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Quanto tempo devo esperar para inseminar vacas após o parto

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Quanto tempo após o parto devo esperar para inseminar minhas vacas de novo?

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Pesquisador da Embrapa revelou tempo média de espera ideal tanto para vacas zebuínas como taurinas e recomendou o que fazer com as matrizes mais tardias.

Você sabia que existe um período ótimo de espera do pós-parto para desafiar novamente uma vaca à reprodução? Encontrar essa data pode aumentar em 13% a chance de reconcepção e ainda trazer uma economia de insumos usados na estação de monta. Nesta segunda, dia 09, o pós-doutor em medicina veterinária Luiz Pfeifer, pesquisador da Embrapa Rondônia, trouxe detalhes de uma pesquisa desenvolvida em parceria entre a própria unidade da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária e a Udesc, a Universidade do Estado de Santa Catarina, que analisou as variáveis para encontrar a hora certa do criador desafiar suas fêmeas.

Segundo Pfeifer, a pesquisa analisa um pequeno recorte dentro do sistema reprodutivo de uma fazenda, mas conforme as fazendas intensificam a aplicação de tecnologias, o peso dos detalhes no resultado fica ainda maior e ganha proporção em um país como o Brasil.

“Quando a gente pega fazendas que estão cada vez mais tecnificadas, cada vez mais acostumadas a usarem os protocolos, fazendas que entenderam que a vaca tem exigências e que essas exigências precisam ser supridas para a vaca conceber, então essas fazendas conseguem índices bem superiores a isso (à média). […] Na concepção, a gente consegue melhorar a média, sim, através de seleção dos animais, selecionando animais mais aptos, mais férteis, que possam responder melhor a esses protocolos”, apontou.

De acordo com Pfeifer, a pesquisa quer entender a dinâmica de recuperação do aparelho reprodutor das matrizes. “Esse estudo a gente fez e continua fazendo com a equipe do doutor Rogério Ferreira, professor da Udesc, que eu tive o prazer de ter sido colega de faculdade. […] Um dos fatores que a gente está avaliando neste estudo é essa questão do pós-parto, ou seja, o restabelecimento de todo o trato reprodutivo das fêmeas a ponto dela já ser apta a conceber, ou seja, quando a gente já consegue protocolar. Então nós estamos tentando achar um ponto de corte tanto para raças taurinas como zebuínas, quando que seria esse ponto ótimo para que a gente não esteja protocolando vaca que não tenha condições de conceber, ou seja, […] que ainda não passou pela reparação dos tecidos uterinos ainda para que uma concepção ocorra ali”, explicou.

O veterinário projetou que é possível mudar o manejo reprodutivo realizado de modo geral no Brasil – um sistema de reprodução único para todas as fêmeas da fazenda. “É respeitar a natureza, tudo tem um tempo na natureza para ocorrer”, simplificou o pesquisador. “O criador pode ser beneficiado (se esperar mais um pouquinho). Então são vários fatores que têm que entrar nessa conta para tomar essa decisão. O produtor precisa de uma recomendação única. Mas a gente sabe que dentro do lote de parição, vai haver vacas que vão trancar um bezerro, que vão ter um parto distócico, um parto laborioso, mais demorado, o que já atrapalha na próxima recuperação também, animais que estão em condições de estresse, seja nutricional ou ambiental. […] Então são todos fatores que podem atrapalhar nessa recuperação uterina. E o que nós, no Brasil, fazemos? Fazemos uma receita de bolo ao colocar todo mundo junto. 30 a 40 dias depois (do parto), todo o lote vai para o início do programa de IATF, mas a gente sabe que, se começarmos a fazer uma sintonia fina, a gente consegue elevar esses índices e trazer mais retorno para o produtor”, estimou.

Luiz citou o número indicado em reportagem da DBO (acesse aqui o artigo “Pós-parto: qual o melhor momento para a IATF“) como o tempo de espera ideal após o parto, de 52 dias, e lembrou quais são os fatores que podem fazer esse número variar.

“O tempo de gestação da vaca zebuína é um pouco maior, mas ela recupera o útero mais rápido também. […] A gente selecionou vacas Nelore e iniciou programa de IATF, por exemplo, desde os 20 dias e fomos até 80 dias pós-parto. E aí a gente viu que para começar a manejar esses animais zebuínos, a gente está recomendando em cerca de 35 dias para iniciar o protocolo, ou seja, essas vacas vão ser inseminadas 45 a 46 dias pós-parto. Esse seria mais ou menos o ponto de corte das vacas zebuínas. Para as taurinas, parece que está indo por esse caminho também, entretanto, de sete a dez dias após esse período. Então a zebuína é um pouquinho mais precoce nesse sentido”, analisou. “Para a vaca zebuína, em torno de 45 dias ela pode estar sendo inseminada. E a taurina, mais dez dias (inseminação 55 dias após o parto)”, resumiu.

CRIADOR NÃO PODE DORMIR NO PONTO

O período serve não só como referência para a espera, mas também para não passar do ponto e iniciar o procotolo de IATF tardiamente. “A gente quer que o útero de restabeleça o quanto antes porque se a gente espera muito também, ela pode perder condição corporal e pode piorar. E tem outra coisa que certamente o criador deve estar pensando: se a gente esperar demais, a chance dela reconceber na estação seguinte diminui, pensando numa fazenda bem estruturada que tem uma estação reprodutiva bem definida. Esse é um dos objetivos, saber quanto é o mínimo para também a gente não atrasar tanto a ponto de que ela só tenha dois ou três ciclos naquela estação reprodutiva”, ponderou Pfeifer.

Além de aumentar os resultados, melhorando a taxa de concepção das matrizes, o criador também tem benefícios da ponta dos custos de produção, conforme lembrou o pesquisador. “A gente vai usar menos sêmen para emprenhar mais vacas. E aí deixar só aquelas vacas que precisam de mais tempo para se recuperar para o touro. Então maximiza o uso do touro e maximiza o uso do sêmen na propriedade”, observou.

O QUE FAZER COM AS VACAS QUE NÃO SE RECUPERARAM?

Conforme recomendou o veterinário, ao identificar as matrizes que ainda não recuperaram as condições físicas após o parto, o pecuarista pode separá-las do lote até que haja o restabelecimento. “Uma questão que é importante frisar sobre esse estudo prospectivo que a gente fez é que a gente avaliou as vacas pelo exame que a gente chama de vaginoscopia. Com um espéculo vaginal a gente olha lá na cérvix e vê como está a cérvix das vacas. A gente detectou que até 20% das vacas incluídas em protocolos de IATF ainda tinham uma descarga purulenta, ou seja, ainda tinham um pouco de infecção causada pelo parto, a endometrite clínica, que é muito fácil de identificar no rebanho com um simples exame. E nessas vacas, que podem ser até 20% do lote, a prenhez é baixíssima, entre 20% e 25% menor nessas vacas. Então se a gente retirar essas vacas do lote, a taxa de concepção dos lotes aumenta demais. A gente também conduziu outro estudo para ver a evolução desses casos e a gente observou o seguinte: […] com o tempo ela vai melhorar. Então se separá-la do lote, não precisa fazer nenhum tratamento adicional, gastar com antibiótico ou antiinflamatório, e ela pode entrar no lote depois. Então tem vacas que são mais precoces, têm uma recuperação endometrial mais precoce e tem vacas que têm que ser respeitadas por um tempo maior. Hoje a gente está trabalhando com a população, mas se a gente quiser aumentar a concepção, a gente vai ter que olhar o indivíduo”, comentou.

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Fonte: Giro do boi. Imagem principal: Depositphotos.


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