As diferenças na evolução de preços do frango vivo e do abatido sempre existiram, porquanto este último está muito mais atrelado às condições do consumidor do que, propriamente, às variações na oferta.
Mas enquanto até meados de junho ambos registraram, em comparação ao início do ano, índices de evolução muito próximos (por exemplo, iniciaram a segunda semana de junho valendo, os dois, 3% a mais que no primeiro dia de negócios de 2015), nos últimos 45 dias têm seguido direções opostas.
É verdade que, como sempre ocorre, o frango abatido registrou valorização no primeiro decêndio de julho. Mas, desta vez, o pico de preços do mês ficou muito aquém dos alcançados em maio e junho. Aliás, foi o segundo menor deste ano, só perdendo para aquele registrado em abril.
Efeito, sem nenhuma dúvida, da depauperação do poder aquisitivo do consumidor que, mesmo encontrando no frango acessibilidade excepcional em relação à carne bovina, parece não estar tendo fôlego para adquirir nem mesmo o alimento que (dados do Procon-SP) nas primeiras 30 semanas de 2015 ficou apenas 12 centavos mais caro que nas mesmas 30 semanas de – atente-se para este detalhe! – dois anos atrás. Isso mesmo: um preço, no varejo, 2,3% superior ao registrado entre 1º de janeiro e 25 de julho de 2013. Para uma inflação que supera os 16%.
De sua parte, o frango vivo segue (fato raro, mas que se repete pelo segundo mês consecutivo) aparentemente imune às condições de comercialização da ave abatida. Com isso, enquanto o abatido chega ao final de julho valendo não mais que 96% da cotação registrada nos primeiros dias de 2015, o vivo alcança agora valor quase 15% superior.
Isso, claro, altera de forma significativa a relação de preços entre os dois produtos. Assim, enquanto nos sete primeiros meses de 2014 e 2015 o preço médio do frango abatido ficou entre 33% e 34% acima da média alcançada pelo frango vivo, no momento essa relação se encontra em menos de 16%, correspondendo ao mais baixo adicional dos últimos dois anos.
Fonte: Avisite.
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