Preço do feijão despenca: Vale a pena estocar agora?

O preço do feijão iniciou abril em queda após um trimestre de recordes. Entenda como a oferta, a demanda e a segunda safra estão moldando o novo equilíbrio do mercado.

Para Quem Tem Pressa

Após um primeiro trimestre de altas históricas, o preço do feijão (tanto preto quanto carioca) começou a recuar em abril. O movimento é resultado de uma “queda de braço” entre a oferta, que continua limitada, e a demanda, que pisou no freio. Pesquisadores do Cepea indicam que o setor busca um novo equilíbrio, enquanto o mercado observa atentamente o clima no Sul para a segunda safra.


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O cenário atual do preço do feijão no Brasil

Depois de três meses de dar vertigem aos compradores, o preço do feijão finalmente deu sinais de cansaço. Os dados do Cepea/CNA confirmam que, embora o primeiro trimestre tenha sido marcado por valores recordes, a resistência do consumidor final e do varejo começou a surtir efeito.

Se antes a narrativa era de escassez absoluta, agora o mercado vive um momento de transição. A indústria e o varejo estão em um processo de “transmissão lenta” de valores, o que significa que aquela baixa que o produtor sente na porteira demora um pouco mais para chegar à prateleira do supermercado. É a famosa física econômica: o que sobe como foguete, às vezes desce de paraquedas.


Oferta, Demanda e o “Cabo de Guerra”

A sustentação do preço do feijão no início do ano foi puramente matemática: tinha pouco produto no mercado. No entanto, a demanda não é infinita. Ao atingir patamares muito elevados, o consumo retrai, forçando os preços a buscarem um novo patamar de estabilidade.

Além disso, estamos entrando na janela da segunda safra. As incertezas climáticas, especialmente no Sul do país, funcionam como um tempero extra de volatilidade. Qualquer geada ou seca severa pode reverter a tendência de queda do preço do feijão num piscar de olhos.


O Mercado Externo em Números

Enquanto o mercado interno tenta se entender, o front externo está aquecido. Segundo a Secex, o Brasil exportou 27,28 mil toneladas de feijão em março. Isso representa:

  • Um aumento de 2,4% em relação a fevereiro.
  • Um salto impressionante de 51,3% comparado a março de 2025.

Já as importações recuaram 17% em relação ao mês anterior, totalizando 3,13 mil toneladas. Mesmo assim, esse volume é quatro vezes maior do que o registrado no mesmo período do ano passado, mostrando que o Brasil ainda precisa buscar fora para equilibrar o prato do brasileiro quando o preço do feijão doméstico aperta.


O que esperar para os próximos meses?

O produtor deve ficar atento ao comportamento da segunda safra. O preço do feijão continuará sensível às notícias vindas das lavouras do Paraná e Rio Grande do Sul. Se o clima colaborar, a tendência é de que o mercado encontre seu ponto de equilíbrio sem as oscilações bruscas do início de 2026.

Para o setor, o momento é de cautela. Com o preço do feijão buscando novos suportes, a gestão de custos e a estratégia de venda tornam-se ferramentas essenciais para não ser pego de surpresa por uma correção mais agressiva nas cotações. Afinal, no mercado de commodities, a única certeza é que o equilíbrio de hoje é a dúvida de amanhã.


Conclusão

Em resumo, o recuo no preço do feijão neste início de abril marca o fim de um ciclo de altas extremas, sinalizando que o mercado atingiu seu limite de saturação perante o consumidor. Embora a oferta ainda não seja abundante, a retração na ponta final da cadeia força uma correção necessária. Para o produtor e para a indústria, o sucesso nos próximos meses dependerá da agilidade em ler os sinais da segunda safra e das condições climáticas no Sul, que ditarão se este alívio nos preços veio para ficar ou se é apenas uma breve pausa antes de nova volatilidade.

Imagem principal: Depositphotos.

Douglas Carreson

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