Cuidando de quem cuida, projeto Espalhando Cuidados dá suporte às mães em vulnerabilidade social

Compartilhar

Se antes da pandemia a mulher brasileira da periferia vivia sobrecarregada, desempenhando suas funções de modo solitário, com a pandemia, ela se encontra em uma situação ainda mais complexa de maior vulnerabilidade. É neste contexto que a Sociedade Movimento dos Focolari (SMF), uma entidade sem fins lucrativos, com sede em Vargem Grande Paulista, na grande São Paulo, desenvolve o projeto chamado Espalhando Cuidados. Ele surgiu da necessidade de contribuir com o desenvolvimento de mulheres, pilares do núcleo familiar, vinculadas aos centros sociais mantidos pela SMF.

São inúmeros os trabalhos feitos com jovens e crianças, mas a SMF identificou uma demanda e, desde então, tem-se feito uma pergunta constantemente. “Quem cuida de quem cuida?”. Com o objetivo de dar apoio e criar uma rede de sustentação para mães solos, lactantes, responsáveis por crianças, adolescentes e as avós, nasce o projeto.

De acordo com o gerente de projetos da SMF, André Prevatto, a muitos anos, a entidade trabalha no acesso a direitos, cuidados com crianças e adolescentes e procura entender quais são as demandas do nosso tempo. “Além do trabalho com crianças e adolescentes, percebemos os vínculos sociais esgarçados em nossa região. Para cuidar da criança para além desse cuidado diretamente, era necessário espalhar o cuidado para além dos muros de nossa organização e, assim, cuidar também de quem cuida”, explica Prevatto.

A assistente social da SMF, Sandra Lemes, que atua no Centro Social Jardim Margarida, mantido pela instituição, conta que, em fevereiro de 2021, houve um decreto no Estado de São Paulo determinando o fechamento das atividades em razão da pandemia. Desta forma, todos os funcionários que ali estavam teriam que ir para suas casas, trabalhar em regime de home office.

“Ali eu vi a oportunidade de iniciar um trabalho com as mães, uma vez que não seria realizado mais o plantão social no centro. E essas mães, essas mulheres, precisavam ser acompanhadas. Então, foi criado um grupo via WhatsApp para seu atendimento.  Em um primeiro momento nós inserimos 15 mães, para que pudéssemos fazer um atendimento online”, comenta. “A criança, quando ela vem para o projeto, ele por si só já é uma rede de apoio. Ela já está inserida no projeto, e já tem a escola, outros órgãos, mas qual é a rede de apoio da mãe?  Ficou cada vez mais evidente a importância de ficar junto dessa mãe, dessa figura cuidadora.  Por isso surgiu o Espalhando Cuidados”, relata Sandra.

A psicóloga da Primeira Infância da SMF, Ana Amélia Machado, que trabalha com professores, educadores e com a família, acredita que fortalecer, instrumentalizar, capacitar e trazer a luz às dúvidas, criam vínculos sólidos, relacionamentos, com as crianças pequenas.  “Há um famoso ditado africano que diz ‘É preciso de uma aldeia inteira para criar uma criança’. Auxiliamos com o projeto no desenvolvimento integral da criança, com todos em prol do indivíduo.  O projeto tem um olhar muito delicado”, argumenta.

“O que me motiva é compartilhar e expandir a importância dos primeiros anos de vida do ser humano. Iniciei no auge da pandemia e com ferramentas digitais, atingimos o grupo com pílulas, com assuntos para que elas se alimentem desses assuntos, com material de apoio e tem dado muito certo”, avalia.

Cuidar de quem cuida

Uma das mulheres acolhidas no projeto é Alessandra Alves de Campos, mãe de três filhos e moradora do Jardim Margarida.  Ela conta um pouco sobre como a ação social a tem auxiliado.

“Eu não posso trabalhar no momento. O meu filho mais novo, de dois anos, é asmático e não pode ter contato com pessoas gripadas nem com Covid.  É complicado para mim, que não tive nenhum filho com problema anteriormente e enfrento situações difíceis com ele”, relata. “Os meus maiores desafios são a educação, orientações sobre tudo o que acontece no mundo e as más condições financeiras acentuadas na pandemia. Aqui, cada dia temos uma novidade, um aprendizado e a gente pode também auxiliar a outras mães que também engravidaram na adolescência, assim como eu. Tive que anular meus sonhos para cuidar dos meus filhos, mas lembro que nós não nascemos adultas”.

A também moradora do mesmo bairro, Geovana Detomi, conta que conhecer o projeto foi maravilhoso, para ela e para as suas crianças. “Fiquei muito feliz, foi algo realmente muito bom. Este apoio chegou em uma hora que eu estava precisando muito, até mesmo de uma palavra de incentivo, de entusiasmo e positividade. Gostei muito e me sinto privilegiada. Aqui a mãe tem cuidado, eles ouvem o que a mãe precisa, às vezes de um simples carinho amigável”, avalia.

Sobre a Sociedade Movimento dos Focolari (SMF)

A Sociedade Movimento dos Focolari (SMF) é uma entidade sem fins lucrativos cujo principal objetivo é o de reduzir as desigualdades sociais para uma sociedade mais unida, justa e fraterna.

A SMF apoia projetos e pessoas por meio do desenvolvimento de ações práticas para a transformação da realidade de comunidades em situação de vulnerabilidade social, com estratégias para o fortalecimento de vínculos sociais, desenvolvimento comunitário e difusão de uma cultura da fraternidade universal e da ética do cuidado.

Acompanhe pelas redes sociais: https://www.facebook.com/smfocolari


Compartilhar

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.

%d blogueiros gostam disto: