Linhagens de mosca-da-haste na América do Sul

Linhagens de mosca-da-haste na América do Sul

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Quantas linhagens de mosca-da-haste estão presentes na América do Sul?

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A produção de soja na América do Sul concentra-se no Brasil, Argentina, Paraguai e Bolívia, nessa ordem. Juntos, esses quatro países produziram 187 milhões de toneladas de soja em 58 milhões de hectares na safra 2019/20, correspondendo a cerca de 50 % da produção mundial. Essa importante região produtora da América do Sul encontra-se constantemente sob a ameaça de pragas e patógenos, muitos deles não-nativos do continente.

Entre estes invasores encontra-se a mosca-da-haste, Melanagromyza sojae. Nativa da Ásia, sua ocorrência foi confirmada oficialmente na região Sul do Brasil em 2015, e na região Centro-oeste em 2018; entretanto, acredita-se que a espécie já estava presente no país desde 1983. Nos últimos anos, a mosca-da-haste invadiu também o Paraguai (2017), Bolívia (2019) e finalmente a Argentina (2020), colonizando praticamente todo o Cone Sul do continente.

Figura 1. Países com ocorrência de M. sojae, produção anual de soja (milhões de toneladas) e centro de origem da praga. Em destaque (B) a principal região de cultivo da soja na América do Sul, responsável por 50 % da produção mundial.

Além da confirmação da presença do inseto em si, um passo importante na construção de programas de manejo integrado é a caracterização genética das populações invasoras. Por meio da comparação do genoma mitocondrial em indivíduos provenientes de diferentes locais, é possível identificar o número de haplótipos (ou seja, linhagens maternas) de M. sojae presentes na América do Sul e, conseqüentemente, estimar o grau de diversidade genética dessas populações.

Em uma análise preliminar envolvendo amostras de mosca-da-haste provenientes do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Goiás, Paraguai, Bolívia e Argentina, Pozebon et al. (2021) identificaram um total de 22 linhagens diferentes, número considerado elevado. Esse padrão é semelhante ao verificado para outras pragas invasivas no Brasil, como Helicoverpa armigera, e pode ser considerado uma evidência de que múltiplas introduções da praga ocorreram na América do Sul.

Em outras palavras, o estudo indica que pelo menos 22 fêmeas diferentes de M. sojae foram introduzidas no continente a partir de outras regiões do mundo, já que o DNA mitocondrial apresenta herança exclusivamente materna. A Figura 2 ilustra a distribuição dessas linhagens no continente: o tamanho de cada gráfico indica o número de amostras, e o tamanho de cada parcela indica a freqüência de ocorrência da linhagem naquele local.

Figura 2. Distribuição das diferentes linhagens de M. sojae na América do Sul. As linhagens são nomeadas como Msoj-COI-01 a Msoj-COI-23, sendo COI (citocromo-oxidadase-I) o gene sequenciado e comparado entre as amostras.

Percebe-se que as linhagens Msoj-COI-01 e Msoj-COI-02 são as mais freqüentes no continente e, portanto, as que melhor se adaptaram às condições de cultivo da América do Sul. Além disso, não há uma separação geográfica clara entre as linhagens: a maioria delas está presente em vários países, ao invés de apenas um. Esse comportamento é um forte indicativo de fluxo genético ocorrendo através das fronteiras, ou seja, trânsito livre de mosca-da-haste de um estado para outro, e de um país para outro. Dessa forma, é altamente provável que M. sojae se disperse cada vez mais, atingindo os demais estados brasileiros e intensificando sua disseminação nos países vizinhos.

Ainda, é comum que diferentes linhagens de uma mesma praga apresentem características distintas entre si: preferência por determinados hospedeiros, por exemplo, ou resistência a inseticidas. Assim, dentre as linhagens presentes na América do Sul, é possível que pelo menos uma apresente características favoráveis à colonização da safra principal de soja, e não apenas da segunda safra (ou safrinha), como ocorre até o momento.

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Fonte: Equipe Mais Soja. Por: Henrique Pozebon.


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