“É preciso ouvir o que os suínos estão nos dizendo para oferecer a melhor nutrição”, assinala CEO da Auster Nutrição Animal

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É parte da rotina dos suinocultores ter questionamentos periódicos sobre a nutrição dos animais, como a quantidade certa de alimentos a ofertar em cada fase ou quando introduzir aditivos. Afinal, a alimentação representa o maior custo da produção e analisar esses fatores faz todo o sentido, explica Paulo Portinho, CEO da Auster Nutrição Animal. “Porém, um passo atrás pode levar a uma pergunta ainda mais importante: ‘O que o animal deve comer?'”, assinala. Em sua visão, antes de pensar na formulação utilizada é preciso visitar os animais. “Nós começamos o processo de trás para frente, analisando a condição corpórea, as fezes. Com isso, podemos ouvir o que os animais estão nos dizendo”, compara o CEO da Auster.

Para entregar aos consumidores finais a carne suína que atenda às suas exigências, é preciso pensar no processo completo, que tem início na escolha de nutrientes fornecidos aos suínos. “As condições de mercado e as estruturas de algumas empresas distanciaram os olhos dos nutricionistas da realidade tanto na própria fábrica de ração quanto na estrutura da produção”, diz Paulo Portilho.

Com o crescimento do mercado, pontos cruciais foram sendo deixados de lado, o que pode levar a uma nutrição “mais fechada”, que se isola em demandas pontuais e não contextualiza sua produção. Um exemplo disso, segundo o CEO da Auster, é a ideia de se produzir um suíno que seja “ideal para produção de embutidos”.

“Essa não é a realidade do mercado brasileiro. É preciso pensar, também, na produção de uma carne que possa ser assada somente com sal”, enfatiza, mirando em outro contexto: a alta do milho. “No passado, era comum a procura por insumos alternativos, algo que perdemos ao longo do tempo e possivelmente tenhamos de resgatar. Na terra da soja e do milho precisaremos, sim, apresentar opções que não comprometam a produtividade”.

Essa necessidade de ter alternativas para a nutrição animal alinhada à exigência crescente dos produtores por redução de custos torna a missão do nutricionista mais desafiadora, mas, ainda assim, Portilho destaca a capacidade da suinocultura brasileira. “Nós podemos continuar abastecendo o mundo. Temos condições e ferramentas favoráveis para isso”.


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