Saiba aqui como comprar touros com avaliação genética.
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Características que devem ser avaliadas para seleção ou compra de touros.
Introdução Freqüentemente, é preciso tomar decisões sobre seleção ou descarte de touros na própria fazenda ou por ocasião da aquisição destes animais no mercado. Em locais onde há predominância da fase de cria da pecuária bovina, como na região do Pantanal, o descarte e a conseqüente reposição de touros devem ocorrer de forma sistêmica. Assim, a avaliação dos novos touros a serem introduzidos nos rebanhos merece atenção especial de produtores e técnicos.
Ao se pensar em reprodutor, naturalmente, a primeira característica a ser avaliada é a fertilidade. Em seguida é preciso que o touro tenha libido e boa funcionalidade, de forma que este animal possa identificar as vacas em cio, cobrir e fecundar essas matrizes. Finalmente, espera-se que as suas filhas sejam adaptadas ao sistema de produção, férteis, com baixo custo de mantença e que os seus filhos tenham boa conformação frigorífica, ou seja, em síntese: é preciso que o touro tenha valor genético superior, em sintonia com o ambiente e o sistema de produção da fazenda.
Alguns indicadores da anatomia dos animais relacionados com aspectos reprodutivos, conformação frigorífica e características raciais podem auxiliar na tomada de decisões de quais touros selecionar ou descartar. Este trabalho relaciona e discute as características que devem ser avaliadas para a seleção e compra de touros.
Fertilidade
Quanto ao aparelho reprodutivo, deve ser observado com cuidado, em primeiro lugar, a bolsa escrotal e, em seguida, o conjunto bainha-prepúcioumbigo.
Os dois testículos devem ser simétricos, proporcionando à bolsa escrotal um perímetro compatível com a idade do animal. Em geral, esta medida varia desde 26 cm, para touros jovens, a até 38 cm, ou às vezes mais, para touros adultos. Os defeitos mais freqüentes e que devem ser motivos de descarte, neste item da avaliação, são: desenvolvimento inadequado de um ou dos dois testículos, denominado hipoplasia testicular, e ausência de um ou dos dois testículos, conhecido por monorquidismo e criptorquidismo, respectivamente.
Quanto ao umbigo, deve ser evitado umbigo muito caído, dito penduloso. Esse defeito pode ser agravado na presença de um outro, chamado de prolapso do prepúcio. Nesta situação, é freqüente a ocorrência de processos inflamatórios que diminuem a eficiência reprodutiva do touro.
A avaliação destas estruturas anatômicas pode ser muito útil na tomada de decisão, da eleição ou do descarte de um touro. No entanto, existem outros defeitos que só podem ser detectados com o suporte de um técnico especializado na execução do denominado exame andrológico. Neste caso, citam-se: a flacidez testicular, a aderência da glande ao prepúcio, os desvios do pênis e/ou da glande, que podem inviabilizar a penetração e a ejaculação no trato reprodutivo da fêmea, e os problemas específicos relacionados a qualidade do sêmen.
Libido e Funcionalidade
Não basta, no entanto, que toda a anatomia do sistema reprodutivo esteja adequada. É preciso que o touro tenha libido, ou seja, o desejo instintivo pela fêmea em cio. No caso da libido, característica mais difícil de ser avaliada por exames específicos, o que pode ser feito numa avaliação em campo, é avaliar a masculinidade do animal, expressa pelas características sexuais secundárias, influenciadas pelo hormônio testosterona, tais como cabeça robusta, pescoço mais grosso com pelos grossos e escuros, forma e tamanho maior do cupim.
Boa libido, no entanto, pode não ser suficiente, caso o touro venha a apresentar alguma deficiência do ponto de vista funcional. Neste aspecto, é fundamental uma avaliação detalhada dos aprumos, que deve envolver os aprumos dianteiros, traseiros e de perfil. Defeitos de aprumo podem comprometer não apenas as caminhadas em busca de alimento e de água, como também a procura pelas vacas em cio e o ato da cobertura, propriamente dita, para a realização da fecundação.
