buva e capim amargoso

Interferência da buva e capim amargoso nas lavouras de soja

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Seleção de resistência ao herbicida permitiu às pragas buva e capim amargoso a desenvolverem concomitantes à cultura da soja RR.

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Veja também: Cascudinho da soja no sistema de cultivo soja-milho

A seleção de resistência ao herbicida glyphosate permitiu às plantas de buva (Conyza spp.) e capim amargoso (Digitaria insularis) se desenvolverem concomitantes à cultura da soja RR competindo por espaço, luz, água e nutrientes.

Recentemente a resistência a outros herbicidas como chlorimuron e, principalmente, paraquat e 2,4-D, dificultaram em muito controle da buva.

Considerando que a dessecação présemeadura da soja é o principal momento de controle para plantas daninhas, a resistência aos herbicida 2,4-D e paraquat reduziu drasticamente a eficiência de controle durante este manejo.

As falhas neste manejo de controle permitem o desenvolvimento da buva durante o ciclo da soja e consequente redução da produtividade.

Estudos recentes do Supra Pesquisa mostram as reais perdas observadas em produtividade na soja ocasionadas pelas populações de buva. Em presença de plantas daninhas nas densidades de 0, 1, 2, 3, 4, 6, 8, e 10 plantas m² as produtividades de soja foram de 4.075 kg/ha, 3.510 kg ha, 3.216 kg ha, 3.147 kg ha, 2.725 kg/ha, 2.322 kg/ha, 2.106 kg/ha e 1.669 kg/ha, respectivamente. Isso é muito dinheiro indo para o “ralo”, é o equivalente a uma camioneta Hilux® a cada 300 ha, para uma planta de buva por m² na média.

Assim, é possível verificar o alto potencial de interferência da buva sobre a soja. Isto justifica maior atenção para o controle a ser realizado para a buva durante a dessecação pré semeadura e durante o desenvolvimento da soja.

Além de servir como informação para tomadas de decisão econômica por parte dos produtores e profissionais. Ou seja, é importante agir, se não for de forma pró ativa (o ideal), que seja de forma reativa, realizando o controle, mesmo que paliativo, para que os prejuízos sejam mitigados/diminuídos.

Pensando no capim-amargoso, o manejo ocorre principalmente na dessecação pré-semeadura e o manejo incorreto pode acarretar a presença de plantas entouceiradas na lavoura e com tecido de reserva (rizoma), dificultando seu controle e potencializando os danos na soja.

Também foram realizados estudos pelo Supra Pesquisa para se determinar as perdas em produtividade na soja.

As produtividades de soja foram de 4.341 kg/ha, 3.427 kg/ha, 3.023 kg/ha, 2.454 kg/ha e 1755 kg/ha, na presença de 0, 1, 2, 4 e 8 planta m² de capim-amargoso. Ou seja, uma touceira de amargoso por m² leva 1/5 da produtividade embora!

Diante do cenário de resistência do capim-amargoso ao herbicida glyphosate, que causou acréscimo do custo de controle por necessidade de usar graminicidas para seu controle, estas informações servem para auxiliar os agricultores e demais profissionais do campo, quanto às tomadas de decisões em relação ao custo/benefício do uso de herbicidas.

No sentido de que, o uso de herbicidas deve ser encarado como investimento, seja na dessecação pré-semeadura, seja em pré-emergência, ou em pós dentro da cultura. Isso vale tanto para buva e capim-amargoso, quanto para qualquer outra planta daninha. Lembrando sempre que o manejo deve ser integrado e pensado no sistema.

Autores:

    Alfredo Jr. P. Albrecht, Prof. Dr. Eng. Agr.

    Laércio Augusto Pivetta, Prof. Dr. Eng. Agr.

    Leandro Paiola Albrecht, Prof. Dr. Eng. Agr.

    André Felipe Moreira Silva, Dr. Eng. Agr.

    Juliano Bortoluzzi Lorenzetti, Me. Eng. Agr.

    Maikon Tiago Yamada Danilussi, Me. Eng. Agr.

Fonte: Supra Pesquisa. Imagem principal: Depositphotos.


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