Indicador cotação

Cepea: Indicador cotação boi, suínos, frango, farelo de soja e milho

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Análises CEPEA (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP. Indicador cotação boi, suínos, frango, farelo de soja e milho.

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Veja também: Análise semanal do mercado da soja

BOI/CEPEA: Relação de troca melhora ao pecuarista que faz recria-engorda

Os preços do boi gordo seguem firmes no mercado brasileiro, ao passo que os dos animais para reposição estão enfraquecidos. Segundo pesquisadores do Cepea, esse contexto vem favorecendo os pecuaristas que realizam recria-engorda, que, vale lembrar, atravessaram recentemente (em outubro de 2021) a pior relação de troca da série histórica do Cepea (iniciada em fevereiro de 2000). Dados do Cepea mostram que, na média parcial de fevereiro (até o dia 22), o pecuarista precisou de 8,38 arrobas de boi gordo paulista para a compra de um animal de reposição em Mato Grosso do Sul, quantidade 8,73% menor que a necessária em fevereiro do ano passado (9,18 arrobas). Trata-se também da relação de troca mais favorável ao pecuarista que faz recria-engorda desde janeiro de 2020 (quando foi de 8,25 arrobas). Em outubro de 2021, quando a relação de troca registrou o pior momento da série histórica ao produtor recriador, eram necessárias 10,27 arrobas para a aquisição de um bezerro.

SUÍNOS/CEPEA: Competitividade da carne suína frente à bovina é recorde em fevereiro

Mesmo com as altas dos preços de todo o setor suinícola a partir da segunda quinzena de fevereiro, a média mensal parcial (até o dia 23) da carne fechou bem abaixo das de janeiro/22 e de fevereiro/21. Segundo pesquisadores do Cepea, essa diminuição no valor médio mensal da proteína suína, por sua vez, foi mais intensa que a desvalorização registrada para a carne de frango, enquanto para a bovina, o cenário foi de aumento dos valores. Esse contexto levou o preço da carne suína a registrar competitividade recorde frente ao da bovina e uma das maiores da série na comparação com os da carne de frango. No mercado de suíno vivo, as cotações subiram em todas as praças acompanhadas pelo Cepea. Produtores reportaram liquidez elevada e baixa oferta de animais para abate, assim, as valorizações do vivo ocorreram mesmo com as dificuldades em negociar carne suína no atacado. No entanto, apesar das altas, a média mensal do vivo na parcial de fevereiro (até o dia 23) fechou abaixo da de janeiro, pressionada pelas desvalorizações registradas no início do mês. Nesse cenário, o poder de compra de suinocultores frente aos principais insumos consumidos na atividade, milho e farelo de soja, recuou novamente em fevereiro, acumulando cinco meses consecutivos de queda.

FRANGO/CEPEA: Com liquidez baixa, preço da carne recua, e competitividade frente à bovina é recorde

Os preços da carne de frango recuaram em fevereiro, refletindo a menor liquidez da proteína, o baixo poder de compra da população e a oferta elevada do produto, observada desde janeiro. As desvalorizações elevaram a competitividade da carne de frango frente à concorrente bovina a patamares recordes em fevereiro – na média parcial do mês (até o dia 23), o preço do frango inteiro resfriado ficou 15,61 Reais/kg mais baixo que o da carcaça casada bovina, a maior diferença registrada na série histórica, iniciada em 2004. Já na comparação com a proteína suína, o frango perdeu competitividade, uma vez que os preços do setor suinícola registraram fortes recuos nos primeiros meses de 2022. No mercado de frango vivo, o lento ritmo das vendas domésticas da carne e as exportações enfraquecidas pressionaram também as cotações do animal em fevereiro. Por outro lado, o preço do milho se sustentou, e o do farelo de soja subiu com força, o que reduziu o poder de compra do avicultor pelo quarto mês consecutivo.

FARELO DE SOJA: Demanda supera oferta, e cotações sobem em fevereiro

Com estoques reduzidos, parte dos consumidores precisou intensificar as aquisições de farelo de soja em fevereiro, mas as negociações foram limitadas pela baixa oferta do subproduto. Isso porque as indústrias relataram dificuldades na aquisição da matéria-prima, devido às quebras de safra no Sul do Brasil e na Argentina, a principal abastecedora global de derivados de soja. Segundo agentes consultados pelo Cepea, algumas fábricas de esmagamento precisaram, inclusive, interromper as atividades durante o mês, devido à falta de soja em grão, resultando em significativa diminuição na oferta dos derivados e impulsionando os valores. Além disso, um incêndio em uma importante fábrica de esmagamento de soja localizada no estado de Indiana, nos Estados Unidos, gerou especulações de que parte da demanda global por derivados pudesse ser direcionada ao mercado brasileiro, valorizando também os prêmios de exportação – com base no porto de Paranaguá (PR), a oferta de venda de prêmio de exportação de farelo referente ao embarque em março/22 chegou a US$ 29,20/tonelada curta na média da primeira quinzena de fevereiro, o maior patamar desde 2010, considerando-se os embarques em março de anos anteriores. Na média das regiões acompanhadas pelo Cepea, o farelo de soja registrou expressiva valorização de 7,6% entre janeiro e a parcial de fevereiro (até o dia 23).

MILHO/CEPEA: Procura é baixa, e Indicador fecha o mês praticamente estável

A demanda por milho esteve enfraquecida no mercado doméstico em fevereiro. Consumidores se mostraram resistentes em adquirir o cereal, devido aos preços elevados, trabalhando com o produto em estoque durante o mês. Vendedores, por sua vez, se concentraram nos trabalhos de campo da safra verão, sem necessidade de “fazer caixa”. A baixa liquidez fez leve pressão sobre os valores do cereal, e na região de Campinas (SP), onde há um grande número de demandantes e que é referência para o Indicador ESALQ/BM&FBovespa, os preços recuaram ligeiro 0,59% entre 31 de janeiro e 23 de fevereiro, fechando a R$ 96,85/saca de 60 kg no dia 23. Já a média parcial de fevereiro, de R$ 96,82/sc, ficou 0,8% acima da de janeiro. Em outras regiões, as perdas atreladas à falta de chuvas durante o desenvolvimento das lavouras limitaram maiores desvalorizações. De acordo com o relatório divulgado pela Conab em fevereiro, a safra brasileira 2020/21 deve somar 112,34 milhões de toneladas, queda de 600 mil toneladas em relação ao estimado no relatório anterior, mas ainda a maior safra da história. O USDA reduziu a produção brasileira em 1 milhão de toneladas frente ao relatório anterior, para 114 milhões de toneladas.

Textos elaborados pela Equipe Cepea.


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