O coice de cavalo pode parecer uma reação simples, mas esconde razões profundas que vão de defesa instintiva a dor e traumas. Compreender as causas e sinais que antecedem esse comportamento é essencial para garantir segurança no manejo e prevenir acidentes graves com o animal.
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O coice é um comportamento que, apesar de comum, muitas vezes é mal interpretado por quem convive com esses animais. Diferente do que muitos pensam, cavalos não coiceiam sem motivo. Mesmo que o movimento pareça uma simples reação a um incômodo, como afastar uma mosca, ele pode colocar em risco a integridade física de quem estiver por perto.
Em 2024, veterinários e treinadores equinos alertaram que a maioria dos casos de coice está ligada a fatores físicos ou emocionais. Entre os gatilhos mais comuns estão:
Embora nem todos os coices sejam agressivos, é fundamental entender quando eles representam um risco real. Isso exige observar atentamente o comportamento e o contexto em que o animal está inserido.
Na natureza, o coice de cavalo é uma das principais formas de defesa. Um cavalo pode reagir com extrema força ao sentir-se ameaçado, seja por predadores, por outro cavalo ou mesmo por uma pessoa invadindo seu espaço. É um mecanismo ancestral, herdado de seus tempos selvagens.
Éguas com potros, por exemplo, tendem a ser ainda mais protetoras. Um garanhão que se aproxima no momento errado pode ser expulso com coices precisos. Mesmo domesticados, os cavalos mantêm esses instintos ativos. Por isso, é comum que um susto causado por um ruído repentino, um cachorro correndo ou um objeto em movimento leve o animal a reagir bruscamente.
Em ambientes urbanos ou de trabalho, como haras, cocheiras ou centros de treinamento, essa reação natural pode causar acidentes. Cavalos de tração que não estão familiarizados com arreios e carroças são especialmente propensos a reagir com coices, principalmente nos primeiros contatos com o equipamento.
Há situações em que o coice de cavalo ultrapassa o instinto de proteção e se transforma em um padrão comportamental. Isso geralmente acontece por experiências traumáticas, insegurança, dor crônica ou falhas no treinamento.
O cavalo, ao perceber que o coice afasta o que o incomoda — seja um tratador, outro animal ou um objeto — começa a utilizar esse comportamento como resposta constante. Isso é chamado de coice vicioso.
Esse comportamento é especialmente perigoso em eventos, cavalgadas e provas esportivas, onde há grande circulação de pessoas e outros animais. Um cavalo com tendência a coicear pode causar acidentes graves ao reagir de forma inesperada durante o encilhamento, a aproximação de outros cavalos ou até mesmo ao passar por obstáculos.
A maioria dos cavalos avisa antes de dar um coice. A leitura correta da linguagem corporal é a melhor ferramenta para evitar acidentes. Entre os principais sinais de alerta estão:
Aprender a interpretar esses sinais ajuda a prever o comportamento e se afastar antes que a situação se torne perigosa.
Lidar com cavalos que apresentam comportamento agressivo exige atenção constante, paciência e técnicas específicas. Algumas práticas essenciais incluem:
Além disso, o acompanhamento de um treinador experiente ou de um especialista em comportamento equino pode ser fundamental para reverter o padrão de coice vicioso.
Alguns criadores ainda recorrem ao uso das chamadas correntes de coice, presas às patas traseiras do cavalo. A ideia é que, ao tentar coicear, o desconforto gerado desestimule o comportamento.
Contudo, esse método é controverso. Especialistas alertam que, mal utilizado, pode causar mais mal do que bem. O cavalo pode associar a dor ao ambiente ou à presença de pessoas, agravando seu medo e aumentando a agressividade.
As correntes de coice nunca devem ser usadas durante montarias e devem ser supervisionadas por profissionais capacitados. Há riscos mecânicos também, como o enrosco em cercas ou ferraduras, o que pode resultar em lesões sérias.
O coice de cavalo não é apenas um reflexo físico — é uma forma de comunicação. O animal está dizendo que algo o incomoda, o assusta ou o machuca. Cabe ao ser humano interpretar essa mensagem e agir com responsabilidade.
Investir em um relacionamento de confiança com o cavalo, respeitar seus limites e buscar sempre o bem-estar físico e emocional do animal são atitudes que, a longo prazo, reduzem consideravelmente o risco de coices e outros comportamentos indesejados.
Com informação, técnica e empatia, é possível transformar o medo em cooperação — e garantir uma convivência segura e harmoniosa com esses animais incríveis.
Imagem principal: Depositphotos.
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