O tal padrão de qualidade liderado pelo corrupto Blatter, sabemos agora, era movido a propina. Para o Brasil, um ano depois da Copa, a herança são estádios vazios e deficitários.

Enfim o escândalo chegou ao topo, e novos capítulos ainda serão escritos. Na terça-feira, 2 de junho, quatro dias depois de ser reeleito para seu quinto mandato na presidência da Federação Internacional de Futebol (Fifa), o suíço Joseph Blatter convocou a imprensa e renunciou. Sentia, disse, não ter “apoio no mundo futebolístico”. O que ele não tem, na verdade, é a distância requerida a alguém na sua posição do lamaçal de corrupção, falcatruas e desvios de dinheiro que engolfou a Fifa nas últimas semanas e já levou sete dirigentes – inclusive o brasileiro José Maria Marin, ex-presidente da CBF – à prisão.

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A investigação, conduzida pela polícia americana, bateu nos últimos dias em Jérôme Valcke, braço-­direito de Blatter, e foi aí que o chefe capitulou. Nos seus termos: ele pretende permanecer no cargo até a realização de nova eleição, o que só deve acontecer em dezembro. O envolvimento de Valcke tem um gostinho especial para os brasileiros, por ter sido ele o cartola que, meses antes da Copa do Mundo de 2014, cobrou do Brasil, em expressões nada educadas (ameaçando um “chute no traseiro”), mais empenho na aplicação do celebrado e caro padrão Fifa às obras do torneio.

Padrão, sabemos agora, ancorado em estruturas corruptas e que deixaram um legado nefasto para o Brasil. Um ano depois da Copa, o país do futebol tem estádios vazios, todos construídos a valores inexplicáveis e amargando prejuízos – ao contrário da Fifa, aliás, que amealhou lucro de 16 bilhões de reais com a megafesta de 2014.

Surpresa? Não exatamente, mas um olhar detalhado sobre as contas chega a ser assustador. A partir de um levantamento inédito, VEJA analisou balanços financeiros de concessionárias das arenas, um ramo de negócios praticamente inaugurado com a Copa – antes, elas eram tocadas pelo poder público ou pelos clubes. A pesquisa mostra que as obras nos doze estádios atingiram um valor total de 8,4 bilhões de reais, 42% acima do previsto.

Nenhum deles conseguiu os patrocínios, as concessões comerciais e a lotação das arquibancadas que garantem lucratividade. O resultado é um prejuízo que chega a quase 700 milhões de reais, sendo 600 milhões nos seis que se preparam para sediar a Olimpíada do Rio, em 2016. Que a Arena Amazônia, de Manaus, daria prejuízo era sabido e anunciado.

Mas e o Maracanã? O Mineirão? Os consórcios de empreiteiras que assumiram a gestão desses dois estádios contavam com o efeito da Copa padrão Fifa (ah, esse padrão), que voltaria a encher as arquibancadas de torcedores animados com as instalações novas e modernas e os craques em campo. Deu-se o 7 a 1, o torcedor continuou em casa, os craques se foram e a dura realidade se sobrepôs.

Fonte: Veja Online.

Romulo

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