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Austrália e a experiência contra lagarto

Brasil e Austrália possuem um inimigo em comum: a temida Helicoverpa armigera, que já causou prejuízos estimados em R$ 10 bilhões nos últimos cinco anos no País. Pois é justamente da experiência australiana – que convive há muitos anos com a praga – que vem a mais nova alternativa biológica de controle da lagarta. 

“Nós visitamos o Brasil em 2006 e o mercado, naquele momento, não tinha a circunstância mais adequada. O momento era diferente, o mercado ainda não era maduro em termos de fornecedores agrícolas, de agroquímicos. As oportunidades para biológicos era limitada. Nós nos afastamos do Brasil e tivemos mais foco nos Estados Unidos”, conta Anthony Hawes, CTO (Chief Tecnology Officer) e fundador da AgBiTech, que recentemente lançou no Brasil uma linha de baculovírus para controle de lagartas. 

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Ele relembra o surto de Helicoverpa armigera que explodiu no Brasil em 2013, ao ressaltar que esta é a principal peste a controlar na Austrália: “Como resultado dessa peste, voltamos nossa atenção ao Brasil. Obviamente, havia uma grande demanda pelo acesso ao nosso produto e interesse sobre como a Austrália lidou com essa peste. Nós lidamos com ela muito efetivamente usando nosso produto e manejo integrado de pragas. Então foi uma situação repentina, eu diria uma situação de emergência que nos trouxe aqui”.

No entanto, pontua o executivo australiano, há muitas diferenças entre os dois países: “A Austrália tem um clima muito seco, nós temos uma área agrícola pequena, então em algumas áreas somos muito mais coordenados. Os produtores tendem a trabalhar juntos, muito bem e por um bem maior, pelo benefício de toda a indústria. Eu acho que essa é uma coisa mais difícil, porque é uma indústria muito maior, mas ao mesmo tempo os produtores precisam trabalhar juntos para resolver essas pestes como a Helicoverpa – que são muito móveis e não se importam com porteiras ou estradas para se moverem”. 

“Então a primeira coisa é um esforço para toda a indústria, não para indivíduos. Também utilizar tecnologias que são menos disruptivas. Os inimigos naturais e os insetos benéficos podem minimizar a Helicoverpa e pestes secundárias. Usar químicos precocemente irrita o equilíbrio natural e na Austrália aprendemos a evitar esses químicos muito disruptivos no início da safra. Somos mais seletivos no início da safra e poupamos a química disruptiva e cara para o final da safra. Então esses são alguns dos princípios que diferenciam a Austrália”, explica.

 

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Carlos da Silva

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