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Queima da palha da cana-de-açúcar

Embrapa recomenda queima da palha da cana para controle da mosca dos estábulos.

 

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Mas de acordo com a Empresa, o uso do fogo como meio para o controle da mosca-dos-estábulos só deve ser empregado quando as demais alternativas não forem suficientes para reduzir a população das moscas.

 

A mosca-dos-estábulos (Stomoxys calcitrans) é um parasita hematófago que vem se tornando cada  vez mais importante em função dos frequentes  surtos registrados e os prejuízos que causa em várias regiões do país. Estes surtos têm ocorrido nas proximidades de usinas sucroalcooleiras. Neste contexto, buscando minimizar os impactos decorrentes da ação deste inseto, a Embrapa Gado de Corte publicou uma série de documentos de esclarecimento sobre os surtos e algumas medidas  preventivas e de controle que podem ser implementadas 

 

Desde 2009, a frequência, intensidade e distribuição geográfica dos surtos pela mosca-dos-estábulos têm aumentado. Nos últimos dois anos, a Embrapa Gado de Corte acompanhou, em visitas técnicas, surtos ocorridos em três estados brasileiros (MS, MT e MG). Nos últimos 12 meses, foram registrados dez surtos em sete municípios.

 

Com o objetivo de divulgar o conhecimento existente sobre esta praga, reuniões, palestras e workshops têm sido realizados pela Embrapa em vários municípios. Além disso, estão em desenvolvimento projetos de pesquisa visando conhecer diversos aspectos da biologia e sazonalidade da mosca-dos-estábulos que possam subsidiar o desenvolvimento de estratégias de controle e prevenção de surtos. 

 

Após quase dois anos de pesquisas, no campo e no laboratório, os resultados começam a aparecer; entretanto, ainda há muito o que pesquisar antes que tais conhecimentos se transformem em opções práticas, viáveis e eficientes para o problema.

 

Independente dos avanços obtidos, permanecem válidas as medidas de prevenção e controle propostas nos documentos publicados em 2010. As recomendações nem sempre têm se mostrado suficientes no controle efetivo da mosca-dos-estábulos e na prevenção de suas explosões populacionais e, portanto, mais necessita ser feito. Vale ressaltar que a eficiência de qualquer estratégia de controle depende da atuação conjunta de todos os participantes do problema (usinas e estabelecimentos rurais), assim como a adequada adoção das medidas propostas.

 

Algumas medidas preventivas e de controle podem ser adicionadas às já disponibilizadas, de modo a contribuir para prevenir ou mitigar os problemas causados por esta praga.

 

Uso do fogo:

A cultura canavieira e a pecuária são atividades históricas para o Brasil e conviveram por séculos sem registros de maiores conflitos entre si. Pela restrição de matéria orgânica em fermentação (em função da queima da palha), a mosca-dos-está-bulos não tinha, nas áreas de plantio de cana-de–açúcar, um local adequado para sua reprodução. Deste modo, seu desenvolvimento era praticamente restrito às propriedades com sistemas intensivos de produção animal (confinamentos e granjas leiteiras).

 

Um fator determinante para essa situação era a prática da queima pré-colheita na cultura da cana de-açúcar, empregada em larga escala até 1998 quando, por força da legislação (Decreto Federal 2.661 de 1998), começou a ser reduzida de forma gradativa. A redução da queima e o acúmulo da palha sobre o solo, juntamente com a utilização da vinhaça/vinhoto como fertilizante, aplicado sobre a palha pós-colheita, criaram um ambiente favorável à criação da mosca-dos-estábulos e a ocorrência de problemas subsequentes.

 

O uso do fogo controlado pode ser empregado como forma profilática de controle desta praga ao eliminar os criadouros da mosca-dos-estábulos nas áreas de cultivo da cana-de-açúcar. A eficiência desta prática é demonstrada pelo histórico do problema, ou seja, “enquanto a queima da palha foi utilizada, os problemas com surtos de moscados-estábulos oriundos das usinas eram raros e de menor gravidade”.

 

Em função dos grandes volumes de inseticida a serem aplicados para atingir as larvas distribuídas em grandes áreas, o controle químico nos locais de desenvolvimento (palha com vinhaça) tende a ser caro e pouco eficiente, além de ter risco ambiental desconhecido. As atuais limitações técnicas, econômicas e ambientais do controle larvar com produtos inseticidas reforça a percepção de que medidas preventivas são de grande importância.

 

Neste contexto, o uso do fogo controlado pode torna-se uma importante ferramenta.

 

De modo geral, o fogo pode ser usado como meio de controle, através da eliminação do substrato reprodutivo da mosca, ou como método de controle, através da queima da palha onde já existam larvas em desenvolvimento.

 

Informações sobre a sazonalidade da mosca-dosestábulos na região (quando disponíveis), assim como observações sobre a relação entre abundância da mosca e condições climáticas (particularmente chuvas atípicas e/ou excessivas) e, principalmente, o histórico local de ocorrência de surtos, devem ser considerados quando da decisão sobre a época de uso preventivo da queima para controle da mosca.

 

O uso do fogo controlado como mecanismo de controle de pragas está previsto em legislação específica. Entretanto, seu emprego depende de autorização especifica, caso a caso, dos órgãos ambientais competentes.

 

Fonte: Notícias da Pecuária.

Equipe Agron

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