Manejo de integrado de pragas em lavouras de soja

Manejo de integrado de pragas em lavouras de soja

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Manejo de integrado de pragas em lavouras de soja. Tamanho de amostra de insetos-praga é base para o manejo de integrado de pragas.

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Pragas em lavouras de soja

A escolha do plano amostral mais adequado envolve a definição de três critérios: unidade amostral a ser quantificada, método de amostragem utilizado e tamanho da amostra coletada. A amostragem é uma das bases para tomada de decisão no Manejo de Integrado de Pragas em lavouras de soja.

As plantas podem tolerar certos níveis de injúria sem redução significativa de produtividade, sendo que esses níveis variam de acordo com a cultura e a praga em questão. Assim, deve-se buscar práticas que visam manter a população de insetos-praga abaixo do Nível de Dano Econômico (NDE). A tomada de decisão quanto ao controle deve ocorrer no limiar abaixo do NDE, que é definido como Nível de Controle (NC). Segundo os preceitos do MIP.

É necessário primeiro conhecer o método de coleta e o tamanho de amostra, que permitem estimar a densidade populacional do inseto-praga associada a um erro amostral conhecido. Essa estimativa é obtida por meio de diferentes pontos de amostragem (folhas, folíolos, batidas de pano, etc.), que devem representar a população real do inseto na lavoura da forma mais precisa possível.

Figura 1. Métodos de amostragem para percevejos e lagartas da soja: pano de batida horizontal (1), pano de batida largo (2) e pano de batida vertical (3).

O método de amostragem mais recomendado para percevejos e lagartas da soja é o pano de batida largo (1m × 1m). Cálculos do tamanho de amostra para as espécies Anticarsia gemmatalis, Pseudoplusia includens e Spodoptera eridania demonstraram que são necessários pelo menos 18 pontos amostrais para estimar a densidade populacional média dessas três espécies de lagartas, nos estágios fenológicos da soja entre R1 e R5.1 (STÜRMER et al., 2013). Já para as espécies de percevejos Diceraeus sp. e Euschistus heros, recomendam-se 13 e 15 pontos amostrais na lavoura, respectivamente (ANTÚNEZ et al., 2016).

O grupo de pesquisa de Manejo e Genética de Pragas – Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) está desenvolvendo um estudo para calcular o tamanho de amostra de mosca-branca (Bemisia tabaci) em soja. A mosca-branca é uma das principais pragas da soja no Brasil, causando danos pela sucção da seiva das plantas, injeção de toxinas, transmissão de viroses e secreção de uma substância rica em açúcar que favorece o desenvolvimento da fumagina.

Perdas de produtividade devido aos danos causados pela mosca-branca podem chegar a 70% em altas infestações (HOFFMANN-CAMPO et al., 2000). A presença de 1,5 B. tabaci por trifólio pode reduzir a produtividade da soja em 27 a 35 kg ha-1 (PADILHA et al., 2021). O inseto pode se hospedar em outras 600 espécies vegetais, incluindo culturas de interesse econômico, como algodão, feijão e tomate (YING et al., 2003).

Figura 2. Adulto (esquerda) e ninfa (direita) de B. tabaci em folha de soja

O principal método de controle do inseto é a utilização de inseticidas químicos; portanto, é necessário o conhecimento da densidade populacional de mosca-branca na área, para definir o momento de aplicação. Por meio de um tamanho de amostra adequado (número de folíolos a serem coletados), a tomada de decisão torna-se mais assertiva, evitando-se aplicações desnecessárias e reduzindo os custos de produção.

Os dados a ser utilizado para o estudo consiste em seis experimentos, realizados nos municípios de Santa Cruz do Sul e Santa Maria entre os anos de 2017 e 2021. Durante os experimentos, foram coletados de 10 a 20 folíolos de soja por tratamento, realizando-se a contagem visual de ninfas e adultos do inseto. A estimativa do tamanho de amostra irá trazer mais segurança, reduzir o tempo de amostragem, custos e mão de obra utilizada no manejo de mosca-branca em soja. Mais informações serão divulgadas em breve!

Revisão: Henrique Pozebon, Doutorando PPGAgro – UFSM

e Prof. Jonas Arnemann, PhD. e Coordenador do grupo de Manejo e Genética de Pragas – UFSM

REFERÊNCIAS:

ANTÚNEZ, C. C. C. et al. Tamanho de amostra para avaliar a densidade populacional de percevejos em lavouras de soja. Ciência Rural, v. 46, p. 399-404, 2016.

ANTÚNEZ, C. C. C. et al. Tamanho de amostra para avaliar a densidade populacional de lagartas em lavouras de soja. Investig. Agrar, p. 70-76, 2017.

HOFFMANN-CAMPO, C. B., et al. Pragas da soja no Brasil e seu manejo integrado. Embrapa Soja – Circular Técnica. n. 30. 2000. 70p.

PADILHA, G., et al. Damage assessment of Bemisia tabaci and economic injury level on soybean. Crop Protection, v. 143, 105542, 2021.

STÜRMER, G. R., et al. Tamanho de amostra para a estimação da média de lagartas na cultura de soja. Bioscience Journal, v. 29, p. 1596-1605, 2013.

YING, J. I. N. G., et al. Host plant preferences of Bemisia tabaci Gennadius. Insect Science, v. 10, n. 2, p. 109-114, 2003.

Fonte: Equipe mais soja adaptado por Douglas Carreson. Imagem principal: Depositphotos/cherriesjd(Dusanka Visnjican).


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