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Milho segue soja e farelo: A virada oculta do mercado em Chicago

Milho segue soja e farelo e encerra o dia em queda em Chicago. Entenda a virada inesperada da Argentina e os impactos para o mercado brasileiro.

Para Quem Tem Pressa

O milho em Chicago encerrou a quarta-feira (24) em queda, arrastado pelas baixas da soja e do farelo. A grande surpresa veio da Argentina: a suspensão das retenciones nas exportações disparou a comercialização de grãos, inundou o mercado internacional e derrubou preços de forma inesperada.


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O Impacto em Chicago: Milho sob Pressão

Na Bolsa de Chicago (CBOT), os contratos futuros do milho em Chicago não resistiram à pressão. Segundo análise da Agrinvest, o recuo foi reflexo direto das quedas da soja e do farelo, que serviram como gatilho para investidores ajustarem posições.

Mais do que isso, o chamado farmer selling argentino — quando produtores aceleram a venda de grãos armazenados — ganhou força após o governo eliminar as retenciones (impostos sobre exportações). Em poucos dias, foram 2 milhões de toneladas de soja e 250 mil toneladas de milho colocadas no mercado.

Para Mário Mariano Moraes Júnior, diretor comercial da Agrosoya/Novo Rumo Commodities, o efeito é claro: “a Argentina está ofertando produtos 26% mais baratos do que há uma semana, o que aumenta a concorrência global e pressiona cotações em todas as praças”.

Cotações do Milho em Chicago

  • Dezembro/25: US$ 4,24 (-0,47%)
  • Março/26: US$ 4,41 (-0,45%)
  • Maio/26: US$ 4,50 (-0,44%)
  • Julho/26: US$ 4,56 (-0,44%)

As perdas parecem pequenas em pontos, mas representam um movimento estrutural: o mercado internacional absorvendo um choque de oferta inesperado.


Brasil: B3 e Mercado Interno Sentem o Efeito

No Brasil, os preços futuros do milho seguiram a maré. Na B3, as cotações caíram em sintonia com Chicago.

A Agrinvest destacou que o mercado físico segue lateralizado: produtores ofertam aos poucos, compradores mantêm postura cautelosa e os portos não oferecem preços competitivos para entregas imediatas (spot). O milho tributado até aparece com desconto em São Paulo, mas não gera liquidez.

Cotações do Milho na B3

  • Novembro/25: R$ 66,18 (-0,33%)
  • Janeiro/26: R$ 69,00 (-0,36%)
  • Março/26: R$ 71,82 (-0,32%)
  • Maio/26: R$ 70,80 (-0,28%)

Enquanto isso, o mercado físico brasileiro registrou poucas alterações, com destaque para Sorriso (MT), que apresentou valorização pontual.


O “Movimento Oculto”: Por que a Argentina Mudou o Jogo?

A surpresa que abalou o milho em Chicago veio de uma decisão política: a retirada das retenciones. Ao zerar o imposto de exportação, o governo argentino incentivou produtores a liberar estoques rapidamente.

Esse movimento não apenas aumentou a oferta global, mas também mudou a lógica da concorrência. Até então, o Brasil competia mais diretamente com EUA e Ucrânia. Agora, a Argentina entra agressivamente no mercado, oferecendo preços mais baixos e forçando ajustes em toda a cadeia.

E aqui está o detalhe curioso: o mercado não esperava tamanha velocidade. A reação foi quase imediata, derrubando cotações em Chicago e irradiando efeitos para outros centros de negociação.


Como Isso Afeta o Produtor Brasileiro

Para o produtor brasileiro, o recado é claro: o milho em Chicago continuará volátil. Com a entrada argentina, a concorrência por originação deve aumentar e os preços podem permanecer pressionados nos próximos meses.

Além disso, compradores no mercado interno seguem ditando o ritmo das negociações, evitando pressa em fixar preços. Produtores, por outro lado, precisam avaliar estratégias:

  • Fixar lotes menores gradualmente
  • Acompanhar de perto a liquidez nos portos
  • Observar oportunidades de valorização em regiões específicas

Um detalhe irônico? O produtor brasileiro esperava encontrar algum alívio após semanas de estabilidade… mas descobriu que o vizinho argentino tinha um “truque na manga”.


Cenário Global: O Que Observar Agora

Especialistas destacam três pontos para os próximos meses:

  1. Política Argentina – a manutenção ou não dessa isenção pode definir o ritmo da oferta.
  2. Safra Norte-Americana – qualquer problema climático nos EUA pode reduzir a pressão atual.
  3. Demanda Asiática – China e outros importadores podem aproveitar os preços baixos, dando novo fôlego às cotações.

Se a Argentina continuar agressiva e a demanda não reagir, o milho em Chicago pode enfrentar mais semanas de queda.


Conclusão

O que parecia apenas mais uma quarta-feira no mercado de grãos acabou revelando um movimento oculto: a Argentina, ao mudar sua política de exportação, sacudiu o mercado e empurrou o milho em Chicago para baixo.

O efeito foi imediato, atingindo também a B3 e o mercado físico brasileiro. Para os próximos meses, a palavra de ordem será cautela: produtores devem planejar vendas de forma estratégica, enquanto compradores permanecem tranquilos, ditando o ritmo.


Disclaimer

Este artigo é de caráter informativo e opinativo, com dados e cotações referentes ao dia 24/09/2025. As informações podem conter imprecisões, sendo sua utilização de responsabilidade exclusiva do leitor. O conteúdo não constitui recomendação de investimento, orientação financeira, consultoria jurídica ou aconselhamento comercial. Decisões devem considerar as particularidades de cada operação, os regulamentos aplicáveis e, quando necessário, o apoio de profissionais habilitados. Os autores e o site não se responsabilizam por decisões tomadas com base neste material.

Imagem principal: Depositphotos.

Douglas Carreson

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