Conformação Frigorífica
Conferidas todas as características relacionadas à fertilidade, a capacidade fecundante e à funcionalidade do reprodutor, é preciso verificar sua conformação frigorífica. Interessa a maior produção de bezerros possível. No entanto, é preciso que estes produtos apresentem boas qualidades para recria e engorda, conforme demanda o mercado para o qual serão oferecidos.
A conformação frigorífica é constituída, basicamente, por três componentes principais: estrutura, musculosidade e precocidade de acabamento, medida pelo grau de deposição de gordura na carcaça.
A estrutura é a indicação da caixa do animal, cujas dimensões a serem observadas são: comprimento, profundidade e arqueamento de costelas. A musculosidade refere-se à quantidade e à forma da massa muscular, podendo ser avaliada pela análise da musculatura da paleta, soldra, coxa e entrepernas, entre outros pontos anatômicos. A precocidade de acabamento, por sua vez, é indicada pela cobertura de gordura desde o fio do lombo até a inserção da cauda, passando pelo cupim, barbela, maçã do peito e parte ventral do animal e pela relação membros-costado.
Características Raciais
As características raciais não podem ser negligenciadas, na medida em que são indicadoras de pureza, de homozigose que, além de indicar ser o touro livre de portar algum defeito, lhe confere prepotência, ou seja, a capacidade de transmitir suas características à progênie. O atendimento ao padrão da raça é, portanto, importante no sentido de proporcionar a criação de animais equilibrados, harmoniosos e funcionais, aumentando-se a freqüência destas características no rebanho, com o discernimento de que o preciosismo quanto a detalhes não deve prevalecer sobre o principal objetivo do empreendimento pecuário: a produtividade. Avaliação Genética Finalmente, embora algumas características de exterior possam ser indicativas do valor genético de um touro, especialmente para aquelas de média a alta herdabilidade, a garantia máxima que se pode ter a este respeito é o resultado da avaliação genética na qual constam os valores de Diferença Esperada na Progênie (DEP); acurácia, a precisão da estimativa da DEP; e a posição que o animal ocupa na população onde ele foi avaliado, o chamado top ou percentil.
A DEP é a expectativa que se tem da progênie de determinado touro, em relação à população. É expressa em kg, cm, mm, etc., dependendo da característica, podendo ser negativa ou positiva. A acurácia, sendo a precisão da DEP, varia de zero a 100% e o percentil vai de 1% a 99%, o primeiro incluindo a cabeceira e o último os animais do fundo do rebanho. Em geral, por incluir os destaques da população, o percentil 1% é dividido em 0,1% e 0,5%, para um melhor detalhamento das diferenças entre estes animais.
Como exemplo, observa-se na Tabela 1 alguns dados do touro Demetrio, RGD: CLD 246, filho de Garimpeiro em vaca Bitelo, que foi leiloado recentemente em Campo Grande, MS, no 29o . Leilão do Patriarca – edição 2007.
A utilização deste touro gera a expectativa de bezerros que deverão pesar 17 kg a mais na desmama, estimativa que inclui este touro entre os 0,5% melhores indivíduos dentro da população avaliada, cerca de 1 milhão de animais de 149 rebanhos participantes do Programa Embrapa de Melhoramento de Gado de Corte – GENEPLUS (www.cnpgc.embrapa.br~/geneplus, 2007).
Conclusões
A aquisição de touros para o rebanho de cria é um aspecto extremamente importante na tomada de decisão, pois envolve, além do investimento direto nesta compra, o desempenho produtivo e reprodutivo do rebanho e o progresso genético dos animais. Assim, diferentes aspectos devem ser levados em conta quando da compra ou da seleção destes reprodutores no próprio rebanho. Em geral, salientam-se a fertilidade, a libido, funcionalidade, conformação frigorífica, características raciais e os resultados de avaliação genética, especialmente, em termos de DEP – Diferença Esperada na Progênie.
Autores:
Antonio do Nascimento Rosa Engenheiro Agrônomo, Dr., Embrapa Gado de Corte.
Urbano Gomes Pinto de Abreu Médico Veterinário, Dr., Embrapa Pantanal.
Fonte: Embrapa.
Imagem principal: Depositphotos.
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