladas de trigo. Porém, tais níveis não significam uma situação mais confortável sobre as importações – elas se farão necessárias para atender a demanda interna, justamente devido à baixa qualidade da produção nacional e a necessidade dos importados para mistura.

 

“Com uma produção grande, podemos nos deparar a uma pressão de safra e teremos dois caminhos: ou exportamos ou encaminhamos para ração”, destaca o presidente.

 

Com relação às vendas para o mercado externo, Pih conta que, em 2013, cerca de dois milhões da produção de trigo teve que ser encaminhada para exportação, porém, “o produto entregue para países africanos, por exemplo, foi aquém da qualidade estipulada em contrato e o mercado internacional perdeu confiança. Agora, caso precise exportar, o produtor brasileiro terá que se sujeitar a descontos para os compradores até que se readquira a confiança no segmento”. Além disso, o preço do trigo vem caindo e se aproxima do mínimo para comércio.

 

Lá fora, a safra norte-americana está melhor do que o esperado e o Canadá vem com bons níveis de produção. Na Europa, os mercados da Rússia e Ucrânia também caminham progressivamente. Já a Austrália, um dos principais exportadores mundiais, sofre pelo mesmo risco de El Niño que existe no Mercosul.

 

Fonte: DCI – Diário do Comércio & Indústria. Autor: Nayara Figueiredo.

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