Categories: Artigos técnicos

Safra dando as caras?

Até o momento a safra tem trabalhado em ambiente firme praticamente no Brasil todo. A referência de preços em São Paulo começou o ano ao redor de R$150,50 e está atualmente cotada em R$157,95, livre de Funrural e à vista, uma alta de 5%.

As chuvas acima da média de fevereiro e março trouxeram uma boa capacidade de suporte às pastagens e o pecuarista pôde segurar sua produção à espera de preços melhores. Além disso, a disparada nos preços da reposição foi mais um incentivo para manter os animais em engorda visando “amenizar” o ágio da relação de troca.

Nesse cenário, os preços em São Paulo atingiram máximas até acima dos R$160,00/@, porém, esse patamar de preços foi suficiente para trazer o pecuarista para a mesa de negociação. Quem pagou esses valores conseguiu se abastecer de forma satisfatória e as escalas alongaram de forma substancial, como já há várias semanas não se via. Acompanhe na figura 1.

Com essa folga, as indústrias têm tentado impor recuos nas cotações, que ainda não ocorreram, mas já foram suficientes para diminuir os preços máximos na praça paulista.

Já os contratos da entressafra, liderados pelo vencimento de out/19 têm tido um desempenho diferente dos vencimentos mais curtos, com o out/19 se consolidando acima dos R$160,00/@ o que fez o diferencial safra x entressafra abrir da mínima de R$4,00, para os atuais R$6,00. E a julgar pelo fluxo de notícias envolvendo a peste suína na China e seu potencial impacto no preço das proteínas mundiais, esse diferencial tende a aumentar ainda mais.

A preocupação com essa situação tem levado a uma enorme demanda por proteção contra alta de preços no mercado de opções, onde as opções de compra (ou call no jargão do mercado) de nível R$170,00 para outubro têm sido as mais procuradas. Somente nessa semana foram negociados mais de 5 mil lotes dessa opção, com custo de aquisição ao redor de R$0,75/@. Quem compra essa opção terá ganho líquido apenas caso o vencimento de outubro suba acima do patamar de R$170,00/@. Hoje existem mais contratos em aberto nessa opção do que no vencimento de outubro no mercado futuro.

É muito difícil definir de antemão o impacto do problema na China nos preços do boi gordo no Brasil, mas não se pode negar que o fluxo de notícias nesse sentido é assustador. A demanda da China por proteína, que já era enorme, crescerá ainda mais diante da redução de mais de 30% do seu plantel de suínos conforme as estimativas mais recentes apontam. Caso os entraves burocráticos para a habilitação de novas plantas para a exportação sejam resolvidos, o potencial realmente é gigantesco. Esse talvez seja um ano para se pensar em não travar preços para a entressafra, o mais adequado seria garantir preços mínimos e ficar livre para surfar a onda Chinesa caso ela atinja o Brasil.

Fonte: Scot Consultoria. Por: Leandro Bovo.

Cristina Crispa

Published by
Cristina Crispa

Recent Posts

5 habilidades impressionantes dos cães que as pessoas nunca vão conseguir competir

Muito além da obediência: algumas capacidades dos cães continuam desafiando a ciência e explicam por…

6 horas ago

5 plantas para fazer quintais pequenos parecerem muito maiores e criar uma profundidade visual surpreendente

Com as plantas certas, até poucos metros quadrados podem ganhar camadas, altura e uma sensação…

7 horas ago

9 curiosidades sobre o corpo humano que acontecem diariamente sem que a maioria das pessoas perceba o que está ocorrendo

O corpo humano realiza milhares de ajustes silenciosos por dia para manter equilíbrio, proteção, energia…

9 horas ago

O que está por trás da queda dos grãos na bolsa de Chicago?

A safra americana de grãos avança em boas condições e aumenta a pressão sobre soja,…

20 horas ago

Minifrutas ganha espaço e abre nova oportunidade para produtores

O minikiwi lidera a tendência das minifrutas no Brasil, impulsionada por lares menores, praticidade no…

20 horas ago

Safra de Trigo do RS Deve Cair 36% e Acende Alerta no Setor

A safra de trigo do RS deve cair 36,4% em 2026 devido à redução de…

20 horas ago

This website uses cookies.