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Biossegurança pode evitar volta da peste suína ao Brasil

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Boas práticas de biossegurança podem evitar volta da peste suína africana ao Brasil.

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A Peste Suína Africana (PSA) é uma doença hemorrágica de suínos, exótica e de notificação obrigatória. Já ocorreu no Brasil na década de 1970 e hoje é considerada erradicada. Entretanto, é fundamental que os produtores estejam atentos aos sintomas, pois o retorno dessa enfermidade pode causar prejuízos de bilhões de dólares à suinocultura nacional.

Com base no impacto econômico da introdução da PSA nos Estados Unidos, estimado em US$ 16,5 bilhões no primeiro ano de surto, e nas matrizes suínas de ambos os países, é possível prever que no Brasil, o prejuízo seria de um terço desse valor, ou seja, aproximadamente US$ 5 bilhões apenas no primeiro ano.

Por ser uma doença exótica e que pode se assemelhar a outras clinicamente, inclusive a Peste Suína Clássica (PSC), o diagnóstico laboratorial deve ser realizado em laboratórios oficiais do Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (Mapa).

A PSA e a PSC são enfermidades virais graves que infectam o suíno, causando grandes perdas econômicas. Apesar de causadas por vírus diferentes – a PSA por um vírus DNA da família Asfarviridae e a PSC por um vírus RNA da família Flaviviridae – os sintomas são semelhantes.

O Brasil tem um programa nacional para controle da PSC e, atualmente, grande parte do território é reconhecida internacionalmente como livre dessa doença. Vale destacar que nenhuma delas é contagiosa para humanos.

A PSA foi identificada inicialmente na África, mas atualmente está presente em vários países produtores de suínos na Ásia, África, Europa e, mais recentemente, nas Américas, como na República Dominicana, onde foi identificada em julho de 2021.

O vírus da PSA (VPSA) infecta várias espécies de suídeos: suínos domésticos e selvagens, javali europeu, warthogs e bushpigs. Os dois últimos são os hospedeiros naturais do vírus na África e nessas espécies não se observam sinais de doença.

No entanto, em suínos domésticos e selvagens, a PSA é muito grave. Já foram identificados 23 genótipos diferentes do VPSA, todos na África. A maioria dos genótipos do vírus é altamente virulenta, com taxas de mortalidade muito altas. Além de letal, o VPSA tem o potencial de se espalhar rapidamente e é transmitido de várias formas, principalmente por secreções e sangue.

Pode se disseminar também pela carne ou produtos cárneos infectados (o VPSA resiste até 1000 dias na carne congelada), fomites (equipamentos, calçados, veículos, vetores como ratos, moscas), contato suíno-suíno (doméstico, subsistência e silvestre) ou por picadas de insetos (mosca do estábulo, mosquitos) e carrapatos do gênero Ornithodorus.

Alguns carrapatos como Ornithodoros moubata e O. erraticus são vetores biológicos, uma vez que se infectam com o VPSA e o transmitem para sua prole, dificultando a erradicação da doença.

O VPSA é muito resistente à ação física e química, incluindo baixas temperaturas e calor (inativado a 56 ° C / 70 min; 60 ° C / 20 min e em pH inferior a 3,9 ou superior a 11,5 em meio isento de soro). Desinfetantes como hidróxido de sódio (8/1000 por 30 min), hipocloritos (3% de cloro por 30 min), formalina (3/1000 por 30 min) e ortofenilfenol (3% por 30 min), além de compostos de iodo, podem impedir a sua disseminação.

O período de incubação do VPSA é de quatro a 19 dias. A doença pode ser apresentar nas formas aguda, subaguda e crônica em suínos de todas as faixas etárias. Os sinais da forma aguda são caracterizados por inapetência, febre, leucopenia, petéquias e hemorragias na pele (orelhas, flancos) e elevada mortalidade.

A sintomatologia subaguda ou crônica inclui abortos, sintomas respiratórios e baixa mortalidade. As lesões dependem da forma de apresentação clínica da PSA e da variante viral, mas nas formas aguda podem ocorrer hemorragias extensas em órgãos internos (baço, linfonodos e rins), hidropericárdio, hidrotórax, ascite, edema no trato alimentar.

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Na subaguda observam-se hemorragias em linfonodos, rins e baço (aumentado), congestão, edema pulmonar e pneumonia intersticial. Já na crônica ocorrem lesões no trato respiratório, linfonodos e baço.

Não existe tratamento ou vacina comercial no momento, mas já estão em desenvolvimento. Enquanto isso, o controle é realizado a partir do diagnóstico da doença seguido de eliminação do rebanho, vazio sanitário e descontaminação, conforme preconizado pela Organização Mundial da Saúde Animal (OIE). Em casos suspeitos, o produtor deve contatar imediatamente a defesa sanitária animal.

O Mapa está implementando cuidados nas fronteiras e na importação de produtos agrícolas e alimentos de países onde a PSA foi identificada. A partir da Vigilância Agropecuária Internacional (Vigiagro), tem reforçado controles nos portos e aeroportos. Outras medidas incluem o monitoramento de javalis, evitar o contato desses animais com suínos domésticos de subsistência ou criados soltos.

Outra medida importante é a capacitação de caçadores, de forma a integrá-los ao controle da PSA para evitar a disseminação do vírus e reforçar boas práticas de biosseguridade.

Os produtores podem contribuir com ações para reforçar essas boas práticas.

Entre elas, destacam-se aumentar a vigilância de suínos domésticos em áreas de alto risco, como as que incluem presença de javalis e lixões, além de evitar alimentar os animais com restos de comida. Outras medidas muito importantes para aumentar a biosseguridade em granjas de suínos domésticos são proibir visitas e implementar um plano de contingência para PSA.

A prevenção da doença inclui ainda um sistema de alerta eficaz, treinamento e capacitação de veterinários e produtores, além de apoio legal e recursos (fundos indenizatórios, diagnostico, entre outros). Mais informações sobre a PSA podem ser acessadas em página específica sobre o assunto no portal Embrapa.

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Fonte: Revista Globo Rural. Por: Janice Reis Ciacci Zanella e Luizinho Caron são pesquisadores da Embrapa Suínos e Aves. Imagem principal: Depositphotos.


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