Preço da saca de soja está artificialmente valorizado

Preço da saca de soja está artificialmente valorizado devido à alta do dólar, diz Farsul.

Valor histórico é resultado da influência da variação cambial e não reflete o que vem acontecendo no mercado internacional.

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Na segunda-feira (04), o saco de 60Kg da soja era comercializado por R$ 105,50 no Porto de Rio Grande. O valor histórico é resultado da influência da variação cambial e não reflete o que vem acontecendo no mercado internacional. Nos EUA, como comparação, o preço do bushel em 30 de abril deste ano foi de US$ 8,56 contra US$ 9,62 no ano passado. O levantamento foi realizado pela Farsul e indica que o cenário nacional é em decorrência da pandemia da COVID-19.

Para compreender o quadro atual, a análise compara a relação preço x custo de produção entre os anos 2019 e 2020 nos EUA, principal concorrente brasileiro no produto. Lá, no ano passado, a diferença entre o valor comercializado e o custo de produção gerava um lucro de US$ 0,05 por bushel. Atualmente, o resultado é um prejuízo de US$ 1,19 aos produtores daquele país.

O economista-chefe da Farsul, Antônio da Luz, explica que o objetivo é “chamar a atenção que o que está acontecendo com a soja é reflexo da pandemia, que é imprevisível, e estamos vendendo por um preço muito acima”, avalia e completa, “a diferença cambial adicionou R$ 25,00 no preço do produto”. Para ilustrar, foi feita uma simulação de preço com a taxa de câmbio de janeiro, anterior a chegada da doença no Brasil. Nesse cenário, a soja estaria sendo comercializada a R$ 80,57. Com o câmbio de 12 meses, o preço seria R$ 75,78.

Luz comenta que se o produtor tivesse travado o preço na sua praça, ainda considerando o frete de R$ 5,00 a R$ 10,00 por saco, estaria ganhando. “Em Cruz Alta, ele teria um ganho de R$ 5,00, por exemplo”, compara. “Só estamos com esse preço pela pandemia. Portanto, faz todo sentido seguir travando. Os únicos que podem sentir culpa por ter travado preço são aqueles que adivinharam que o mundo passaria por uma pandemia”, conclui.

FONTE: DATAGRO.

Otavio Culler

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