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Cutrale e Joseph Safra: Os novos reis da banana

Por José Luiz Tejon Megido, Diretor Vice Presidente de Comunicação do Conselho Cientifico para a Agricultura Sustentável (CCAS), Dirige o núcleo de agronegócio da ESPM, Comentarista da Rede Estadão.

No Carnaval de 1949 Emilinha Borba fazia sucesso com a marchinha “Chiquita bacana lá da Martinica, se veste com uma casca de banana nanica”. E no ano de 1947 era registrada a marca Chiquita para as bananas, de uma empresa, a United Fruits que foi criada no ano de 1863, nos Estados Unidos. Essa empresa pertence agora a Chiquita Brands, a Cutrale Safra. Adquiriram com uma oferta hostil, com um ágio de 33,8%, perante a oferta que outra concorrente, a Fyffes da Irlanda havia feito em 7 de março de 2014.

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O mercado mundial da banana calculado em US$ 7 bilhões, o Brasil o terceiro maior produtor da fruta, onde já fomos os primeiros. Hoje a Índia e o Equador nos ultrapassaram. A Cutrale, o maior exportador mundial de suco de laranja, agora entra também na banana e em outras linhas de saladas e snacks naturais.

O setor da laranja brasileiro tem sofrido constantes conflitos na desconexão das cadeias produtivas, quer dizer, confusão entre citricultores e processadores. E ao mesmo tempo o consumo mundial do suco cítrico tem caído à proporção de 2% ao ano. No caso da banana, o preço médio da fruta caiu 2,3% no ano passado. Entretanto, ocorreu na América Central, um grande ganho de produtividade, de sustentabilidade, e de acordos com Ongs, como a Rain Forest Aliance, e a própria Chiquita recebeu do Wal Mart o prêmio de melhor fornecedor sustentável do ano.

Fica agora uma questão: qual o impacto que essa aquisição poderá ter na orquestração da cadeia produtiva da banana, também no Brasil? Trará a cultura da Chiquita Brands contribuições para a questão da Cutrale, também na questão da laranja? Ao enfrentar competidores concentrados que vão direto ao mercado com suas marcas como a Dole, Del Monde, Fyffes e Noboa, e não atuam simplesmente com vendas e marketing de empresa para empresa, e sim de empresa ao consumidor, permitirá essa mudança, atrair e trazer uma cultura mais agressiva e competitiva para a companhia brasileira.

Poderão Safra e Cutrale enfrentar e consolidar mais uma organização brasileira no mercado global, ao lado de Budweiser, Burger King, Heinz, Swift e Pilgrims? Yes, nós temos banana, agora a maior companhia do planeta. O Vale do Ribeira, Santa Catarina, Rio Grande do Norte e Minas Gerais, regiões produtoras expressivas brasileiras, fiquem de olho na banana, será que vamos exportar ou importar, eis a questão!

Fonte: Folha de Dourados.

Marcelo Ramos

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