mangas no cesto
A fazenda de mangas Agrodan transformou o sertão nordestino em potência global. Com 30 mil toneladas exportadas por ano, tecnologia que fotografa cada fruta 40 vezes e ações sociais de peso, a empresa gera 1.400 empregos, investe em energia solar e ainda ensina música e robótica. Uma fruta que vale ouro — literalmente!
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Se alguém dissesse nos anos 80 que o sertão nordestino exportaria a Europa e faturaria milhões, muita gente acharia loucura. Mas foi justamente essa visão que ergueu a fazenda de mangas Agrodan, localizada no Vale do São Francisco, entre Pernambuco e Bahia.
Fundada em 1987 pela família Dantas, a empresa começou pequena, em meio à hiperinflação, e apostou em manga, banana e uva. A fazenda de mangas se destacou tanto que, em 1991, já colocava a fruta tropical nos navios rumo ao mercado europeu. E não parou mais de crescer.
O segredo da produtividade da fazenda de mangas está no Rio São Francisco, que irriga sete fazendas com mais de 1.300 hectares. Graças ao gotejamento, a Agrodan economiza água, aumenta a fertilização e elevou sua produção em até 20%.
Para o semiárido, isso é quase milagre — e não há nada mais tecnológico do que fazer o impossível brotar do chão seco.
O orgulho da fazenda de mangas é o seu packing house, considerado o mais moderno do Brasil. As frutas passam por três lavagens, enxágue e seleção digital. Cada manga tira 40 “selfies” (nem influencer faz tanto ensaio fotográfico) antes de seguir para a Europa.
Sensores e câmeras analisam peso, cor e defeitos, garantindo um padrão digno de tapete vermelho. Nada escapa ao olhar das máquinas — nem um pontinho preto suspeito.
A fazenda de mangas Agrodan exporta principalmente para a Europa, responsável por 97% do seu faturamento em 2024, estimado em R$ 168 milhões. Para 2025, a meta é chegar a R$ 220 milhões e aumentar a presença no mercado interno, especialmente com mangas premium como Kent e Keitt, que não têm fibras.
Menos fiapos, mais lucro — é a lógica de quem entende de negócio e de paladar refinado.
A fazenda de mangas não é só negócio. Em 2017, a Agrodan inaugurou a Escola Professora Olindina Roriz Dantas, atendendo 382 alunos da zona rural com ensino gratuito, transporte, alimentação e aulas de informática, música e até robótica. O investimento anual gira em torno de R$ 5 milhões.
Ou seja, é uma fazenda de mangas que, além de exportar frutas, cultiva cérebros.
A Agrodan não se limita a plantar e colher. A fazenda de mangas opera com energia solar própria, abastecendo packing house, vila de trabalhadores e UBS. Também mantém viveiros que produzem 30 mil mudas nativas e preserva 687 hectares de áreas verdes.
Em tempos de crise climática, ter uma fazenda de mangas que absorve mais carbono do que emite é quase tão raro quanto achar manga doce fora de época.
Os trabalhadores da fazenda de mangas contam ainda com participação nos lucros, acesso a unidades básicas de saúde com telemedicina e programas de educação de jovens e adultos. Tudo isso transforma a Agrodan não só na maior produtora de mangas do Brasil, mas numa empresa que leva o semiárido para o futuro.
A fazenda de mangas Agrodan é prova viva de que tecnologia, visão empreendedora e compromisso social podem mudar até o sertão. São 30 mil toneladas por ano, empregos, sustentabilidade e inovação. E pensar que tudo começou com a ousadia de plantar mangas onde só se via caatinga. Agora, quem tem pressa sabe: o sertão virou manga — e das boas.
Imagem principal: YouTube/Meramente ilustrativa.
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