agronegócio
Medidas de Salvaguarda são instrumentos legais usados por países para limitar importações quando há risco à indústria local. Reguladas pela OMC, elas permitem tarifas extras ou cotas temporárias. Recentes decisões da China e da União Europeia colocam pressão direta sobre as exportações do agronegócio brasileiro, especialmente carnes, podendo reduzir volumes, margens e previsibilidade para produtores e frigoríficos.
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As Medidas de Salvaguarda funcionam como um “freio de emergência” no comércio internacional. Diferentemente de sanções por práticas ilegais (como dumping), elas são mecanismos legítimos de defesa previstos pela Organização Mundial do Comércio (OMC).
Na prática, permitem que um país aumente tarifas ou imponha cotas quando um crescimento súbito das importações causa — ou ameaça causar — dano grave à indústria doméstica. É proteção temporária, não punição.
Ou seja, as Medidas de Salvaguarda não são improviso: exigem estudos técnicos, dados sólidos e notificações formais.
Porque grandes mercados resolveram puxar o freio — e o Brasil está no retrovisor.
O crescimento consistente das exportações brasileiras, sobretudo de proteína animal, coincidiu com pressões internas em países importadores. Resultado: o instrumento técnico virou também uma ferramenta política.
A China acionou Medidas de Salvaguarda alegando que o aumento das importações de carne bovina desorganizou seu mercado interno.
Entre 2019 e 2023, as compras externas saltaram de 165,9 mil para 273,7 mil toneladas. Segundo Pequim, isso:
Foi criada uma “linha de corte”:
O problema? Esse teto é 35% menor que o volume já exportado pelo Brasil. Traduzindo: exportar mais virou sinônimo de prejuízo.
Aqui, as Medidas de Salvaguarda deixam de ser teoria e passam a pesar direto no caixa.
Na Europa, o cenário é ainda mais sensível. Mesmo após a assinatura do acordo Mercosul-UE, o Parlamento Europeu aprovou gatilhos de proteção mais rápidos para agradar agricultores locais.
Agora, basta que importações de produtos “sensíveis” (como carne bovina ou de frango) cresçam 5% na média de três anos para abrir uma investigação.
A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) vê risco elevado:
Estimativa: 105 milhões de euros em risco só na carne bovina — cerca de 25% das exportações ao bloco em 2024.
Mais uma vez, as Medidas de Salvaguarda surgem como barreira silenciosa.
Mesmo sem lidar diretamente com tarifas, o produtor sente:
Ou seja, quando o mercado fecha lá fora, o reflexo aparece dentro da porteira.
Sim, mas com parcimônia. Dados do Mdic mostram uso pontual:
Hoje, ironicamente, o Brasil está mais do lado atingido do que do usuário das Medidas de Salvaguarda.
O tema tende a ganhar ainda mais espaço:
Para o agronegócio brasileiro, entender Medidas de Salvaguarda deixou de ser assunto acadêmico. É estratégia.
Imagem principal: IA.
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