prejuízo bilionário
A super-bicheira é uma forma avançada de miíase que não morre com medicamentos comuns e pode matar bezerros em até 8 dias. O problema cresceu por uso incorreto de remédios e exige rotação de moléculas, manejo estratégico e orientação veterinária urgente para evitar prejuízos graves.
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A pecuária brasileira entrou em 2026 lidando com um inimigo que muitos produtores custam a acreditar: a super-bicheira. Diferente da bicheira tradicional, essa nova forma de miíase resiste aos tratamentos convencionais, continua viva após aplicações e transforma pequenas feridas em focos de sofrimento, infecção e morte.
Não é exagero dizer que ela mudou as regras do jogo sanitário no campo — e ignorar isso custa caro.
A super-bicheira é causada por larvas da mosca Cochliomyia hominivorax que passaram por um processo de seleção artificial induzida pelo próprio manejo humano.
Enquanto a bicheira comum morria poucas horas após o tratamento, a super-bicheira segue se alimentando do tecido vivo, agravando lesões e abrindo portas para infecções bacterianas severas.
Em resumo: o produtor aplica, o produto evapora… e a larva segue lá, firme e debochada.
Segundo análises técnicas da Embrapa Gado de Corte, o avanço da super-bicheira está diretamente ligado a:
Estudos publicados na SciELO confirmam o padrão clássico de resistência: as larvas sensíveis morrem, as fortes sobrevivem — e se reproduzem.
Em estados como Maranhão e Mato Grosso do Sul, a incidência já alcança níveis críticos, tornando a super-bicheira um problema endêmico em muitas regiões.
A super-bicheira não é apenas um problema sanitário. É um rombo financeiro.
De acordo com o Conselho Federal de Medicina Veterinária, parasitoses resistentes geram prejuízos bilionários todos os anos, especialmente por:
Um único caso de super-bicheira umbilical pode levar um recém-nascido à morte em até 8 dias, se não houver intervenção correta e imediata.
Aqui vai a verdade dura: dobrar a dose só piora o problema.
Além de não matar a super-bicheira, essa prática:
É o equivalente sanitário a “gritar com quem já não escuta”.
A única resposta eficaz hoje é inteligência de manejo.
Sem orientação técnica, qualquer tentativa vira desperdício.
A super-bicheira não surgiu do nada, nem é uma “mutação misteriosa da natureza”. Ela é o resultado direto de decisões repetidas ao longo dos anos: uso automático de remédios, subdosagens, repetição das mesmas moléculas e ausência de protocolos sanitários bem definidos. O parasita apenas fez o que a biologia sempre faz — adaptou-se para sobreviver.
O problema é que, desta vez, a adaptação cobra um preço alto. A resistência transformou um parasita relativamente controlável em um risco real de morte rápida de bezerros, queda de produtividade e prejuízo econômico acumulado. Aplicar mais produto, insistir no mesmo princípio ativo ou tratar “no olho” deixou de ser solução e passou a ser parte do problema.
O enfrentamento da super-bicheira exige uma mudança de mentalidade no campo. O controle agora é estratégico, não reativo. Rotação de moléculas, terapias combinadas, monitoramento constante das feridas e atuação precoce deixaram de ser recomendação técnica e passaram a ser condição de sobrevivência do sistema produtivo.
Mais do que um desafio sanitário, a super-bicheira é um recado claro para o setor: quem trata parasita como detalhe, perde animal; quem trata manejo sanitário como estratégia, protege o rebanho e o caixa. Em 2026, o produtor que vencer essa batalha não será o que usa mais remédio, mas o que usa melhor.
Imagem principal: IA.
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