“Segunda Sem Carne” gera debates após suposto apoio da revista Globo Rural

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A publicação da revista envolvendo a “Segunda Sem Carne” repercutiu entre pecuaristas e recebeu notas de repúdio da Nelore Brasil

“Segunda Sem Carne”

“Segunda Sem Carne” é um movimento internacional que tem como objetivo a redução do consumo de carne na alimentação. Quem adere ao movimento, toda segunda-feira, faz uma alimentação vegetariana. O movimento também segue a premissa de incentivar uma alimentação mais diversificada rica em verduras e legumes.

A escolha editorial em designar um espaço exclusivo para receitas vegetarianas dá a entender que a revista apoia o movimento, o que gerou a controvérsia, já que grande parte do público possui uma alimentação que inclui o consumo de carnes.

Carta aberta

Em sua carta publicada no Instagram, o presidente da Nelore Brasil, Nabih El Aouar, disse que sentiu que a revista desprezou os pecuaristas. “Poderíamos esperar tudo, mas a revista Globo Rural fez um post que deprecia a carne bovina, um alimento nobre, saudável e essencial para as pessoas.

A Associação dos Criadores de Nelore do Brasil não podia ficar calada e expressa o seu profundo desapontamento com o desprezo da revista (que deveria defender o agro) aos pecuaristas brasileiros”, escreveu o presidente.

Nabih deixa claro em seu posicionamento que não discute valores, dogmas e convicções. Apenas sentiu que dar tanto destaque para um movimento assim pode prejudicar muitos produtores, principalmente os de pequeno porte.

Os pecuaristas comentam que para crescimento de um setor não se deve depreciar outro. O problema apontado foi que a publicação teve muita ênfase ao movimento com a manchete “Segunda sem carne”. Bastaria publicar simplesmente uma receita vegetariana ou vegana, e intercalar com receitas com carne, assim todo o público-alvo ficaria satisfeito.

O presidente da Nelore também se manifestou em relação ao posicionamento da revista. “Não posso entender como uma empresa jornalística voltada para o AGRO crítica um dos principais segmentos deste setor que gera renda, emprego, alimento para a população brasileira e ainda dignidade para todos que fazem parte desta cadeia produtiva. Isso é uma indiferença ou um desrespeito à classe pecuária?”, indagou.

Nabih ainda declarou achar mais justo e louvável que a revista Globo Rural praticasse uma reportagem mais transparente e imparcial, merecendo o respeito dos pecuaristas brasileiros e dos apreciadores de carne vermelha e derivados.

Os pecuaristas se pronunciaram nas redes sociais concordando com o posicionamento do presidente da Nelore. Os comentários reafirmam que uma alimentação mais verde também faz parte do agro, tudo é agro.

Compromisso e imparcialidade

Um veículo segmentado pode ter esse tipo de controvérsia quando se posiciona, mesmo que sem intenção, a favor de uma parcela específica do seu público-alvo. Entretanto, visando evitar contratempos como esse, o posicionamento desses veículos com públicos com interesses diversificados deveriam ser neutros e não priorizar nenhum movimento em detrimento de outro.

Seguindo a analogia de que um caminhão, por exemplo, gera poluição, mas é necessário para não haver desabastecimento e não causar uma possível crise, o mesmo acontece com a produção de carne no Brasil. Ela é necessária, pois movimenta a economia. Além de alimentar milhares de pessoas, sustenta inúmeras famílias que sobrevivem do agronegócio.

Além disso, “Sistemas de produção de gado de corte com animais e pastagens bem manejados têm potencial para apresentar um balanço de carbono positivo, mesmo sem a introdução de árvores”, revela a coordenadora da Rede Pecus, Patrícia Anchão Oliveira, pesquisadora da Embrapa Pecuária Sudeste. Ou seja, um bom manejo permite retirar mais GEEs da atmosfera do que a atividade é capaz de lançar nela (fonte Embrapa).

É necessário que revistas desse porte tenham mais cuidado ao se posicionar a favor de um movimento como esse, pois pode trazer prejuízos para grande parte de seu público.


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